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Estudo na Dinamarca prova que as máscaras não funcionam?


 

No final de novembro de 2020, o primeiro teste clínico randomizado avaliando a eficácia das máscaras (no caso, máscaras cirúrgicas) para proteger o indivíduo de ser infectado pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) foi publicado no periódico Annals of Internal Medicine (1). Segundo os autores (Bundgaard et al.), foi difícil achar um periódico para uma publicação revisada por pares, sendo rejeitados previamente à publicação final por duas grandes revistas científicas na área de medicina.


Muitos veículos de mídia e indivíduos céticos ou negacionistas quanto ao uso das máscaras visando o controle epidêmico do SARS-CoV-2 (incluindo profissionais na área de saúde) reportaram - e ainda continuam reportando - o estudo como evidência de ineficácia das máscaras para o controle epidêmico. Nesse sentido, o Facebook chegou inclusive a banir matérias divulgando o estudo, marcando-as como 'desinformações'. Um verdadeiro caos foi criado.


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Porém, como notado por muitos especialistas e também pelos autores do próprio estudo, os resultados do teste clínico foram inconclusivos na sua proposta, e, ao contrário do que estava sendo divulgado, o estudo encontrou, sim, um aparente efeito protetor das máscaras. E, mais importante, o uso das máscaras não foi universal e nem visava proteger a comunidade, mas o próprio usuário - algo longe do principal objetivo das máscaras (caseiras ou médicas).


No total, foram mais de 6 mil participantes, e aqueles no grupo de intervenção foram encorajados a usarem uma máscara cirúrgica quando estivessem em público (incluindo um suprimento de 50 máscaras e instruções para um uso apropriado). No grupo de controle, as pessoas foram deixadas seguirem as recomendações voluntárias do governo da Dinamarca para reduzir o risco de contaminação (ex.: distanciamento social), mas que não incluíam uso de máscaras (apenas na segunda onda epidêmica - outubro/novembro - o uso universal de máscaras foi recomendado no país, após um fracasso das flexíveis políticas de controle epidêmico e elevado número de mortes no começo do ano passado). O teste acompanhou os participantes por um período de 1 mês entre abril e maio deste ano, durante a primeira onda epidêmica no país.


Portanto, os pesquisadores buscaram avaliar a proteção extra que as máscaras forneciam apenas para os usuários das máscaras, e não para a comunidade como um todo. A principal função das máscaras cirúrgicas e caseiras é diminuir a disseminação do vírus para o ambiente através do bloqueio de grande parte das gotículas e de aerossóis expelidos pela boca e pelo nariz (fala, tosse, espirro, respiração), reduzindo o risco de infecção comunitária. Existe potencial proteção para o indivíduo, mas esta é limitada, e por isso a recomendação das agências de saúde, inclusive da Organização Mundial de Saúde (OMS), é para o uso universal, não individual.


De qualquer forma, o estudo foi arquitetado para encontrar uma redução mínima de 50% no risco de infecção pelo usuário da máscara, algo que não alcançado (inconclusivo). Porém, os resultados, estatisticamente, suportaram uma proteção de 18% no risco de contaminação entre os usuários de máscaras, algo mais do que relevante a nível populacional e considerando que a proteção é a nível individual.


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É válido também apontar que o estudo possui várias limitações, como perda de dados, aderência variável dos participantes ao uso das máscaras, dependência de reporte dos participantes e um design não-duplo cego. E, como também já apontado, não foi avaliado se o uso das máscaras diminuía a chance de transmissão para outras pessoas. Aliás, os próprios autores do estudo apontaram que os resultados visados foram inconclusivos, e mesmo assim muitos anunciaram mais do que erroneamente o estudo como "prova de ineficácia" das máscaras - e ainda continuam usando o estudo como justificativa para o não-uso das máscaras.


De fato, um estudo publicado mais recentemente (22 de dezembro de 2020) no periódico PNAS (2) concluiu que 20 dias após o estabelecimento do uso mandatório de máscaras na Alemanha, o número de novos casos esperados de COVID-19 diminuiu em média 45% [15-75%] ao longo de várias regiões do país, acompanhado de uma redução do crescimento da taxa de infecções reportadas em torno de 47%.


Não existe evidência conclusiva de eficácia do uso universal das máscaras, mas várias evidências acumuladas oriundas de estudos observacionais, demonstrações de testes físicos e experimentos com animais não-humanos suportam a eficácia das máscaras, com alguns estudo inclusive sugerindo que as máscaras são o meio mais efetivo de controle epidêmico (3). As únicas intervenções não-farmacológicas com evidência conclusiva de eficácia é o rastreamento efetivo e isolamento de casos, e o lockdown (quarentena total). E, importante, as máscaras devem ser usadas junto com outras medidas de proteção, como distanciamento social. Nenhuma medida é 100% segura, nem mesmo vacinas.


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Por fim, é preciso apontar que as máscaras podem atuar além de apenas ajudar a prevenir infecções. Duas hipóteses (dois mecanismos distintos) sugerem que as máscaras podem ajudar a prevenir o desenvolvimento de uma COVID-19 mais grave:


> Leitura recomendada: Quais são as melhores e piores máscaras caseiras contra a COVID-19?


REFERÊNCIAS

Estudo na Dinamarca prova que as máscaras não funcionam? Estudo na Dinamarca prova que as máscaras não funcionam? Reviewed by Saber Atualizado on janeiro 08, 2021 Rating: 5

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