Área global de floresta per capita diminuiu em mais de 60% nos últimos 60 anos, conclui estudo
[21 de setembro/2022] - Hoje, no Dia da Árvore, não temos muito para comemorar. Em um recente estudo publicado no periódico Environmental Research Letters (1), pesquisadores encontraram que a área florestal global declinou em 81,7 milhões de hectares de 1960 a 2019, uma perda que contribuiu com >60% de declínio na área de floresta per capita (por habitante humano), ameaçando o futuro da biodiversidade e impactando negativamente a vida de 1,6 bilhão de pessoas ao redor do mundo que dependem diretamente dos serviços ecológicos que as florestas proporcionam (2).
A área estimada de perda bruta foi de 437,3 milhões de hectares nesse período, enquanto os ganhos foram de 355,6 milhões de hectares. O significativo declínio na área florestal combinado com o aumento da população global ao longo do período dos últimos >60 anos (+4,68 bilhões de humanos) resultou em uma queda na área global de floresta de 1,4 hectares em 1960 para 0,5 hectares em 2019.
As maiores perdas foram observadas nos países menos desenvolvidos nos trópicos (ex.: Brasil, Indonésia, Congo, Colômbia, Myanmar), enquanto os maiores ganhos foram observados nos países desenvolvidos e alguns em desenvolvimento (ex.: Austrália, EUA, Rússia, Índia, Vietnã). Porém, isso não significa que os países mais ricos estão isentos de culpa: parte significativa dessa devastação nos países tropicais está sendo fomentada pelas nações desenvolvidas e algumas em desenvolvimento (ex.: China e Índia), muitas vezes terceirizando a devastação ambiental via comércio internacional enquanto fortalecem leis internas de preservação ambiental e programas de reflorestamento (3).
Para mais informações:
- (2) Rios Aéreos: Ignorar a Amazônia é ignorar a importância das chuvas no Brasil
- (3) O acordo "verde" da Europa é uma perigosa retórica para os biomas terrestres
REFERÊNCIA
- (1) Estoque et al. (2022). Spatiotemporal pattern of global forest change over the past 60 years and the forest transition theory. Environmental Research Letters, 17 084022. https://doi.org/10.1088/1748-9326/ac7df5