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Uso universal de máscaras pode ajudar a prevenir casos graves de COVID-19

 


No momento, são mais 29 milhões de casos oficialmente confirmados de infecção pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) ao redor do mundo e mais de 928 mil mortes registradas decorrentes da doença associada (COVID-19). Segundo sugere a Organização Mundial de Saúde (OMS), 81% dos casos de COVID-19 são leves ou moderados, 14% progridem para uma forma severa e 5% são críticos. Como resposta ao contínuo avanço da pandemia, muitos centros de pesquisa estão correndo contra o tempo para o desenvolvimento de vacinas e de vias terapêuticas que possam prevenir ou tratar a COVID-19. Enquanto nenhuma vacina efetiva ainda está disponível, as melhores vias de controle epidêmico são medidas não-farmacológicas como distanciamento e isolamentos sociais, uso universal de máscaras faciais, e lavagem das mãos e de superfícies potencialmente contaminadas.


As máscaras - sejam caseiras, médicas ou mais sofisticadas, como a N95 - possuem a função principal de proteger a comunidade - ao impedir gotículas e aerossóis da fala, respiração, tosse e espirro de contaminarem o ambiente em largas quantidades - mas também protegem o usuário - ao minimizar a inalação de gotículas e de aerossóis contaminados oriundos do nariz ou da boca. A recomendação das máscaras se tornou ainda mais enfatizada após estudos começarem a reportar que pacientes assintomáticos e pré-sintomáticos também eram capazes de disseminar altas cargas do vírus, e quando a transmissão aérea (via aerossóis contaminados) passou a ganhar cada vez mais importância com as evidências acumuladas.


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Agora, em um artigo publicado no periódico The New England Journal of Medicine (1), pesquisadores propuseram que as máscaras também podem ajudar a reduzir a severidade da COVID-19 e assegurar que uma maior proporção de novas infecções sejam assintomáticas. Se essa hipótese se comprovar verdadeira, o uso universal de máscaras pode se tornar uma forma de 'variolação' que geraria imunidade e, portanto, desaceleraria a disseminação do vírus, enquanto esperamos uma vacina efetiva.  



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Evidências prévias relacionadas a outros vírus respiratórios indicam que as máscaras podem também proteger o usuário de se tornarem infectados, ao bloquear partículas virais de entrarem no nariz e na boca. Investigações epidemiológicas (estudos observacionais) conduzidas ao redor do mundo - especialmente me países Asiáticos que se tornaram acostumados ao amplo uso populacional das máscaras durante a pandemia de 2003 (SARS) - têm sugerido que existe uma forte relação entre uso público de máscaras e controle pandêmico. Alguns estudos inclusive sugeriram que o uso de máscaras é o meio não-farmacológico mais efetivo de controle do novo coronavírus (2). E um estudo publicado em julho no periódico JAMA (3) reportou que após a adoção do uso universal de máscaras em uma rede (Mass General Brigham) de 12 hospitais em Massachusetts, EUA, o número de pacientes e funcionários infectados caiu significativamente, mesmo com o número de casos recebidos aumentando de forma contínua.


A infecção pelo SARS-CoV-2 possui o potencial de causar uma amplo espectro de manifestações clínicas, variando de uma completa falta de sintomas até um grave quadro trombótico, de pneumonia respiratória, síndrome de estresse respiratório agudo, e morte. Fatores de risco incluem obesidade, fumo e certas comorbidades prévias, como hipertensão e doenças cardíacas. Dados virológicos, epidemiológicos e ecológicos recentes têm levado à hipótese de que o uso de máscara pode também reduzir a severidade da doença entre pessoas que se tornam infectadas. Essa possibilidade é consistente com uma antiga teoria de patogênese viral afirmando que a severidade de uma doença virótica é proporcional à carga viral de exposição.


Desde 1938, pesquisadores têm explorado, primariamente em modelos de animais, o conceito de dose letal de um vírus - ou a dose na qual 50% dos hospedeiros expostos morrem (LD50). Com infecção viral na qual as respostas imunes do hospedeiro atuam de forma crucial na patogênese viral, como o SARS-CoV-2, altas doses de exposição viral podem sobrecarregar o sistema imune e desregular as defesas imunes inatas, aumentando a severidade da doença. De fato, a regulação da imunopatologia de forma a reduzir as respostas imunes é um dos mecanismos pelo qual a dexametasona aumenta as chances de sobrevivência de pacientes com COVID-19 em estado grave (sob ventilação mecânica) (4).


Nesse sentido, apesar de estudos clínicos em humanos específicos não terem sido publicados, análises experimentais em roedores têm mostrado que maiores cargas virais de exposição ao SARS-CoV-2 levam a manifestações mais severa da COVID-19 (5). Quando o uso de máscaras é simulado nesses roedores, as taxas de transmissão caem significativamente e, quando infectados, eram mais prováveis de serem assintomáticos ou terem sintomas leves comparados com roedores "sem máscara".


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Caso confirmado que a carga viral de exposição é determinante para a severidade da infecção pelo SARS-CoV-2 em humanos, isso sugere fortemente que as máscaras podem ajudar a prevenir casos mais graves de COVID-19 mesmo se os usuários forem infectados, ao diminuir quantitativamente a exposição às partículas virais no ambiente. E ao diminuírem a quantidade de partículas virais saindo da boca e do nariz dos usuários, as máscaras também ajudam a diminuir os níveis de SARS-CoV-2 no ambiente, reduzindo ainda mais as chances de alguém ser exposto a altas cargas virais. Nesse sentido, se temos um uso universal das máscaras, as taxas de contaminação podem até não cair tanto quando gostaríamos, mas a proporção de infectados assintomáticos e que não precisem de hospitalização pode aumentar - ajudando até mesmo a promover um efeito de rebanho parcial.


No geral, é estimado que as taxas de assintomáticos são de 40-50%, mas as taxas de infecções assintomáticas têm sido reportadas de serem maiores de 80% em locais onde exite o uso universal das máscaras. Países que adotaram o uso universal das máscaras, como Coreia do Sul, China e Japão conseguiram controlar bem e rápido os surtos epidêmicos, e tiveram baixas taxas de morte e de casos graves comparado com outros países. As máscaras podem ter se somado às ações de isolamento, testagens em masa e rastreamento de casos para explicar tais notáveis casos de sucesso. E nesses países, mesmo com novos surtos emergindo em certas localidades, as taxas de morte continuam muito baixas.


Em dois recentes surtos em fábricas de processamento de alimento nos EUA, entre os mais de 500 infectados, 95% se tornaram assintomáticos e os 5% restantes tiveram sintomas leves-a-moderados. Todos eram obrigados a usarem máscaras no trabalho. Em um recente surto em um navio de cruzeiro Argentino, todos os passageiros usavam máscaras cirúrgicas ou N95, e 80% dos infectados se tornaram assintomáticos. Já em surtos prévios em navios de cruzeiro, apenas em torno de 20% se tornavam assintomáticos (7).


A mensagem, portanto, é clara: sempre use máscara em público ou em qualquer ambiente de risco.


(1) Referência: NEJM

  

(2) Leitura recomendada: Uso de máscara é o meio mais efetivo para frear a pandemia, sugere estudo 


(3) Publicação do estudo: JAMA


(4) Leitura recomendada: Últimas da pandemia: Dexametasona e outros corticoesteroides são eficazes contra a COVID-19


(5) Publicação do estudo: PNAS


(6) Referência: JGIM

Uso universal de máscaras pode ajudar a prevenir casos graves de COVID-19 Uso universal de máscaras pode ajudar a prevenir casos graves de COVID-19 Reviewed by Saber Atualizado on setembro 15, 2020 Rating: 5

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