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Espécie de peixe consegue reconhecer a si mesma no espelho


Até o momento, acreditava-se que apenas os primatas - incluindo os humanos - e algumas outras espécies de mamíferos e aves (1) eram capazes de reconhecerem suas próprias imagens em alguma forma de reflexo (espelhos, água, etc.). Geralmente, quando um animal vê a si mesmo em um espelho, ele automaticamente e persistentemente acredita ser outro indivíduo da sua espécie, não a si mesmo. Agora, em um estudo publicado esta semana na PLOS Biology, pesquisadores mostraram que o peixe bodião-limpador (Labroides dimidiatus) responde ao seu reflexo e tenta remover marcas em seu corpo durante um teste de espelho padrão para se determinar se um animal possui auto-consciência (algo tradicionalmente ligado a cérebros muito complexos e avançados). O achado sugere que os peixes podem ter um poder cognitivo muito maior do que antes considerado, e reforça o debate sobre como acessar a inteligência de animais muito diferentes de nós.

"Se um peixe é julgado pela sua habilidade de subir em uma árvore, ele viverá sua vida inteira acreditando que é um estúpido." - parafraseado de um autor desconhecido.

(1) Leitura recomendada: Alta inteligência parece ter evoluído de forma convergente entre humanos e papagaios

A habilidade de perceber e reconhecer um imagem no reflexo do espelho como a si mesmo (auto-reconhecimento de espelho) é considerado um importante traço de avançada cognição entre as espécies, e tradicionalmente a assinatura da existência de uma auto-consciência. Em bebês humanos, aproximadamente 65% dos indivíduos passam no teste do espelho já aos 18 meses de idade, demonstrando saber desde muito cedo que aquela imagem no reflexo representa a si mesmos. Outras espécies de animais bem inteligentes, como chimpanzés, elefantes, golfinhos, papagaios e corvos também conseguem passar no teste. Porém, fora aves e mamíferos, não existiam evidências de auto-reconhecimento em outros táxons.




Para testar esse fenômeno cognitivo nos peixes, pesquisadores do Max Planck Institute for Ornithology (MPIO) e da Osaka City University (OCU) aplicaram o clássico teste da 'marca' a espécimes fêmeas do L. dimidiatus - uma espécie marinha bastante conhecida pelo seu comportamento de "limpar" parasitas externos de outros peixes -, aplicando uma marca colorida nos peixes em uma localização que o peixe só poderia ver através de um reflexo. Para passarem no teste, os peixes precisavam tocar ou investigar a marca, demonstrando que eles percebem seus reflexos no espelho como pertencente aos seus corpos. E, no caso de animais como peixes, o desafio é ainda maior devido à falta de membros e mãos.

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Os pesquisadores observaram que os peixes tentaram de fato remover as marcas coloridas coçando seus corpos em superfícies duras após verem a si mesmos no espelho. Já peixes que receberam marcas transparentes na pele (grupo de controle) não tentaram tirá-las de nenhuma forma após ver a si mesmos no espelho. Em outro grupo de controle, contendo peixes com marcas coloridas mas sem exposição ao espelho, também não foi observado tentativas de retirada das marcas. Isso deixou o resultado praticamente claro: os peixes estavam se auto-reconhecendo no espelho. Além disso, peixes sem marcas coloridas colocados observando peixes na sua frente com marcas coloridas, mas separados por uma barreira transparente - imitando um 'espelho' sem reflexo - não tentavam tirar supostas marcas no corpo por reconhecerem que aqueles peixes no outro lado da barreira não eram reflexos deles mesmos.

Ao serem expostos inicialmente aos espelhos, 7 dos 10 peixes usados para os experimentos tentaram atacar as imagens refletidas, pensando serem rivais, com a agressividade atingindo seu pico no primeiro dia e diminuindo para quase zero já pelo dia 7. Pelos dias 3 e 5, comportamentos anômalos foram noticiados entre os peixes, atingindo um pico máximo médio nos dias 3 e 4 (36 vezes por hora), os quais não correspondiam a quaisquer comunicações sociais já registradas para essa espécie. Essas duas fases comportamentais iniciais são similares às vistas entre chimpanzés - diferindo apenas na duração das fases -, reforçando que em um curto período os peixes eram capazes de se auto-reconhecerem no espelho.

Além de alertarem sobre a subestimação de inteligência em animais evolutivamente muito divergentes de nós, os pesquisadores também levantaram três importantes e controversas questões com os resultados do novo estudo: será que o auto-reconhecimento no espelho demonstra que esses peixes são auto-conscientes - ou seja, sabem que existem no mundo como indivíduos e estão cientes de outros objetos externos ou de algo dentro de si mesmos -, como os primatas superiores? Ou pode ser que o teste do espelho pode ser resolvido via um diferente processo cognitivo que não envolve auto-consciência? E, seguindo essa última possibilidade, será que outros animais podem apresentar auto-consciência mesmo falhando no teste do espelho, já que este pode não ser o mais adequado para essa avaliação? Por exemplo, macacos Rhesus, mesmo sendo muito inteligentes, não conseguem passar no teste do espelho clássico, apenas via modificações. .

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Se o intrigante achado do novo estudo não significar que esses peixes possuem auto-consciência ou consciência, isso significa que a Teoria da Mente precisa ser enriquecida ainda mais. Talvez o auto-reconhecimento no espelho seja apenas um importante degrau para se chegar à auto-consciência, mas não o único. Seja qual for o cenário, fica demonstrado com o novo estudo que o poderoso cérebro de humanos e de outros primatas superiores não é assim tão distinto dos nossos ancestrais vertebrados mais antigos, provavelmente tendo evoluído de forma bem gradual, não do dia para noite (processo pontuado).

Aliás, vários outros estudos prévios já tinham demonstrado sofisticadas capacidades cognitivas entre os peixes similares ou mesmo superiores a outros vertebrados mais complexos - répteis, aves e mamíferos -, incluindo inferência transitiva, memória do tipo episódica, uso de ferramentas, predição de comportamentos de outros indivíduos ao usar suas próprias experiências durante caças coordenadas, busca cooperativa de alimentos, cooperação para avisos de alerta contra predadores, e capacidade para brincar. Existem evidências também de que as raias-mantas (Chondrichthyes), um tipo de peixe, também reconhecem a si mesmas no espelho.

De qualquer forma, o estudo já está levantando bastante polêmica e discussão no meio acadêmico.


Publicação do estudo: PLOS Biology

Espécie de peixe consegue reconhecer a si mesma no espelho Espécie de peixe consegue reconhecer a si mesma no espelho Reviewed by Saber Atualizado on fevereiro 14, 2019 Rating: 5

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