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Nova hipótese evolucionária para o comportamento homossexual


Um estudo publicado esta semana no periódico Nature Ecology & Evolution (1) propôs uma hipótese alternativa para a evolução do comportamento sexual entre indivíduos do mesmo sexo em várias linhagens de seres vivos sexuados. Na hipótese proposta, os pesquisadores argumentaram que o comportamento homossexual pode, na verdade, ter sido parte da condição original e ancestral nos animais e persistiu devido aos poucos - ou nenhum - custos e talvez devido a importantes benefícios associados.

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O comportamento homossexual, exclusivo (orientação homossexual) ou não-exclusivo (ocasional ou frequente), já foi registrado em mais de 1500 espécies de animais com uma ampla distribuição ao longo dos principais clados (2). Biólogos evolucionários há muito tempo têm buscado elucidar o 'comportamento homossexual' em uma tentativa de resolver esse aparente paradoxo Darwiniano: como o comportamento sexual entre indivíduos do mesmo sexo (macho ou fêmea) evoluiu múltiplas vezes e persistiu apesar do assumido custo/prejuízo adaptativo? No entanto, esse questionamento implicitamente assume que o comportamento sexual entre indivíduos de diferentes sexos ou 'heterossexuais' representou a condição primordial - a baseline - no momento que a diferenciação sexual evoluiu e de onde o comportamento homossexual teria sido derivado.

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(2) Leitura complementar: A homossexualidade é biológica ou social?

Nesse sentido, existem duas tradicionais presunções acadêmicas. A primeira é que o comportamento homossexual possui alto custo por causa do tempo e da energia gastos em atividades que não possuem potencial para o sucesso reprodutivo. A segunda é que o comportamento homossexual emergiu de forma independente em diferentes linhagens de animais, a partir de processos evolutivos iniciados com um comportamento heterossexual já estabelecido.

No novo estudo, os pesquisadores sugeriram uma hipótese de seleção neutra para explicar o fenótipo homossexual, e desconsideram uma ancestralidade comum heterossexual. Nesse último caso, eles argumentaram que uma combinação de comportamentos homossexuais e heterossexuais emergiram como uma condição inicial para todos os animais de reprodução sexuada, e que essas tendências provavelmente evoluíram nas primeiras formas de comportamento sexual.

Seguindo nessa linha, os pesquisadores argumentaram contra a ideia de que como comportamentos heterossexuais são essenciais para seleção sexual em termos de reprodução - ou a tendência de traços benéficos que promovem o aumento na população, tamanho ou resiliência -, os processos evolutivos teriam que ter eliminado o comportamento homossexual ao longo da trajetória evolutiva dos organismos sexuados. Pelo contrário, os pesquisadores mostraram que o comportamento homossexual não é sempre - ou mesmo raramente é - muito custoso. A nível populacional, por exemplo, o comportamento homossexual é expresso apenas em certas circunstância em grande parte do reino animal, e mesmo em espécies que trazem a expressão de comportamento homossexual exclusivo (como os humanos modernos, ovelhas e o macaco-japonês), apenas uma pequena parcela da população é afetada. Isso pode caracterizar, no mínimo, uma seleção neutra, ou seja, a persistência de um traço fenotípico que não gera benefícios nem prejuízos, e acaba persistindo porque não interfere na capacidade adaptativa de uma espécie e não sofre pressão ambiental para ser eliminado. O comportamento homossexual, portanto, seria um vestígio evolutivo do ancestral em comum.

E mais: devido à persistência em múltiplas linhagens evolutivas, os autores também sugeriram que o comportamento homossexual possivelmente está associado com uma notável vantagem que pode dar suporte inclusive para um cenário de seleção positiva. Isso porque indivíduos que trazem ambos os comportamentos sexuais (homossexual e heterossexual) são mais prováveis de se acasalarem com mais parceiros. Várias espécies não são monógamas, ou seja, machos e fêmeas de muitas espécies tentam se acasalar com múltiplos parceiros. E em várias espécies pode ser difícil para os indivíduos até mesmo discernirem os sexos. Nesse sentido, se um espécime é mais seletivo com o parceiro, e existir mínimas diferenças fenotípicas entre os sexos (baixo dismorfismo sexual), esse indivíduo tenderá a se acasalar com menos frequência. Já um que tenta se acasalar com qualquer outro espécime que vê na sua frente, provavelmente tenderá a ter mais acasalamentos, incluindo mais encontros com indivíduos do sexo oposto.

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Para citar um exemplo, os pesquisadores encontraram que os besouros machos do gênero Nicrophorus engajam em um crescente comportamento homossexual quando eles percebem um maior custo associado à perda de oportunidade de se acasalarem com as fêmeas. Ou seja, apostar apenas no comportamento heterossexual pode ser trazer desvantagens quando a oportunidades de acasalamento são raras. De fato, os machos de muitas espécies expressam o comportamento homossexual quando existem poucas fêmeas disponíveis, mesmo entre espécies com grande dismorfismo sexual. Isso sugere que seleções positivas e neutras ao longo do percurso evolutivo no reino animal podem ter atuado em conjunto e fomentado a persistência do comportamento homossexual, expresso de diferentes formas entre as espécies.

De acordo com os pesquisadores, a questão do comportamento sexual entre os animais é frequentemente tratada com um certo 'bias' (de forma tendenciosa) porque frequentemente analisamos a questão do ponto de vista da sociedade humana, esta a qual têm historicamente julgado as orientações sexuais como 'normal' ou 'anormal'. Aliás, entre os humanos (Homo sapiens), a homossexualidade parece ter sempre acompanhado a nossa espécie, e as evidências acumuladas até o momento apontam sem sombra de dúvidas que a orientação sexual é determinada por fatores biológicos. As raízes evolutivas da nossa homossexualidade podem ser muito mais profundas do que costumamos imaginar.


(1) Publicação do estudo: Nature

Referência adicional: Yale School of Forestry & Environmental Studies

Nova hipótese evolucionária para o comportamento homossexual Nova hipótese evolucionária para o comportamento homossexual Reviewed by Saber Atualizado on novembro 19, 2019 Rating: 5

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