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Dexametasona é comprovadamente eficaz no tratamento da COVID-19, aponta estudo Britânico


A pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2) continua avançando, e já acumula mais de 8 milhões de casos confirmados ao redor do mundo. Sua doença associada (COVID-19) é responsável por quase 438 mil mortes. E esses números provavelmente estão muito subestimados. Tratamentos específicos efetivos e vacinas ainda não existem, e por isso a importância de frear ao máximo a disseminação do vírus através de intervenções não-farmacológicas, como isolamento social, uso universal de máscaras, distanciamento social, aplicação de testes em massa e rastreamento dos casos. Agora, como parte do projeto Britânico multi-clínico RECOVERTY, um estudo clínico randomizado rigoroso e de grande porte encontrou que o esteroide dexametasona reduziu praticamente 1/3 as mortes em pacientes que estavam sob ventilação mecânica por causa da COVID-19.

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O Randomised Evaluation of COVid-19 thERapY (RECOVERY), lançado em março deste ano no Reino Unido, é um dos maiores estudos clínicos randomizados controlados analisando múltiplas linhas de tratamento para a COVID-19. O RECOVERY engloba mais de 11,5 mil pacientes de 175 hospitais no Reino Unido do Instituto Nacional de Saúde [NHS]. Desde o seu lançamento, o Comitê de Monitoramento dos Dados (DMC) tem revisado os dados clínicos emergentes a cada duas semanas para determinar se existe evidência forte o suficiente de alguma via medicamentosa para afetar tratamentos global e nacional da COVID-19. Aliás, durante essas revisões, uma das linhas de tratamento do RECOVERY foi encerrada devido à falta de eficácia de clínica do medicamento sendo testado (hidroxicloroquina) (I).

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No estudo analisando o fármaco dexametasona - um corticosteroide similar a um hormônio produzido pelas glândulas adrenais e usado mais comumente para aliviar inflamações -, foram incluídos 2104 participantes que receberam dexametasona a baixa ou moderada dose de 6 mg por dia ao longo de 10 dias, os quais foram então comparados com cerca de 4321 pessoas que receberam tratamento hospitalar convencional para a infecção com o SARS-CoV-2.

Ao final de um percurso de hospitalização de 28 dias, aqueles recebendo tratamento convencional expressaram uma alta taxa de mortalidade de 41% entre os casos críticos (sob ventilação mecânica), uma taxa intermediária quando apenas requeriam oxigênio (25%) e uma taxa relativamente baixa quando não requeriam qualquer intervenção respiratória (13%). No grupo recebendo dexametasona, os resultados do estudo mostraram que o efeito benéfico do fármaco foram mais impactantes entre os pacientes em estado crítico e sob suporte de ventiladores mecânicos: redução no risco de morte de ~33% em relação ao grupo de controle. Aqueles que receberam terapia de oxigênio mas não estavam sob ventilação também obtiveram melhoras substanciais com o fármaco: o risco de morte nesses participantes foi reduzido em 20% em comparação com o grupo de controle. 

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Entre os pacientes que não requereram suporte respiratório de nenhuma espécie, a taxa de mortalidade foi similar entre os dois grupos. Isso pode reforçar a importância do excesso de resposta inflamatória do corpo para a progressão mais grave da doença e o provável mecanismo pelo qual a dexametasona agiu para reduzir a severidade da doença. No geral, a dexametasona reduziu a taxa de mortalidade em 17% em comparação com o grupo de controle.

Baseando-se nos achados, 1 morte pode ser prevenida para cada 8 pacientes sob ventilação mecânica recebendo a dexametasona, ou 1 morte seria prevenida para cada ~25 pacientes requerendo apenas terapia de oxigênio com o uso desse fármaco. E o tratamento é barato. Aqui no Brasil, uma caixa com 10 comprimentos de 4 mg de dexametasona sai a menos de R$10,00.

Peter Horby, professor de Doenças Infecciosas Emergentes e Saúde Global no Departamento de Medicina Nuffield, Universidade de Oxford, e Investigador-Chefe do RECOVERY, comentou: "A dexametasona é o primeiro medicamento a mostrar uma melhora na taxa de sobrevivência em pacientes com COVID-19. Esse é um resultado extremamente bem-vindo. O benefício clínico foi robusto e claro naqueles pacientes doentes o suficiente para necessitarem de tratamento de oxigênio [incluindo ventilação], portanto a dexametasona deve agora se tornar um tratamento padrão para esses pacientes. A dexametasona é barata, amplamente disponível nas farmácias, e pode ser usada imediatamente para salvar vidas ao redor do mundo."

Até o momento, apenas o fármaco Remdesivir tinha mostrado eficácia moderada no tratamento de pacientes hospitalizados com COVID-19, porém teve efeito realmente significativo apenas no tempo de hospitalização, não na taxa de mortalidade (Remdesivir mostrou substancial eficácia clínica no tratamento da COVID-19).

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Além da eficácia da dexametasona para tratar os pacientes com COVID-19, o medicamento é bem tolerado e está associado mais comumente a poucos efeitos colaterais adversos e pode ser administrado em quase todos os pacientes em estado mais grave. O mais frequente efeito adverso reportado é a presença de insônia após o uso. Outros efeitos colaterais frequentemente reportados incluem acne, indigestão, ganho de peso, aumento de apetite, náusea, vômito, agitação, e depressão. Muito raramente, já foi reportado supressão adrenal, arritmias, mudanças espermatogênicas, glaucoma, hipocalemia, edema pulmonar, pseudo-tumor cerebral, e aumento da pressão intra-craniana. Existem também contra-indicações, incluindo pacientes com infecções sistêmicas com fungos, hipersensitividade ao fármaco, ou com malária cerebral.

Por esses motivos, o medicamento, apesar de geralmente seguro, só deve ser aplicado sob orientação médica e, no caso da COVID-19, em pacientes hospitalizados que não apresentam quadros mais leves da doença. Além disso, como é um poderoso anti-inflamatório e não um anti-viral, o medicamento não visa o vírus e, sim, os processos de inflamação disparados pela infecção viral. Nesse sentido, não faz sentido usá-lo para prevenir a infecção pelo SARS-CoV-2 ou no início da infecção.

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(1) Referência: University of Oxford

Referência adicional: NCBI Bookshelf
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> O RECOVERY vêm analisando 6 potenciais tratamentos sugeridos para a COVID-19:

- Lopinavir-Ritonavir (comumente usado para tratar HIV) (!)

- Dexametasona - EFICÁCIA COMPROVADA

- Hidroxicloroquina - ENCERRADA

- Azitromicina (um antibiótico de uso comum)

- Tocilizumab (um tratamento anti-inflamatório dado via injeção) (II)

- Plasma convalescente (coletado de doadores que se recuperaram de COVID-19 e contendo anticorpos contra o vírus SARS-CoV-2) (!!)

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(!) Outros estudos clínicos de grande porte já divulgados têm sugerido ineficácia dessa combinação de fármacos.

(!!) Mais evidência positiva, mas limitada, emergiu para esse medicamento: um estudo retrospectivo publicado como preprint esta semana sugeriu que pacientes recebendo tocilizumab têm chances melhores de sobrevivência sem ventilação mecânica. 

(!!!) Existem evidências limitadas de estudos de pequeno porte sugerindo benefícios dessa terapia de transfusão. Para mais informações, acesse: Plasma convalescente é eficaz e seguro para tratar a COVID-19, sugere estudo
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> Para mais informações sobre o RECOVERY, acesse: https://www.recoverytrial.net/

Dexametasona é comprovadamente eficaz no tratamento da COVID-19, aponta estudo Britânico Dexametasona é comprovadamente eficaz no tratamento da COVID-19, aponta estudo Britânico Reviewed by Saber Atualizado on junho 16, 2020 Rating: 5

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