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Essa espécie migratória de truta marinha evoluiu para se adaptar ao ambiente de água doce em apenas 100 anos



A truta-arco-íris (Oncorhynchus mykiss), um membro da família do salmão que vive e cresce no Oceano Pacífico, geneticamente se adptou ao ambiente aquático de água doce do Lago Michigan em menos de 100 anos, segundo aponta um estudo publicado esta semana no Molecular Ecology.

Essa espécie de peixe pode ser encontrada em regiões que vão da Califórnia até a Rússia, e uma variação dela (anádroma) apresenta um curioso estilo de vida: procria em rios e os filhotes quando bem desenvolvidos (em 1 ou 2 anos) migram para as águas marinhas - gastando 1 a 3 anos no oceano -, para depois voltarem para a água doce com o intuito exclusivo de desova. Esse ciclo migratório para o qual o corpo desse peixe se adaptou permite que essa ele se alimente com fartura nos oceanos, levando a um maior crescimento corporal e maior capacidade de produção de ovos do que se ficassem apenas habitando os rios. No entanto, na década de 1890, a truta-arco-íris anádroma foi intencionalmente introduzida no Lago Michigan, EUA, com o objetivo de fomentar a pesca recreativa e comercial

As trutas introduzidas no Lago Michigan continuaram desovando em pequenos afluentes e fluxos fluviais, mas com o tempo passaram a tratar o habitat inteiro do lado como um verdadeiro "oceano de aluguel.". Após a introdução, as trutas-arco-íris começaram a naturalmente se reproduzirem e estabelecerem populações auto-sustentáveis ao longo desse lago. E essa adaptação evolutiva levou pouco mais de 100 anos para ocorrer.


Para examinar como esses peixes se adaptaram tão bem ao novo ambiente, pesquisadores da Universidade de Purdue sequenciaram o genoma completo de 264 peixes, comparando as truta-arco-íris do Lago Michigan com seus ancestrais marinhos (coletados da costa da Califórnia), na busca por regiões associadas com adaptações genéticas.

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Os resultados das análises mostraram que regiões em três cromossomos nessa truta evoluíram após a introdução no Lago Michigan. Duas dessas regiões genômicas - associadas às anidrases carbônicas e uma proteína carregadora de solutos - são críticas para o processo que mantém o balanço de eletrólitos (sais e íons) ao longo das membranas do seu corpo, conhecido como 'osmorregulação'.

Peixes de água doce ativamente absorvem íons do ambiente aquático para compensar a perda de sais via difusão passiva, enquanto peixes de água salgada (marinha) ativamente expelem íons para compensar a absorção passiva de sais para dentro dos seus corpos. Nesse sentido, as mudanças genéticas na truta-arco-íris ligadas a esse processo ajudam a explicar como esse peixe conseguiu sobreviver completamente fora do ambiente marinho. Além disso, mudanças relacionadas à atividade da anidrase carbônica podem ter sido importantes para a manutenção do pH do corpo no ambiente de água doce.

Já a terceira região cromossômica afetada continha mudanças funcionais na ceramida quinase, a qual está provavelmente envolvida com o metabolismo e cicatrização de feridas. Essas mudanças podem ter permitido que a truta-arco-íris ganhasse vantagem na caça por outras presas ou alocasse recursos adicionais no novo ambiente. Alternativamente, essa região pode ter se adaptado em resposta a uma nova ameça: lampreias marinhas parasitas. Esses parasitas foram introduzidos por acidente no Lago Michigan na década de 1930, e hoje se encontram em grandes quantidades nesse lago. Essas lampreias atacam vorazmente os peixes para sugar-lhes o sangue e acabam deixando grandes feridas, as quais frequentemente são letais. Isso sem contar que feridas abertas na água doce são piores porque as células acabam se rompendo a uma maior taxa (devido à maior difusão de água). Em outras palavras, as lampreias podem ter sido uma forte força seletiva no processo evolutivo.

O estudo encontrou também que a diversidade genética das trutas no lago é bem menor do que aquela encontrada nas trutas marinhas, algo esperado considerando que a nova população adaptada cresceu a partir de um pequeno número de espécimes da população original. E, mesmo nessa situação, a truta conseguiu evoluir rapidamente, com as mudanças adaptativas ocorrendo provavelmente entre 1890 e 1983 - segundo aponta os dados coletados pelos pesquisadores - mostrando a enorme força que o ambiente pode ter sobre os processos evolutivos.

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Publicação do estudo: Molecular Biology

Essa espécie migratória de truta marinha evoluiu para se adaptar ao ambiente de água doce em apenas 100 anos Essa espécie migratória de truta marinha evoluiu para se adaptar ao ambiente de água doce em apenas 100 anos Reviewed by Saber Atualizado on junho 03, 2018 Rating: 5

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