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O consumo alcoólico em qualquer nível aumenta os riscos de derrame e de hipertensão


Um robusto estudo publicado no periódico The Lancet (1) trouxe mais uma evidência desbancando o suposto papel protetor do consumo alcoólico leve-moderado. Pelo contrário, analisando geneticamente 160 mil adultos, os pesquisadores encontraram que a pressão sanguínea e o risco de derrame aumentam de forma substancial com o aumento do consumo alcoólico.

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Todos sabem que o consumo excessivo ('pesado') de bebidas alcoólicas é bastante prejudicial à saúde. O que pouca gente sabe é que o consumo alcoólico em qualquer nível é um dos principais fatores de risco - dose dependente - para o desenvolvimento de cânceres (2). Mas o que muita gente acredita é que o consumo moderado de bebidas alcoólicas, especialmente o vinho (apesar das alegações visarem quaisquer bebidas alcoólicas), pode trazer benefícios à saúde cardíaca, incluindo fatores de prevenção a certas doenças cardiovasculares. Isso não possui comprovação científica. Essa sugestão surgiu a partir de estudos observacionais, os quais estão associados a várias incertezas e não identificam causas, apenas tendências superficiais. Além disso, grande parte dos indivíduos analisados nesses estudos possuem 50 anos ou mais, sendo incerto se outros pararam de beber mais jovens por causa de problemas gerados pelo consumo alcoólico. De qualquer forma, os resultados desses estudos, frequentemente financiados pela indústria alcoólica, foram extensivamente promovidas por essa última, estabelecendo uma incerteza como um fato científico.

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(2) Leitura recomendada: Bebidas alcoólicas e o câncer


No entanto, cada vez mais estudos começaram a mostrar que o consumo alcoólico não parece trazer benefícios ao corpo ou, se traz, é ofuscado pelos prejuízos. Meta-análises nos últimos anos reforçam esse cenário (2). Aliás, dois estudos recentes mostraram que mesmo o consumo alcoólico moderado está associado a preocupantes danos cerebrais (3) e, inclusive, com danos no sistema cardiovascular (4-5). Porém, como a indústria alcoólica quer vender, ela não ajuda a divulgar essas informações, porque quer que as pessoas bebam de moderado a pesado, já que o consumo leve não gera muito lucro. Muitos especialistas já pedem que pelo menos nas embalagens de bebidas alcoólicas sejam colocados avisos sobre a associação entre consumo alcoólico e câncer.

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(3) Para saber mais, acesse: O consumo alcoólico, mesmo moderado, está associado com graves danos no cérebro

(4) Para saber mais, acesse:

No Leste Asiático, existe variantes genéticas bem comuns que tornam as pessoas fortemente menos tolerantes ao consumo alcoólico, devido a problemas no metabolismo do etanol (6) que levam a efeitos colaterais bem desagradáveis no indivíduo. Mas apesar dessas variantes genéticas reduzirem drasticamente o consumo alcoólico, elas não estão relacionadas a outros fatores comportamentais, como o fumo. Nesse sentido, torna-se possível usar essas variantes para estudar em específico os efeitos do consumo alcoólico dentro dessas populações, especialmente porque as variantes de genes em questão estão distribuídas de forma aleatória (randomizada). Ou seja, é possível conduzir uma grande estudo randomizado de alta qualidade, determinando causa-e-efeito. Esse conceito é chamado de 'Randomização Mendeliana'.

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(6) Leitura recomendada: Por que os Japoneses ficam vermelhos após o consumo alcoólico?


Nesse sentido, pesquisadores da Universidade de Oxford, Reino Unido, em colaboração com instituições científicas Chinesas, usaram um enorme banco de dados oriundo de um estudo envolvendo mais de 500 mil homens e mulheres na China que foram entrevistados sobre o consumo alcoólico e seguidos durante 10 anos (2004-2008 até 2017), para determinarem primeiro o quão duas variantes genéticas (ALDH2-rs671 e ADH1B-rs1229984) estavam relacionadas com a diminuição no consumo alcoólico. De fato, analisando geneticamente 161498 indivíduos dessa amostra, ambas as variantes diminuíam substancialmente a ingestão de bebidas alcoólicas. Entre os homens com essas variantes, o consumo alcoólico era reduzido em até 50 vezes, de quatro drinks por dia para quase zero.

O segundo passo do estudo foi, então, analisar a relação entre a presença dessas variantes e a saúde cardiovascular. Os pesquisadores encontraram que essas variantes estavam associadas com uma robusta diminuição tanto da pressão sanguínea quanto do risco de derrame. Especificamente, o consumo de um adicional de 4 drinks por dia (280 g de etanol semanalmente) elevava o risco de um derrame em 35%, sem efeitos protetores do consumo alcoólico leve ou moderado.

Na amostra analisada, cerca de 10 mil indivíduos tiveram um derrame e cerca de 2000 tiveram um ataque cardíaco ao longo dos 10 anos. Porém, a associação entre ataques cardíacos com o consumo alcoólico foi menos clara, e mais evidências precisam ser coletadas. De qualquer forma, os pesquisadores também observaram um pequeno aumento no risco de infartos do miocárdio associado a um maior consumo alcoólico.

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Para reforçar os achados do estudo, os pesquisadores observaram que por fatores culturais, poucas mulheres na China ingerem bebidas alcoólicas (menos do que 2% das mulheres envolvidas no estudo bebiam com regularidade e, quando faziam, sempre consumiam menos do que os homens). Analisando as duas variantes genéticas nas mulheres, eles mostraram que elas tinham pouca influência na pressão sanguínea ou no risco de derrame. Em outras palavras, as mulheres serviram como um excelente grupo de controle, dando forte suporte de que o consumo alcoólico era o responsável pelos efeitos deletérios.

O estudo estima que entre os homens Chineses, as bebidas alcoólicas causam 8% de todos os derrames a partir de coágulos sanguíneos no cérebro e 16% de todos os derrames a partir de sangramentos no cérebro.

Apesar do mesmo tipo de estudo não ser possível de ser realizado nas populações Ocidentais, devido ao fato das variantes genéticas analisadas serem incomuns no Ocidente, os achados do estudo provavelmente são aplicáveis para todas as populações no mundo quando consideramos outras evidências científicas sendo obtidas nos últimos anos que apontam para o mesmo caminho (2).


(1) Publicação do estudo: The Lancet

O consumo alcoólico em qualquer nível aumenta os riscos de derrame e de hipertensão O consumo alcoólico em qualquer nível aumenta os riscos de derrame e de hipertensão Reviewed by Saber Atualizado on junho 30, 2019 Rating: 5

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