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Raposas foram também domesticadas por humanos na Idade do Bronze


Um estudo publicado esta semana na Archaelogical and Anthropological Sciences, reportou a descoberta de 4 raposas e de um grande número de cães enterrados em túmulos localizados em sítios arqueológicos de Can Roqueta (Barcelona) e de Minferri (Lleida). Esses túmulos revelam uma prática funerária que se generalizou no início da Idade Média do Bronze: o enterro de humanos junto com animais domésticos. Além disso, os pesquisadores encontraram que a dieta das raposas enterradas eram similares àquela dos humanos. Esses achados mostram que pelo menos no nordeste da Península Ibérica, entre o 2° e 3° milênio a.C., raposas eram domesticadas assim como os cães.

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Para o estudo, os pesquisadores estudaram a composição isotópica de carbono e de nitrogênio no colágeno dos ossos dos animais enterrados, incluindo 4 raposas-vermelhas (Vulpes vulpes), 37 cães (Canis familiaris), 19 animais domésticos ungulados (com casco) e 64 humanos. Essa análise forneceu a base dietética desses espécimes. A investigação indicou que os cães possuíam uma dieta similar àquela dos humanos, como esperado. Já entre as raposas, parte possuía uma dieta similar àquela dos cães e parte mais parecida com àquela em meio selvagem. Mas uma raposa em específico, em Can Roqueta, chamou mais do que a atenção dos pesquisadores, porque era um animal velho, e com uma perna quebrada. A fratura ainda estava no processo de cura, e mostrava sinais de ter sido imobilizada por humanos ("engessada"). Além disso, a alimentação dela era muito similar àquela dada a filhotes de cães.

Esse achado em específico foi a evidência conclusiva de que os humanos naquela época estavam domesticando dois canídeos: as raposas e os cães.




Outra curiosa descoberta no estudo era de que alguns grandes cães enterrados em Can Roqueta estavam sendo especificamente alimentados com uma preparação altamente enriquecida com cereais, provavelmente porque estavam sendo usados como animais de carga. Aliás, o mesmo parecia ter ocorrido com uma das raposas! Os pesquisadores encontraram sinais de irregularidades na coluna espinhal desses animais ligadas ao transporte de objetos pesados nas costas. Nesse sentido, parece evidente que a dieta especial visava proporcionar mais energia para o trabalho extra de transporte. No caso dos cães, esse tipo de trabalho não é tão estranho, já que até o século XIX na América do Norte, Canadá e na Europa eles continuaram sendo usados para o transporte de cargas leves e para o arraste de trenós e de carroças. No entanto, não se sabia que os cães já eram empregados dessa forma desde a Antiguidade.

Receitas com alto teor de cereais para cães pode parecer estranho, mais isso é registrado também na Roma Antiga, onde o agrônomo Hispano-Romano Lucius Junius Moderatus Columella, em seu trabalho 'De re rustica', recomendava essa dieta para cães explorados mais vigorosamente em trabalhos diversos.

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Para mais informações sobre o processo de domesticação das raposas, acesse: Cientistas revelam um importante gene envolvido no processo evolutivo de domesticação
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No geral, para os cães e raposas domesticados, e para os humanos, a dieta parecia conter pouca quantidade de carne, algo que deve ter sido compensado pelo uso de leite (queijo e bebida). Homens incluíam mais carne na dieta do que as mulheres e crianças, sugere o estudo. Os cães provavelmente se alimentavam das sobras.

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Entre os ungulados, como vacas, ovelhas e bodes, as análises revelaram uma dieta essencialmente herbívora. A função desses animais provavelmente era fornecer carne, leite e pele. Cavalos não foram encontrados enterrados datados dessa época, já que seu uso só começou a se espalhar em grau significativo por essas sociedades mais tarde.

A função principal dos cães na Idade do Bronze (3000-1200 a.C.) provavelmente era guiar e vigiar rebanhos, já que a criação de animais de consumo e a agricultura eram a base das sociedades naquela época. Outras funções secundárias provavelmente envolviam a vigia dos assentamentos humanos contra a investida de predadores perigosos, como lobos e ursos, e o auxílio em caçadas. E, para os grandes cães, como visto, esses eram também recrutados para o transporte de cargas, algo que pode ter sido importante para os humanos que enfrentavam as árduas jornadas através da Europa glacial.

As raposas podem ter tido papel similar aos cães, ou estavam sendo trabalhadas para tal.

O fato de que muitos túmulos desenterradas pelos arqueólogos possuíam esqueletos de animais domésticos e de humanos pode indicar o quão importante esses ajudantes canídeos e ungulados eram para a economia e dia-a-dia das sociedades na Idade do Bronze. Reforça também o quão comum era a prática de oferendas de animais - incluindo ocasionalmente pássaros e outros espécimes selvagens - durante rituais de enterro na Europa desse período - fenômeno que tinha se proliferado a partir do 5° milênio a.C. -, especialmente no Calcolítico e na Idade Média do Bronze.

Porém, como a maioria dos túmulos possuíam apenas humanos enterrados, o novo estudo sugere que o enterro dos animais domésticos eram um símbolo de status, poder e riqueza. Isso é reforçado pelo fato de que algumas poucas crianças também eram enterradas com esses animais, sugerindo um sistema de herança de status social.


Publicação do estudo: Archaelogical and Anthropological Sciences

Raposas foram também domesticadas por humanos na Idade do Bronze Raposas foram também domesticadas por humanos na Idade do Bronze Reviewed by Saber Atualizado on fevereiro 22, 2019 Rating: 5

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