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Impactante estudo genômico revela que os Vikings não eram apenas Escandinavos


Um robusto estudo genômico publicado hoje na Nature (1) e parte de um projeto de 6 anos revelou uma história sobre os Vikings bem distinta daquela encontrada nos livros acadêmicos ou transmitida pela cultura popular. Ao analisar o genoma de mais de 400 esqueletos Vikings compreendidos entre os séculos VIII e XI e recuperados de várias localidades da Europa, Escandinávia, Ásia e da Groenlândia, um time internacional de pesquisadores - incluindo cientistas da Universidade de Cambridge e da Universidade de Copenhagen - encontrou que nem todos os Vikings eram Nórdicos e que massivos fluxos genéticos ocorreram entre os Escandinavos e os Europeus e até mesmo com os Asiáticos. Aliás, boa parte dos Vikings não tinha cabelos loiros, e, sim, castanhos/escuros. 


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A Era Viking (780-1050 d.C.) foi marcada pela súbita entrada dos Escandinavos no cenário mundial. Deixando suas marcas por toda a Europa e além, os Vikings contribuíram na modelagem do mundo em que hoje vivemos através das suas conquistas e exploração de várias regiões antes descolonizadas, como a Islândia, Groenlândia e até partes da América do Norte, onde evidências arquelógicas recentes sugerem que esses povos parecem ter explorado o continente Norte-Americano muito além dos assentamentos em regiões costeiras. 


> Para mais informações sobre a Era Viking, em um dos mais completos e atualizados artigos sobre o tema, acesse: Vikings: A Era Subestimada da Sociedade Nórdica


A palavra 'Viking', possui origem do termo Escandinavo 'Vikingr' (traduzido como 'pirata') o qual, por sua vez, deriva do termo  'Vik' ('parte do mar', em uma tradução do antigo Norueguês). Geralmente, a Era Viking se refere especificamente ao período que vai do ano 800 d.C. - poucos anos depois do mais antigo registro de invasão Nórdica - até a década de 1050, poucos anos antes da Conquista da Inglaterra pelos Normandos em 1066. A Era Viking alterou o mapa político, cultural e demográfico, e mesmo o curso genético, da Europa: Cnut o Grande se tornou o Rei da Inglaterra, Leif Eriksson é creditado como o primeiro Europeu a alcançar a América do Norte - 500 anos antes de Cristóvão Colombo - e Olaf Tryggvason é creditado como o impiedoso rei que impôs uma violenta e sistemática campanha de cristianização da Noruega. Várias expedições Vikings envolveram ataques a monastérios e cidades ao longo da Costa Europeia e na ilha Britânica, mas o maior foco exploratório recaia no comércio de mercadorias como pele, presas de morsas, gordura de foca, entre outros, o qual interligava várias regiões que iam desde a Groenlândia até o continente Asiático.


No entanto, até o momento era pintado um quadro onde os Vikings eram obrigatoriamente Nórdicos e inseridos em uma sociedade bem interconectada entre os reinos da Noruega, Suécia, Dinamarca e Finlândia, os quais se mobilizavam para lutar contra ou comercializar com outros grupos não-Escandinavos. Porém, essa imagem é aquela transmitida via registros e análises históricas e arqueológicas, muitas vezes associados a limitadas evidências. Não existia ainda uma imagem genética de quem eram realmente os Vikings.


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No novo estudo, os pesquisadores sequenciaram os genomas inteiros extraídos de dentes e de ossos pertencentes a 442 homens, mulheres, crianças e bebês - a maioria da Era Viking - enterrados em cemitérios associados aos Vikings. As amostras de DNA foram coletadas ao longo de 10 anos. Os resultados revelaram um grande influxo de ancestralidade Dinamarquesa para a Inglaterra; um influxo Sueco para o Báltico; e um influxo Norueguês para a Irlanda, Islândia e Groenlândia. A análise também revelou que uma expedição Viking frequentemente incluía membros familiares próximo-relacionados. Por fim e mais notável, os pesquisadores encontraram substancial ancestralidade de outras regiões da Europa e da Ásia entrando na Escandinávia e incorporando a cultura Nórdica e/ou Viking durante e antes da Era Viking. 



Nesse sentido, o estudo primeiro mostrou que Vikings vindo do que é agora a Noruega viajaram para a Irlanda, Escócia, Islândia e Groenlândia. Os Vikings vindo do que é agora a Dinamarca viajaram para a Inglaterra. E Vikings do que é agora a Suécia foram para os países Bálticos em grupos de ataques essencialmente compostos por homens. Isso corrobora a narrativa de sagas escritas séculos depois das primeiras expedições sugerindo que Vikings de certas regiões preferiram destinos geográficos específicos, e derruba a ideia de que os Vikings de qualquer localidade agiam apenas de forma oportunística nas invasões e no comércio. 



Em relação aos grupos de invasão, estes mostraram incluir familiares próximo-relacionados: em um barco Viking enterrado na Estônia os pesquisadores descobriram quatro irmãos que morreram no mesmo dia; o resto dos ocupantes eram geneticamente similares, sugerindo que provavelmente todos vieram de uma pequena cidade ou vila em algum lugar da Suécia. Isso entra em contraste com a visão de que um Chefe/Líder Viking recrutaria os mais fortes guerreiros de tribos ou comunidades vizinhas para se juntar às incursões de ataque. Talvez esses grupos eram formados mais por voluntários locais querendo saquear e guerrear do que realmente selecionados e organizados para uma batalha.


Seguindo os dados genômicos, dentro da Escandinávia os Vikings viviam nas áreas costeiras e, em termos genéticos, eram bem distintos dos Nórdicos vivendo nas regiões Escandinavas mais internas. Populações Escandinavas em regiões distantes das faixas costeiras se mantiveram geneticamente estáveis - e separados - por séculos, e eram menos similares aos Vikings em termos genéticos do que esses últimos dos Europeus no continente. Isso sugere que Além disso, o estudo mostrou que os Vikings da Noruega, Suécia e Dinamarca raramente se misturavam geneticamente (fluxo genético muito baixo), sugerindo que os habitantes das três regiões eram inimigos entre si ou que existe outra explicação ainda não esclarecida em termos históricos.  


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Nesse último ponto, o mais interessante é o fato dos pesquisadores terem mostrado que os Vikings não eram compostos apenas por Escandinavos, e mesmo os Escandinavos Vikings possuíam substancial influxo genético de indivíduos do Sul Europeu e da Ásia. Aliás, muitos Vikings analisados tinham altos níveis de ancestralidade não-Escandinava, tanto dentro quanto fora da Escandinávia. Túmulos Vikings escavados na região de Orkney, Reino Unido, continham indivíduos sem nenhuma assinatura de DNA Nórdico, enquanto outros Vikings enterrados na Escandinávia tinham pais Irlandeses e Escoceses. No caso de Orkney, mesmo sem identidade genética Viking ou Nórdica - na verdade eram habitantes locais Escoceses -, dois guerreiros traziam espadas e outros artefatos pertencentes à cultura Viking em seus túmulos.


Vários indivíduos enterrados na Noruega como Vikings tinham um DNA que os identificavam como Saami, um grupo Indígena geneticamente mais próximos de povos do Leste Asiático e Siberianos do que Europeus. Os pesquisadores também revelaram que indivíduos associados ao povo Pict - falantes da língua Céltica que viveram no que é hoje o leste e o norte da Escócia durante a Idade do Ferro Tardia e Início Medieval Britânicos - também "tornaram-se" Vikings sem geneticamente se misturarem com os Escandinavos. Túmulos na Groenlândia - durante a colonização Viking - mostram uma mistura de homens Escandinavos de onde é agora a Noruega e mulheres de Ilhas Britânicas, mas todos associados exclusivamente à cultura Escandinava. No geral, as análises genômicas mostraram que as populações Nórdicas na Groenlândia representavam uma mistura entre Escandinavos (a maioria da Noruega) e indivíduos das Ilhas Britânicas, similar aos primeiros colonizadores da Islândia. 



Os Vikings mostraram ter muito mais genes do Sul e Leste Europeus do que antes antecipado, e frequentemente tinham filhos com pessoas de outras partes do mundo. De fato, as análises genéticas também mostraram que os Vikings tendiam a ter mais o cabelo escuro do que loiro - ou seja, contrário à ideia popular, ser loiro não era uma característica amplamente comum entre os Vikings. Hoje, não mais do que 6% da população da Inglaterra e até um máximo de 5% da população na Polônia possuem DNA Viking. Na Escandinávia como um todo, a atual população possui um DNA bem semelhante àquele dos indivíduos da Era Viking, com exceção da população Sueca, onde esse compartilhamento genômico é de 15-30% .


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Somados, os achados mudam radicalmente parte importante da visão histórica tradicional dos Vikings e a relação destes com outros povos fora da Escandinávia. As diásporas Escandinavas estabeleceram comércio e assentamentos do continente Americano até às estepes Asiáticas. Os Vikings exportaram ideias, tecnologias, linguagem, crenças e práticas e desenvolveram novas estruturas políticas. Porém, o novo estudo mostra que a identidade 'Viking' não era limitada às pessoas de ancestralidade genética Escandinava, e que o território Nórdico não era socialmente interconectado. Ser Nórdico não significava, nem de longe, ser Viking, e ser Viking não significava necessariamente interagir com ou aceitar outros Vikings. A cultura Viking se integrou muito mais fortemente a outras regiões do mundo do que antes assumido, com substancial engajamento genômico transregional. 



Além desses achados, os pesquisadores também identificaram importantes processos evolutivos de seleção natural associados às expansões Vikings pela Europa, Ártico e Ásia, e envolvendo genes associados com importantes traços como imunidade, pigmentação e metabolismo, incluindo o alelo de persistência de lactose (gene LCT) e os alelos do gene ANKA associado à resposta imune. 



(2) Publicação do estudo: Nature

Impactante estudo genômico revela que os Vikings não eram apenas Escandinavos Impactante estudo genômico revela que os Vikings não eram apenas Escandinavos Reviewed by Saber Atualizado on setembro 16, 2020 Rating: 5

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