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Nova Fase 3 mostra que a vacina de Oxford é segura e possui 79% de eficácia global


A Universidade de Oxford divulgou hoje os aguardados resultados de um novo teste clínico de Fase 3 conduzido no Chile, Peru e nos EUA, indicando que a vacina da AstraZeneca (ChAdOx1 nCoV-19) – produzida aqui no Brasil através de parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) – possui uma eficácia global de 79% contra a COVID-19 sintomática, e de 100% contra a COVID-19 severa e hospitalização por causa da doença (Ref.1). Em nenhum dos participantes que receberam as vacinas foi encontrado problema relacionado a sérios eventos trombóticos, como vinha sendo recente alegado, ou qualquer outro sério efeito adverso. 


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A vacina da Oxford - ChAdOx1 nCoV-19 (AZD1222) – é feita a partir de um vírus (ChAdOx1) que foi geneticamente modificado de um adenovírus de resfriado comum em chimpanzés, visando incapacitá-lo de se proliferar em humanos. No entanto, o vírus modificado ainda possui a capacidade de infectar células humanas e entregar o material genético responsável por expressar a proteína Spike (S) associada à estrutura proteica do SARS-CoV-2. Esse material genético foi artificialmente adicionado à estrutura do ChAdOx1 via edição genética.


A proteína S é crucial para a capacidade de infecção do SARS-CoV-2 – com a ajuda do receptor ACE2 (Como a COVID-19 mata?) – nas células humanas, e constitui as famosas coroas na superfície das partículas virais dos coronavírus. A proteína S é o alvo preferencial dos anticorpos humanos. Ao vacinar as pessoas com o ChAdOx1 nCoV-19, os cientistas esperam fazer o corpo reconhecer a proteína S e desenvolver respostas imunes específicas (anti-SARS-CoV-2) que irão ajudar a impedir que o vírus infecte as células humanas, prevenindo infecção e subsequente desenvolvimento da COVID-19.


O adenovírus modificado entra na célula alvo ao se ligar ao receptor de Coxsackie/Adenovírus (CAR). Após se ligar ao CAR, o adenovírus é internalizado via endocitose integrina-medida seguida por transporte ativo para o núcleo, onde o DNA é expresso epissomalmente (sem integração com o cromossomo do hospedeiro), permitindo que o gene da proteína de interesse (no caso, da proteína S) continue sendo expresso e passado adiante durante a replicação celular por um determinado período de tempo sem modificar o genoma do hospedeiro.


Três proteínas S sintetizadas pela célula podem se juntar para formar coroas, que se fixam na membrana celular. Ou a proteína S sintetizada pode ser fragmentada pela célula em pequenos pedaços que acabam também aderidos na membrana externa. Essas proteínas S (parciais ou completas) acabam sendo reconhecidas de diferentes formas por anticorpos e células imunes do nosso corpo, induzindo uma imunidade contra as partículas virais do SARS-CoV-2.


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Testes clínicos de Fases 1/2 mostraram que a vacina é segura e gerou uma forte resposta imune - tanto humoral quanto celular - em todas as faixas de idade, inclusive em idosos com mais de 70 anos - principal grupo de risco. Aliás, em pacientes com idades mais avançadas, a vacina se mostrou mais tolerável em termos de eventos adversos do que em adultos mais jovens. A partir dos resultados dessas duas fases, o regime de vacinação escolhido foi de 2 doses, separadas por 28 dias.


Resultados preliminares de Fase 3 liberados ano passado por pesquisadores da Universidade de Oxford, Reino Unido, sugeriram que a vacina ChAdOx1 nCoV-2019 - desenvolvida pela Oxford em parceria com a empresa de biotecnologia AstraZeneca - possuía uma eficácia de 70,4% na proteção contra a COVID-19 (doença causada pelo novo coronavírus, SARS-CoV-2) quando combinado dados de duas distintas concentrações nas doses testadas. Na dose mais baixa (50% da dose completa), a eficácia alcançou 90%. Além disso, entre aqueles recebendo a vacina, nenhum caso de hospitalização ou desenvolvimento mais grave de COVID-19 foi observado. A dose de 50% foi um acidente, o que levantou desconfiança entre especialistas sobre a confiabilidade dos dados liberados.


Uma análise exploratória subsequente incluindo quatro estudos clínicos randomizados de Fase 3, englobando 17178 participantes (>18 anos de idade) oriundos do Reino Unido, África do Sul e Brasil, e publicada no periódico The Lancet (Ref.4), encontrou que a maior eficácia da vacina da Oxford (AZD1222) é obtida com um intervalo de tempo maior entre a primeira e a segunda dose padrão (81,3% para um intervalo de 3 meses contra 55,1% para um intervalo de 6 semanas). Além disso, uma única dose da vacina é altamente eficaz nos primeiros três meses (76% eficácia a partir de 22 dias pós-vacinação).Os pesquisadores também confirmaram que as vacinas reduzem substancialmente a severidade da doença, aumentando o percentual de casos assintomáticos. Nenhuma morte ou hospitalização associada à COVID-19 foi reportada no grupo dos vacinados a partir de 22 dias após a primeira dose, enquanto 15 de um dos dois casos ocorreram no grupo de placebo.


NOVA FASE 3


No novo teste clínico de Fase 3 divulgado hoje, mais de 32 mil voluntários distribuídos nos EUA, Chile e Peru receberam ou duas doses da vacina ou duas doses de placebo, separadas por um intervalo de 28 dias. Segundo divulgação da Universidade de Oxford, os resultados – ainda não publicados em periódico e sem detalhes específicos – indicaram uma eficácia global de 79% contra a COVID-19 sintomática, e 100% de eficácia contra hospitalização e COVID-19 severa. No total, foram 141 casos de COVID-19 sintomática distribuídos em ambos os grupos (placebo e vacina). 


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Recentemente, vários países – incluindo Alemanha, França e Itália – suspenderam temporariamente as vacinas com a AZD1222 devido a supostos casos de raros derrames chamados de tromboses venosas do sino e de desordens de coagulação sendo exacerbados pela vacina. Porém, os dados de segurança da nova Fase 3 não apontaram nenhuma tendência do tipo nos mais de 21 mil participantes que receberam a vacina, reforçando os dados de segurança acumulados nos testes clínicos prévios e uma análise recente publicada como preprint (Ref.5) investigando o banco de dados EudraVigilance.. 


O novo teste clínico de Fase 3 também é mais robusto por trazer uma parte significativa (cerca de 20%) de participantes com 65 anos ou mais de idade, o principal grupo de risco da COVID-19. Analisando separadamente os dados oriundos desse grupo, uma eficácia de 80% foi reportada (Ref.2).


Apesar da menor eficácia global do que as vacinas mRNA-baseadas (1), a vacina da Oxford possui cruciais vantagens em relação às vacinas da Pfizer e da Moderna. Primeiro, não é necessário drásticos resfriamentos para armazená-la (2-8°C), em comparação com 20°C e 70°C negativos da Moderna e da Pfizer, respectivamente. Segundo, o preço da vacina da Oxford é 5-8 vezes menor do que as outras duas, e pode diminuir ainda mais considerando que a dose de 50% é a mais efetiva. Esses fatores são cruciais para a distribuição em países menos desenvolvidos, como o Brasil.


(1) Para mais informações, acesse: 

  • Outra vitória para a Ciência: Vacina da Moderna mostra eficácia de quase 95%
  • Grande Dia para a Ciência: Vacina contra a COVID-19 garantiu mais de 90% de

  • VARIANTES DE PREOCUPAÇÃO


    Dados iniciais apontam que a vacina do Butantan (CoronaVac) contra a COVID-19 é capaz de combater as variantes P.1 (também conhecida como amazônica) e P.2 (do Rio de Janeiro) do novo coronavírus, associadas com maior transmissibilidade, maior capacidade de evasão imune e possível maior virulência. O estudo está sendo realizado em parceria com o Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), e incluiu as amostras de 35 participantes vacinados na Fase 3 realizada pelo Butantan. É válido lembrar que a vacina do Butantan é baseada em tecnologia tradicional, de inativação do vírus, conferindo mais regiões onde os anticorpos e outras células imunes podem atuar. Para mais informações, acesse: Vacina CoronaVac possui eficácia clínica de 78% contra casos leves e de 100% contra casos graves da COVID-19


    Nesse mesmo caminho, resultados divulgados na mídia de um estudo in vitro realizado por pesquisadores da Universidade de Oxford (e investigando a capacidade de neutralização de anticorpos produzidos por pacientes imunizados), indicaram que a vacina ADZ1222 - mesmo sendo proteína S-específica - parece também ser eficaz contra a variante Brasileira P.1.


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    Porém, em um estudo de alta qualidade (randomizado, placebo-controlado e duplo-cego), englobando mais de 2 mil participantes e publicado no periódico The New England Journal of Medicine (2), pesquisadores reportaram que a vacina da Oxford (ChAdOx1 nCoV-19) possui sua eficácia drasticamente reduzida – praticamente anulada – contra o desenvolvimento de COVID-19 leve a moderada causada por infecção da B.1.351. É é ainda incerto se a vacina protege contra COVID-19 mais severa. Esse estudo também foi corroborada por um estudo in vitro publicado recentemente como preprint (Ref.6), cujos resultados sugeriram que a variante P.1 é significativamente menos resistente a anticorpos naturalmente adquiridos ou induzidos por imunizante (cepas prévias) do que a variante B.1.351, indicando que mudanças fora do domínio do receptor de ligação da proteína S impactam a eficiência dos anticorpos neutralizantes, não apenas as mutações de preocupação compartilhadas por ambas as cepas (E484K, K417N/T e N501Y).


    (2) Para mais informações, acesseVacina da Oxford não possui eficácia contra a variante Sul-Africana na prevenção de COVID-19 leve a moderada, indica estudo


    De qualquer forma, é esperado que a vacina da Oxford (e outras vacinas) consiga prevenir casos severos da doença causadas pelas atuais variantes em circulação. Mas essa questão é um alerta de que a circulação do vírus precisa ser controlada o mais rápido possível antes que variantes de maior preocupação emerjam.


    REFERÊNCIAS

    1. https://www.ox.ac.uk/news/2021-03-22-results-usa-trial-oxford-vaccine
    2. https://www.sciencemag.org/news/2021/03/astrazeneca-reports-powerful-covid-19-protection-new-vaccine-trial
    3. https://www.cdc.gov/vaccines/covid-19/hcp/viral-vector-vaccine-basics.html
    4. https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(21)00432-3/fulltext
    5. https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2021.03.19.21253980v2
    6. https://www.biorxiv.org/content/10.1101/2021.03.12.435194v2

    Nova Fase 3 mostra que a vacina de Oxford é segura e possui 79% de eficácia global Nova Fase 3 mostra que a vacina de Oxford é segura e possui 79% de eficácia global Reviewed by Saber Atualizado on março 22, 2021 Rating: 5

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