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Níveis adequados de vitamina D podem prevenir casos severos de COVID-19, sugerem estudos


O recente surto pandêmico de COVID-19 - doença causada pelo coronavírus SARS-CoV-2 - impôs catastróficos impactos em inúmeros países, especialmente entre a população mais idosa. Atualmente, não existe nenhum tratamento cientificamente comprovado ou vacina, o que têm levado muitos pesquisadores a buscarem alternativas que possam reduzir o número de casos severos da doença e consequentemente reduzir a taxa de mortalidade. Uma das mais recentes apostas inclui a vacina da BCG, apesar de recentes evidências conflitantes (1). Agora, outro fator suspeito ganhou importante - apesar de limitada - evidência: status da vitamina D no corpo.

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ATUALIZAÇÃO (29/04/20): Analisando 20 pacientes com COVID-19 - 65% dos quais requereram admissão na UTI - que tiveram seus níveis sanguíneos de 25-hidroxicolecalciferol (vitamina D3) medidos, pesquisadores reportaram em um estudo preprint publicado na medRxiv (5) que uma insuficiência de vitamina D estava prevalente em 84,6% dos pacientes na UTI, enquanto aqueles hospitalizados com quadros menos severos da doença a prevalência era de 57,1%. Notavelmente, 100% dos pacientes com menos de 75 anos tinham deficiência de vitamina D. Além disso, após uma análise observacional retrospectiva, os pesquisadores citaram que:

- Na população afro-americana a prevalência de deficiência de vitamina D é de 89-90%, e é a mais afetada na epidemia de coronavírus nos EUA.

- Na Europa, região também muito afetada pela pandemia, a deficiência de vitamina D também é muito prevalente (até 90%), com exceção dos países Nórdicos (15-30%, devido ao maior consumo de peixes gordos e de laticínios fortalecidos com vitamina D), que, coincidentemente, sofreram menos com a pandemia.

- Deficiência em vitamina D e COVID-19 compartilham padrões de prevalência para hipertensão, diabetes, obesidade, idade avançada e sexo masculino.

Por fim, o estudo realçou que deficiência nessa vitamina causa hipertensão, danos no sistema imune - como linfocitopenia -, e problemas trombóticos, todos fatores de risco importantes para a evolução de quadros mais graves de COVID-19. Apesar de outros co-fatores de risco já citados que se sobrepõem, o estudo reforça a associação entre vitamina D como fator isolado e severidade da COVID-19.

ATUALIZAÇÃO (12/05/20): Em um estudo publicado no periódico Irish Medical Journal (6), pesquisadores da Trinity College Dublin pediram ao governo da Irlanda para reforçar as recomendações no país para uma maior suplementação de vitamina D. No estudo, os autores analisaram todos estudos Europeus sobre níveis de vitamina D na população adulta desde 1999, e compararam as tendências com as taxas de mortalidade ao longo da Europa. Os resultados, contra-intuitivos, mostraram que os países Europeus em mais baixas latitudes - como o Norte da Itália e a Espanha - eram os que expressavam as mais baixas concentrações de vitamina D e mais altas taxas de deficiência nesse nutriente, mesmo sob maior incidência solar. Já países Nórdicos - Noruega, Finlândia e Suécia - eram os que expressavam os maiores níveis de vitamina D, devido ao maior nível de suplementação e fortificação de alimentos. E as taxas de infecção e de morte por COVID-19 - reforçando vários estudos prévios - mais uma vez se mostraram intimamente ligadas aos níveis de vitamina D, de forma inversamente proporcional.
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Dados clínicos obtidos de pacientes com COVID-19 na China reportaram altas concentrações de citocinas (sinalizadores inflamatórios e imunes) como GCSF, IP10, MCP1, MlP1A e TNFα em pacientes admitidos nas UTIs, o que indica a presença de uma tempestade de citocina em casos severos da doença (2) - associada a uma resposta inflamatória e imune exagerada em meio a uma escassez de células-B de memória. O sistema imune inato (em populações muito jovens) e o adaptativo (populações idosas) atuam de forma importante na regulação dos níveis de citocina nas infecções virais. O impacto da vitamina D na otimização das respostas imunes (incluindo gripe e outros coronavírus) têm sido amplamente estudado e firmemente estabelecido. A vitamina D pode também regular e suprimir a tempestade de citocina (uma resposta inflamatória exagerada), algo que pode substancialmente aumentar as chances de evitar um quadro severo de COVID-19.

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(1) Leitura recomendada: A vacina BCG pode combater o coronavírus, sugerem cientistas
(2) Essa é uma das formas propostas para explicar os sérios danos que o SARS-CoV-2 causa no corpo. Para mais informações, acesse: Como o COVID-19 mata? Incerteza traz grave alerta para tratamentos utilizados a esmo
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A aberrante resposta dos sistema imune inato nos idosos  (comparada com aquela de pacientes mais jovens) pode aumentar o risco da carga viral, o que intensifica a ativação do sistema imune adaptativo e produção da tempestade de citocina nssa população. Essa tempestade de citocina pode exacerbar os efeitos da pneumonia, falha renal aguda, falha cardíaca aguda, entre outras complicações. Mesmo dano pulmonar moderado devido à tempestade de citocina pode levar a uma hipoxemia letal em pacientes com comorbidades pré-existentes, como hipertensão e diabetes.

Alguns pesquisadores têm sugerido inclusive uma potencial associação entre vitamina D e taxa de mortalidade durante a pandemia da Gripe Espanhola de 1918-1919, também através da supressão da tempestade de citocina.

As proteínas C-reativas (CRPs) são moléculas produzidas pelos rins quando o corpo está tentando reparar danos às artérias, células e tecidos da própria autoimunidade, infecção e outras causas. Nesse sentido, as CRPs podem ser usadas como marcadores não-específicos para indiretamente medir a severidade de uma tempestade de citocina durante um caso severo de COVID-19. Aproveitando disso, pesquisadores da Universidade do Noroeste e do Centro Médico de Boston, EUA, resolveram analisar os dados médicos de pacientes com COVID-19 de países com mais de 5 mil casos confirmados até 21 de março, comparando os níveis de CRP e de vitamina D.

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Os resultados do estudo - publicado como preprint no periódico bioRxiv (3) -  revelaram que a Itália, França e na Espanha - países com taxas de mortalidade muito altas, especialmente entre pessoas com idades de 70 a 80 anos - expressavam uma maior taxa de deficiência severa de vitamina D  (concentração média de 25-hidroxivitamina D <0,25 ng/L) em comparação com outros países. A França foi o país com a maior severidade em deficiência de vitamina D, o que, segundo o estudo, acompanhou uma maior taxa de mortalidade em relação à taxa de testes [de confirmação do COVID-19] realizados na população.

Segundo a análise dos pesquisadores, e baseando-se nos dados de estudos prévios, foi estimado que a eliminação de casos severos de deficiência em vitamina D e um nível normal desse nutriente no corpo de todos na população pode reduzir os casos severos de COVID-19 em até 15%.

O estudo, no entanto, é observacional, e estudos clínicos randomizados duplos-cegos são necessários para corroborar ou refutar a conclusão alcançada. No entanto, considerando que estamos no meio de uma pandemia, e sem muitas alternativas efetivas de tratamento ou de prevenção, é mais do que válido buscar manter os níveis recomendados de vitamina D, seja via natural - exposição solar moderada entre os horários de 10:00 am e 16:00 pm, ou alimentos ricos nesse nutriente (peixes gordos, queijo, fígado e gema de ovo) - ou via suplementação. Somando-se a isso, o organismo vai estar mais protegido e forte de uma forma geral (4), já que qualquer deficiência nutricional é prejudicial. Lembrando, porém, que excessos de suplementação - acima das quantidades diárias recomendadas - não estão associados com benefícios.

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ATUALIZAÇÃO (21/05/20): Apesar de níveis adequados de vitamina D no corpo (consumo diário recomendado) poderem estar associados com uma menor prevalência/gravidade de COVID-19 ou maior proteção contra o novo coronavírus (apesar dessa relação ainda ser suportada por evidências ainda limitadas), altas doses da vitamina (maior consumo diário do que o recomendado) não estão associadas com maior proteção contra o SARS-CoV-2. O alerta veio em um estudo publicado no periódico BMJ Nutrition, Prevention & Health (7) após reportes não verificados de que doses maiores do que 4000IU/dia seriam recomendadas para diminuir o risco de contrair a doença ou mesmo que poderiam ser usadas para tratá-la. Excesso de vitamina D pode trazer sérios prejuízos para o corpo.
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(3) Publicação do estudo: bioRxiv

> (4) Leitura recomendada: Cor da pele, evolução e a vitamina D

(5) Publicação do estudo: medRxiv

(6) Publicação do estudo: IMJ

(7) Publicação do estudo: BMJ

Níveis adequados de vitamina D podem prevenir casos severos de COVID-19, sugerem estudos Níveis adequados de vitamina D podem prevenir casos severos de COVID-19, sugerem estudos Reviewed by Saber Atualizado on abril 12, 2020 Rating: 5

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