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Uma criança com uma rara doença ganha uma nova pele, graças ao uso de células-tronco transgênicas


A epidermólise bolhosa juncional (EBJ) é uma severa e frequentemente letal doença genética causada por mutações nos genes responsáveis pela produção do componente da membrana basal laminina-332. Pacientes que sobrevivem da doença desenvolvem feridas crônicas na pele e na mucosa, as quais prejudicam profundamente a qualidade de vida e levam a cânceres de pele.

Agora, um novo estudo publicado na Nature desta semana mostrou que a aplicação de culturas de queratinócitos autólogos transgênicos regeneraram uma epiderme inteira e funcional em uma criança de 7 anos de idade sofrendo de uma devastadora e gravíssima forma de EBJ.

O garoto em questão tinha perdido grande parte da sua pele para a doença - a qual faz a epiderme ficar cheia de bolhas, ficar suscetível a infecções e ser destruída com o mais simples toque sobre ela -, e seus pais resolveram colocá-lo em um teste clínico experimental o qual apostava grande em uma inovadora técnica de terapia genética.

Antes, o único tratamento para essa terrível doença - englobando todo o espectro da epidermólise bolhosa (EB), onde genes faltantes ou não funcionais deixam de produzir diferentes proteínas essenciais para a estrutura da epiderme - envolvia uma dolorosa cobertura das feridas com esparadrapos, a qual tinha que ser tirada e recolocada diariamente. E os custos dessas coberturas podem chegar a $100 mil todos os anos.

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O novo tratamento revolucionário é semelhante ao já estabelecido tratamento para queimaduras severas, no qual camadas de pele saudável são criadas a partir de células do próprio paciente e enxertadas sobre as feridas. Para tratar uma EB, os pesquisadores resolveram inserir um novo gene dentro das células usadas para o enxerto que combate uma mutação causadora da doença. Essa estratégia já havia dado bons resultados em 2006, onde pequenos pedaços de pele geneticamente corrigidas foram inseridas na perna de um paciente.

A criança que seria tratada estava em uma situação de vida ou morte, onde ele tinha perdido quase toda a sua pele, tinha contraídos múltiplas infecções e estava em um estado séptico gravíssimo. Não havia tempo a perder. Os pesquisadores retiraram células de parte da pele da criança que ainda não havia sido afetada - incluindo células-tronco que periodicamente regeneram a pele  - e as infectaram com um retrovírus (1) carregando cópias saudáveis do gene em necessidade, LAMB3, e as multiplicaram em camadas variando de 50 a 150 centímetros quadrados.


Em duas cirurgias, um time na Universidade de Ruhr, em Bochum, Alemanha, cobriram os braços, pernas, costas e algumas partes do peito do jovem paciente com a nova pele.

Depois de um mês, a maior parte da nova pele enxertada começou a crescer e a regenerar, cobrindo em torno de 80% do corpo da criança com uma forte e elástica epiderme. E o mais importante: ela não desenvolveu uma bolha sequer nas áreas com a nova pele em 2 anos desde a cirurgia! O jovem paciente já voltou para a escola e até mesmo está jogando bola com os seus amigos.


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O fantástico novo tratamento pode ajudar vários milhares de pacientes com EB ao redor do mundo, apesar de nem todos com a condição poderem usufruir dessa estratégia. Mais da metade deles possuem uma forma da doença chamada EB simplex, a qual é causada não por uma proteína perdida, mas por mutações que produzem uma ativa mas desfuncional proteína. Para esses erros, correções com uma técnica de edição genética como o CRISPR (2) seria a melhor opção. Em alguns casos também, quando a doença atinge órgãos internos, o novo tratamento também não é compatível.

No final, temos mais uma gigantesca vitória da terapia genética, a qual veio para fincar de vez seu lugar na medicina. Os pesquisadores responsáveis pela cura da criança agora querem trabalhar o novo método em outra forma da doença, chamada EB distrófica, causada por um erro genético diferente afetando uma proteína maior. Companhias de biotecnologia, depois do sucesso, estão oferecendo grande apoio para os grupos de pesquisa envolvidos. Além disso, outras doenças genéticas que afetam a pele podem ganhar uma promissora carona nesse tipo de via terapêutica.

(1) Terapia genética supera todas as expectativas e cura doença letais em bebês

(2)  CRISPR-Cas9: O poder da Edição Genética!

Publicação do estudo: Nature

Referência adicional: Science

Uma criança com uma rara doença ganha uma nova pele, graças ao uso de células-tronco transgênicas Uma criança com uma rara doença ganha uma nova pele, graças ao uso de células-tronco transgênicas Reviewed by Saber Atualizado on novembro 09, 2017 Rating: 5

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