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Últimas da pandemia: Crianças são cruciais super-disseminadores do vírus, sugere estudo


 

Últimas atualizações - estudos revisados por pares mais relevantes - sobre a pandemia provocada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) e sua doença associada (COVID-19). No momento, já são mais de 1 milhão de mortes (1053919) confirmadas e mais de 36 milhões de casos registrados, números provavelmente muito subestimados (número real de mortes pode ser até 30% maior). Nas últimas semanas, recordes e mais recordes de casos diários registrados continuam sendo divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS). No Brasil, estamos próximos das 148 mil mortes confirmadas e já temos mais de 4,9 milhões de casos registrados.


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> Sofosbuvir pode ser melhor do que o Remdesivir e até otimizar dramaticamente esse fármaco no tratamento da COVID-19. O proofreader exonuclease-baseado do SARS-CoV-2 é um mecanismo molecular responsável por manter a acuracidade da replicação do genoma de RNA e manter, consequente, a virulência. Qualquer antiviral efetivo visando a polimerase do SARS-CoV-2 precisa, portanto, mostrar um certo nível de resistência à atividade desse profreading. Agora, em um estudo publicado no periódico Scientific Reports (Ref.1), pesquisadores reportaram que o RNA Sofosbuvir-terminado é mais resistente ao proofreader do SARS-CoV-2 do que o RNA Remdesivir-terminado. Os resultados do estudo suportam o uso do medicamento EPCLUSA - combinação sofosbuvir/velpatasvir, usada para tratar a hepatite C - aprovado pela Agência de Drogas e Alimentos dos EUA (FDA) em combinação com outros fármacos para testes clínicos investigando tratamentos para a COVID-19. Como exemplo, os pesquisadores mostraram que o EPCLUSA pode aumentar a eficácia do remdesivir em até 25 vezes em termos de inibição viral.


> Mais evidência de que infecção por outros coronavírus diminui o risco de COVID-19 mais severa. Em um estudo publicado no periódico Journal of Clinical Investigation (Ref.2), pesquisadores analisaram o registro médico eletrônico de dados clínicos relativos a indivíduos que passaram por um painel de teste respiratório (CRP-PCR) - capaz de detectar diversos patógenos respiratórios, incluindo os coronavírus endêmicos responsáveis pelos resfriados comuns - entre 18 de maio de 2015 e 11 de março de 2020. Eles também examinaram os dados clínicos de indivíduos que foram testados para o SARS-CoV-2 entre 12 de março de 2020 e 12 de junho de 2020. Após ajuste para idade, sexo, índice de massa corporal, e diagnóstico de diabetes, os pesquisadores encontraram que os pacientes hospitalizados com COVID-19 que tinham previamente testado positivo para coronavírus do resfriado comum tinham significativamente menor risco de serem admitidos na unidade de tratamento intensivo (UTI), menores chances de requererem ventilação mecânica e menores taxas de mortalidade. No entanto, o risco de infecção não mudou.


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> Relaxamento do distanciamento social associado a um rápido rebote do aumento na taxa de transmissão do SARS-CoV-2. Em um estudo publicado no periódico Clinical Infectious Diseases (Ref.3), pesquisadores reportaram que o relaxamento ou suspensão das medidas de distanciamento social rapidamente reverteram a tendência de queda nas taxas de transmissão (Rt) do vírus nos EUA - com exceção de apenas 9 dos 50 estados e Distrito de Columbia. O Rt é o número médio de pessoas que cada indivíduo infectado irá infectar. Os dados do estudo mostraram que, na média, o Rt diminuiu por 0,012 unidades por dia nas oito semanas levando até o relaxamento das restrições visando aumentar o distanciamento social, e com 46 das 51 jurisdições analisadas alcançando um Rt abaixo de 1 (controle epidêmico). Após as regulações de distanciamento social foram relaxadas, a taxa de transmissão aumentou por uma média de 0,007 unidades por dia, e, após oito semanas de relaxamento, o Rt médio passou para 1,16, e apenas 9 das 51 jurisdições mantiveram o Rt abaixo de 1. O estudo reforça a importância do uso de máscaras e do distanciamento físico (2 metros) entre as pessoas após o relaxamento das medidas de distanciamento social, e a importância das medidas de distanciamento social (fechamento de serviços não essenciais, proibição de aglomerações públicas, fechamento das escolas) para o efetivo controle epidêmico durante altas taxas de transmissão.


> Lopinavir-ritonavir é mais uma aposta terapêutica contra a COVID-19 que falha nos testes clínicos. O teste clínico Britânico randomizado RECOVERY, analisando 1616 pacientes recebendo a combinação farmacológica lopinavir-ritonavir (400 mg e 100 mg a cada 12 horas por 10 dias, respectivamente) e comparando esses pacientes com um grupo de controle recebendo apenas o tratamento hospitalar básico (3424 pacientes) não encontrou benefício clínico desses fármacos no tratamento da COVID-19. Os resultados foram publicados no The Lancet (Ref.4). A taxa de mortalidade ao final de 28 dias de hospitalização foi praticamente a mesma em ambos os grupos: 22% no grupo lopinavir-ritonavir, e 23% no grupo de controle. O tempo de hospitalização e a necessidade de ventilação mecânica também não mostraram significativa diferença entre os grupos. Os resultados também se alinham com o estudo SOLIDARIETY conduzido pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Para mais informações sobre o RECOVERY, acesse: Hidroxicloroquina é comprovadamente ineficaz para tratar a COVID-19, aponta estudo Britânico


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> Vários mamíferos são suscetíveis ao novo coronavírus. Um estudo publicado na Scientific Reports (Ref.5) trouxe mais uma forte evidência teórica mostrando que um amplo número de mamíferos estão suscetíveis ao SARS-CoV-2, entre os quais 26 em próximo contato com humanos. De fato, infecções em primatas, felinos, canídeos e martas já foram comprovadas dentro e fora do laboratório (Gatos e outros animais não-humanos podem ser infectados pelo novo coronavírus?), e altas taxas de infecções em cães e gatos têm sido reportadas. Também corrobora um estudo prévio similar publicado no periódico PNAS (O novo coronavírus foi criado em laboratório?).


> Crianças são cruciais na disseminação do novo coronavírus e as transmissões estão sendo sustentadas por super-disseminadores. Um robusto estudo publicado na Science (Ref.6), analisando mais de meio milhão de pessoas na Índia (dois estados: Tamil Nadu e Andhra Pradesh) que foram expostas ao SARS-CoV-2, sugere que o vírus continua se espalhando a partir principalmente de uma pequena porcentagem daqueles que se tornam infectados, e que o potencial de transmissão das crianças e jovens adultos está sendo muito subestimado. O estudo é o maior sobre rastreamento de contatos, e examinou a taxa de mortalidade e o caminho de infecção de 575071 indivíduos que foram expostos a 84965 casos confirmados (positivos para o SARS-CoV-2). Os pesquisadores encontraram que 71% dos indivíduos infectados não infectaram nenhum dos seus contatos, enquanto apenas 8% foram responsáveis por 60% das novas infecções. A média encontrada de dias para o óbito após hospitalização foi de 6 dias (comparado com 13 dias nos EUA), e essas mortes se concentraram entre pessoas com idades de 50-64 anos (>60 anos nos EUA). Dentro das moradias, a chance de um infectado passar o vírus independentemente da idade foi de 9%, enquanto na comunidade a chance foi de 2,6%. As probabilidades de infecção variaram de 4,7 até 10,7% para tipos de contato de baixo risco e de alto alto risco, respectivamente. Contatos de mesma idade - principalmente mais jovens - estavam associados com o maior risco de infecção. Os pesquisadores encontraram, nesse sentido, que as crianças e os jovens adultos - cerca de 1/3 dos casos - eram especialmente importantes na transmissão do vírus em populações com recursos limitados. Crianças, em especial, mostraram-se transmissores eficientes. 


> Hidroxicloroquina é ineficaz como profilaxia pré-exposição. Em um estudo publicado no periódico JAMA Internal Medicine (Ref.7), pesquisadores conduziram um estudo clínico randomizado duplo-cego placebo-controlado (padrão ouro) envolvendo 132 participantes não-infectados pelo SARS-CoV-2 (todos profissionais de saúde expostos a pacientes com COVID-19, 69% mulheres e média de idade de 33 anos). Os participantes foram separados em dois grupos: um recebendo diariamente 600 mg de hidroxicloroquina durante 8 semanas e outro recebendo placebo (controle). Entre os 125 avaliados para resultados primários, não houve diferença estatisticamente significativa nas taxas de infecção entre os dois grupos: 6,3% (4 de 64) no grupo da hidroxicloroquina e 6,6% (4 de 61) no grupo de controle. Nenhum dos 8 infectados requereram hospitalização e todos se recuperaram clinicamente. 


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> Anticorpos contra a COVID-19 declinam acentuadamente dentro dos primeiros meses após a emergência dos sintomas. Quando alguém é infectado com um vírus, o corpo produz anticorpos para lutar contra a infecção. Após a recuperação, esses anticorpos específicos podem permanecer no plasma sanguíneo do indivíduo por meses ou mesmo anos. Um pequeno estudo longitudinal publicado no periódico Blood (Ref.8), acompanhando 15 adultos (11 homens e 4 mulheres) diagnosticados com COVID-19 e depois recuperados, mostrou que pessoas soropositivas podem se tornar soronegativas, ou seja, anticorpos passam a não ser mais detectados após certo ponto. Os indivíduos analisados doaram plasma convalescente entre 4 e 9 vezes, com a primeira doação ocorrendo entre 33 e 77 dias após a emergência dos sintomas e a última doação entre 66 e 114 dias. Analisando o plasma doado, os pesquisadores encontraram que todos os doadores mostraram declínios nos anticorpos ao redor de 88 dias, e que metade dos anticorpos detectáveis diminuíram dentro de 21 dias. Declínios de 70% foram observados. O foco do estudo foram anticorpos que visavam o domínio de ligação do receptor (RBD), uma proteína associada à proteína Spike e importante para a entrada do vírus na célula hospedeira. Os resultados alertam que indivíduos recuperados interessados em doar plasma convalescente devem fazê-lo o mais rápido possível. É incerto também se a resposta imune celular pode compensar essas perdas de imunidade sorológica em um cenário de reexposição. Isso possui implicações para as vacinas.


> Perda de olfato/paladar é um sintoma da COVID-19 sendo muito subestimado. Segundo um estudo publicado no periódico PLOS Medicine (Ref.9), cerca de 4 a cada 5 pessoas experienciando perda recente de paladar e/ou de paladar testam positivo para anticorpos SARS-CoV-2-específicos, e cerca de 40% dos testados positivos não reportam febre ou tosse. A conclusão veio após a análise de 567 participantes em Londres, Reino Unido, que realizaram teste sorológicos e que manifestaram de forma recente o sintoma de perda de paladar/olfato. Aqueles com teste positivo para o novo coronavírus representaram 78% do total, mesmo boa parte não apresentado os outros sintomas mais comuns da doença. Portanto, perda de paladar e/ou de olfato já é um alerta independente para as pessoas desconfiarem estar com COVID-19, mesmo na ausência de febre e de tosse.


> Alta prevalência de trombose venosa profunda e de embolismo pulmonar em pacientes com COVID-19. Uma revisão sistemática e meta-análise de escala global publicada no periódico Research and Practice in Thrombosis and Haemostasis (Ref.10), englobando no final 86 estudos e dados clínicos de 33970 pacientes, encontrou que o risco geral de tromboembolismo venoso (VTE) em pacientes com COVID-19 é de 14%. Entre os paciente fora da UTI, a prevalência de VTE foi de 7,9% e de 22,7% nos pacientes na UTI. A prevalência de embolismo pulmonar nos pacientes dentro e fora da UTI foi de 3,5% e de 13,7% respectivamente. O risco de desenvolvimento de trombose venosa profunda ou embolismo pulmonar em pacientes criticamente doentes variou de 18% a 28%. O achado reforça o alerta de que melhores estratégias tromboprofiláticas são necessárias para aumentar as chances de recuperação dos pacientes.


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> Óxido nítrico como possível tratamento para a COVID-19. Um estudo publicado no periódico Redox Biology (Ref.11) trouxe mais evidência de suporte para o uso efetivo do óxido nítrico (NO) para auxiliar o tratamento da COVID-19. A inalação do óxido nítrico já foi usada com sucesso para o tratamento de pacientes com SARS em 2003, e evidências recentes sugerem o mesmo potencial terapêutico desse gás contra o novo coronavírus. No novo estudo, os pesquisadores mostraram, in vitro, danos diretos do NO em partículas virais do SARS-CoV-2, e mitigação da replicação viral associada. O NO é uma conhecida molécula antimicrobiana e anti-inflamatória e com substancial efeito nas funções vasculares (potente vasodilatador) do pulmão no contexto de infecções virais e outras doenças pulmonares. O NO mostra inibir a replicação viral do SARS-CoV (responsável pela SARS) através de reações citotóxicas mediadas por moléculas como o peróxinitrito, e também pode amenizar a hipoxia (baixos níveis de oxigênio no corpo) nos pacientes com síndrome respiratória aguda severa.


Leituras complementares:


REFERÊNCIAS (links para os estudos reportados)
Últimas da pandemia: Crianças são cruciais super-disseminadores do vírus, sugere estudo Últimas da pandemia: Crianças são cruciais super-disseminadores do vírus, sugere estudo Reviewed by Saber Atualizado on outubro 06, 2020 Rating: 5

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