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Estamos em um cenário de emergência climática, alerta a WMO


Os dados globais no campo da ciência climática compilados pela Organização Mundial de Meteorologia (WMO) mostraram que o período de cinco anos de 2014 até 2019 foi o mais quente no registro. O aumento nos nível dos mares acelerou significativamente nesse período, acompanhando os recordes nas emissões de dióxido de carbono (CO2). Desde 1850, as temperaturas aumentaram em 1,1°C, e em 0,2°C quando comparado com o período de 2011-2015. A WMO alertou que os esforços para o corte nas emissões de CO2 devem ser intensificados imediatamente.

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A análise climática - a qual cobre até julho de 2019 - foi liberada como parte de um reporte sintético de alto nível de instituições científicas de liderança representadas pela United in Science sob a orientação do Grupo Conselheiro de Ciência da Reunião Climática da ONU 2019. O relatório entregue forneceu uma avaliação unificada do estado do sistema terrestre sob a crescente influência das mudanças climáticas, a resposta da humanidade até o momento e as mudanças projetadas do clima global no futuro.


Um relatório acompanhando o reporte da WMO sobre as concentrações de gases estufas mostrou que 2015-2019 viu um aumento contínuo nos níveis de CO2 e de outros principais gases estufas na atmosfera alcançando novos recordes, e com as taxas de crescimento de CO2 quase 20% maiores do que dos último período de cinco anos. O CO2 permanece na atmosfera por séculos e no oceano por ainda mais tempo. Dados preliminares de um subconjunto de pontos observacionais para 2019 indicam que as concentrações globais de CO2 estão a caminho de alcançarem ou até mesmo ultrapassarem 410 ppm até o final de 2019.

"As causas e os impactos das mudanças climáticas estão aumentando ao invés de diminuírem", disse o Secretário-Geral da WMO, Petteri Taalas. "O aumento dos níveis dos mares acelerou e nós estamos preocupados com um abrupto declínio nas geleiras da Antártica e da Groenlândia, o qual irá exacerbar um aumento futuro nesses níveis. Como nós temos visto este ano com trágicos efeitos nas Bahamas e em Moçambique, o aumento nos níveis dos mares e intensas tempestades tropicais levaram a catástrofes humanitárias e econômicas".

"É altamente importante que nós reduzamos as emissões de gases estufas, notavelmente a partir da produção de energia, indústria e transporte. Isso é crítico se nós queremos mitigar as mudanças climáticas e cumprir as metas estabelecidas no Acordo de Paris. Para parar a temperatura global de subir mais de 2°C acima dos níveis pré-industriais, o nível de ambição precisa ser triplicado. E para limitar até um máximo de 1,5°C, é necessário ser quintuplicado", completou Taalas.

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Taalas também realçou que, além das ações de mitigação das mudanças climáticas, existe uma necessidade cada vez maior de adaptação ao processo já em andamento e cujos impactos têm ficado cada vez mais evidentes.

- Aumento do Nível dos Mares:

Ao longo do período de cinco anos (2014-2019), a taxa do aumento médio dos níveis dos mares alcançou 5 mm/ano, comparado com os 4 mm/ano no período de 2007-2016. Isso é substancialmente mais rápido do que a taxa média desde 1993 de 3,2 mm/ano. A contribuição do derretimento de gelo sobre terra a partir das geleiras e das camadas de gelo ao redor do mundo aumentaram ao longo do tempo e agora determinam mais o aumento dos níveis dos mares do que a expansão térmica (aumento de volume das massas oceânicas devido ao aumento da temperatura da água).

- Gelo encolhendo:

Ao longo de 2015-2018, a média do mínimo da extensão do gelo Ártico marinho em setembro (verão) foi bem abaixo da média de 1981-2010, assim como a média de extensão do gelo no inverno. Os quatro recordes mais baixos para o inverno ocorreram durante esse período. Gelo multi-anual tem quase desaparecido.

Já o mínimo da extensão do gelo Antártico marinho em fevereiro (verão) e máximo em setembro (inverno) ficaram bem abaixo da média de 1981-2010 desde 2016. Isso entra em contraste ao período prévio de 2011-2015 e o período de longo prazo de 1979-2018. O gelo Antártico marinho de verão alcançou sua mais baixa e segunda mais baixa extensão no registro em 2017 e em 2018, respectivamente, com 2017 também tendo a segunda mais baixa extensão de inverno.

A quantidade de gelo perdida anualmente da Antártica aumentou no mínimo seis vezes, de 40 Gt por ano em 1979-1990 para 252 Gt por ano em 2009-2017.

A cobertura de gelo na Groenlândia testemunhou uma considerável aceleração na perda de gelo desde a virada do milênio.

Para 2015-2018, o Serviço Mundial de Monitoramento de Geleiras (WGMS) indicou uma variação média específica de massa das geleiras de - 908 mm de água-equivalente por ano, maior do que em todos os períodos prévios de cinco anos desde 1950.

- Aquecimento e acidez dos Oceanos:

Mais de 90% do excesso de calor causado pelo aquecimento global é armazenado nos oceanos. Em 2018 tivemos os maiores valores de conteúdo calorífico nos oceanos no registro medido ao longo dos 700 metros abaixo da superfície marinha, com 2017 marcando o segundo e 2015 o terceiro lugares.

O oceano absorve cerca de 30% das emissões antropogênicas anuais de CO2, portanto ajudando a aliviar um aquecimento adicional. Os custos ecológicos para os oceanos, no entanto, são altos, já que o CO2 absorvido reage com a água marinha e a torna mais ácida (2). Houve um aumento de acidez nos oceanos de 26% desde o começo da Revolução Industrial.

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(2) Para saber mais, acesse: Gás carbônico e acidez dos mares

- Eventos Extremos:

Mais de 90% dos desastres naturais estão relacionados ao clima. Os desastres dominantes são tempestades e inundações, os quais também levaram às maiores perdas econômicas. Ondas de calor e secas têm levado a perdas humanas, intensificação de incêndios nas florestas e perdas de colheitas.

Ondas de calor, as quais foram os mais letais perigos meteorológicos no período de 2015-2019, afetaram todos os continentes, resultando em numerosos novos recordes de temperatura. Quase todos os estudos sobre uma significativa onda de calor desde 2015 têm encontrado a assinatura das mudanças climáticas de acordo com o relatório da WMO.

As maiores perdas econômicas no registro estão associadas com os ciclones tropicais. A temporada de furacões no Atlântico de 2017 foi uma das mais devastadores, com mais de US$125 bilhões em perdas associadas apenas com o Furacão Harvey. No Oceano Índico, em março e em abril de 2019, ciclones tropicais sem precedentes e altamente destrutivos atingiram Moçambique.

Segundo os relatórios da Sociedade Meteorológica Americana (3), ao longo do período de 2015 até 2017, 62 dos 77 eventos reportados explicitaram uma significativa influência antropogênica, incluindo quase todos os estudos sobre uma significativa onda de calor. Um crescente número de estudos estão também encontrando a influência humana nos riscos de eventos extremos de chuvas.

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(3) Para saber mais detalhes sobre o relatório, acesse: Mais um ano quente em 2018 e com recorde de emissão de gases estufas

- Fogos em Matas:

Os incêndios atingindo florestas e outros biomas vegetativos são fortemente influenciados pelos fenômenos climáticos. A seca substancialmente aumenta o risco de fogo na maior parte das áreas florestais, com uma particular forte influência no alastramento de fogo de longa duração. As três maiores perdas econômicas no registro devido ao fogo ocorreram nos últimos quatro anos.

Em vários casos, os incêndios florestais levaram a massivas liberações de CO2 para a atmosfera. O verão de 2019 testemunhou incêndios sem precedentes na região Ártica. Apenas em julho, esses incêndios emitiram 50 megatoneladas (Mt) de CO2 para a atmosfera. Isso é mais do que foi liberado no mesmo mês de 2010 até 2018 colocados juntos. Houve também massivos fogos em florestas do Canadá e da Suécia em 2018. Houve também ampla disseminação de incêndios nas não-renováveis florestas úmidas do Sul Asiático e da Amazônia, também impactando o balanço global de carbono.

> Para quem quiser mais detalhes e uma visão mais ampla sobre o aquecimento global e as mudanças climáticas associadas, leitura recomendada: Aquecimento Global: Uma Problemática Verdade

(1) Referência: WMO

Estamos em um cenário de emergência climática, alerta a WMO Estamos em um cenário de emergência climática, alerta a WMO Reviewed by Saber Atualizado on setembro 23, 2019 Rating: 5

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