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Cientistas revelam o maior réptil marinho até o momento conhecido


Quando fazemos referência a grandes animais marinhos, lembramos imediatamente dos cetáceos, mais especificamente das baleias-verdadeiras (mamíferos da subordem Mysticeti) e das baleias-dentadas (mamíferos da subordem Odontoceti). No caso de peixes, lembramos também dos tubarões (superordem Selachimorpha), particularmente o extinto Megalodon. Porém, em um longínquo passado do planeta, grandes répteis marinhos também dominaram os oceanos. Nesse sentido, um estudo publicado recentemente na Science (Ref.1) descreveu os fósseis do mais antigo gigante dos mares conhecido, um enorme ictiossauro do Triássico Médio com um crânio fossilizado de 2 metros de comprimento e uma extensão corporal estimada de >17 metros. Isso suporta notável evolução convergente dos ictiossauros em relação aos cetáceos, em um contexto de pelo menos 4 importantes aspectos de similaridade: plano corporal, evolução a partir de tetrápodes terrestres, emergência após um evento em extinção em massa e gigantismo.


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Ictiossauros são membros de um clado de répteis marinhos - distinto do clado dos dinossauros (Dinosauria) - que persistiu desde o Triássico Inferior até o início do Cretáceo Superior (~248-94 milhões de anos atrás). Existem atualmente 114 espécies válidas distribuídas em 70 gêneros, e com alguns táxons representados por várias centenas ou milhares de espécimes descritos. Além da importância no campo da paleontologia, os ictiossauros são também historicamente importantes para a ciência em geral como um dos mais antigos grupos de vertebrados reconhecidos como extintos. Os primeiros fósseis foram descobertos no sul da Inglaterra e na Alemanha, há mais de 250 anos.


Ao longo dos ~150 milhões de anos de existência, os ictiossauros sofreram uma rápida e profunda adaptação ao ambiente marinho, com notável diversificação no Jurássico levando-os a ocupar vários nichos e assumir um amplo espectro de formas corporais. No início, os ictiossauros eram caracterizados por corpos similares a lagartos, flexíveis e com caudas alongadas, sem aparente nadadeira caudal. No Jurássico, esses animais evoluíram morfologias similares a peixes, com crescente diferenciação das vértebras caudais e grande lobo caudal na forma de meia-lua, adaptações sugestivas de seleção para um corpo mais ágil e energeticamente otimizado durante o nado, e concordante com evolução convergente em relação aos atuais golfinhos (!) e tubarões. 


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(!) De fato, ictiossauros se tornaram muito similares a golfinhos ao longo do percurso evolutivo desses répteis, mesmo estando separados por uma divergência evolutiva de quase 200 milhões de anos. Para mais informações, acesse: Quais as evidências da evolução biológica?

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Os ictiossauros evoluíram inicialmente de um grupo de répteis terrestres ainda desconhecido, e, assim como os cetáceos (golfinhos e baleias), respiravam ar atmosférico (tinham que emergir para capturar oxigênio molecular) e não possuíam estruturas de respiração subaquática (ex.: brânquias).


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No novo estudo, pesquisadores descreveram fósseis de uma nova espécie de ictiossauro - nomeada Cymbospondylus youngorum - descobertos nas Montanhas de Augusta, em Nevada, EUA. Os fósseis consistiam de um crânio bem preservado junto com partes da coluna vertebral, ombro e nadadeira frontal, sendo datados do Triássico Médio, em torno de 244-246 milhões de anos atrás. O espécime descrito atingiu proporções épicas, com um crânio medindo 2 metros e tamanho corporal total comparável a uma cachalote (baleia dentada da espécie Physeter macrocephalus), superando os 17 metros de comprimento. É o maior animal descoberto do período Triássico, o maior réptil marinho já descrito e a primeira criatura gigante a ter habitado a Terra até o momento conhecida.





O mais notável da descoberta, além da evolução convergente de gigantismo em relação aos cetáceos modernos, é que o C. youngorum habitou os oceanos há apenas 3 milhões de anos (no máximo 8 milhões de anos) após a emergência dos primeiros ictiossauros. Isso aponta que os ictiossauros evoluíram gigantismo de forma dramaticamente mais rápida do que os cetáceos, algo talvez fomentado por processos derivados da extinção em massa no final do Permiano (ex.: grande abundância de presas, como extintos conodontes pelágicos e extintos moluscos chamados de amonoides), compensando a ausência de produtores primários modernos que permitiram a emergência das baleias. Modelos computacionais utilizados pelos pesquisadores suportaram esse 'boom' em tamanho corporal na história evolutiva dos ictiossauros, um fenômeno que levou pelo menos 56 milhões de anos para se espelhar nos cetáceos.



Considerando a alongada boca e dentes cônicos, os pesquisadores sugeriram que o C. youngorum especializou-se em predar lulas e peixes, mas com seu grande tamanho corporal também sugerindo que esse réptil caçava oportunisticamente outros répteis marinhos de menor porte ou juvenis. O método de caça provavelmente espelhava as atuais baleias dentadas, com predação ativa acompanhada de profundos mergulhos no oceano.


> Leitura recomendadaMegalodon: A colossal máquina de caça dos mares pré-históricos  


REFERÊNCIAS

  1. Sander et al. (2021). Early giant reveals faster evolution of large body size in ichthyosaurs than in cetaceans. Science, Vol. 374, No.6575. https://doi.org/10.1126/science.abf5787
  2. Moon, B. C. (2017). A new phylogeny of ichthyosaurs (Reptilia: Diapsida). Journal of Systematic Palaeontology, 1–27.
  3. Gutarra et al. (2019). Effects of body plan evolution on the hydrodynamic drag and energy requirements of swimming in ichthyosaurs. Proceedings of the Royal Society B, Vol. 286 Issue 1898.
  4. https://nhm.org/press/earths-first-giant


Cientistas revelam o maior réptil marinho até o momento conhecido Cientistas revelam o maior réptil marinho até o momento conhecido Reviewed by Saber Atualizado on dezembro 29, 2021 Rating: 5

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