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Não existem mais cavalos selvagens no mundo e a domesticação desses animais pode não ter ocorrido no Cazaquistão



É difícil imaginar a história humana sem os cavalos, os quais se tornaram nossos principais aliados durante séculos, ajudando imensamente os humanos em suas batalhas, na agropecuária, nas longas jornadas e na locomoção urbana e rural. Mas onde os primeiros cavalos foram domesticados? Há um bom tempo, a questão parecia resolvida, onde diversos cientistas acreditavam ter evidências o suficiente para afirmar que há mais de 5 mil anos a domesticação equina ocorreu na região Norte do Cazaquistão. Porém, um novo estudo publicado esta semana na Science derrubou essa alegação já tão bem estabelecida no meio acadêmico e ainda jogou outra bomba: os famosos cavalos-de-Przewalski, tidos como os últimos cavalos selvagens ainda vivos, não são selvagens!

Até pouco tempo atrás, muitos pesquisadores advogavam que os Botai, um antigo grupo de caçadores e pastoreiros do Eneolítico que dependiam dos cavalos para comida e possivelmente transporte no que é hoje o Norte do Cazaquistão, tinham sido os primeiros a iniciarem o processo de domesticação dos cavalos há cerca de 5,5 mil anos. Haviam sido descobertas gordura e leite de cavalo em cerâmicas da cultura Botai, sugerindo que esse povo comia a carne de cavalos e mantinham as fêmeas em cativeiro para a ordenha de leite. Além disso, marcas nos dentes de cavalos entre os vestígios Botai indicam que eles amarravam os cavalos com bocados de freio e ou cavalgavam com eles ou os criavam, sugerindo algum grau de domesticação. E, para completar, a região onde os Botai viviam é cheia de ossos de cavalos que representam as mais antigas evidências arqueológicas de domesticação desses animais, e evidências genéticas modernas também apontavam que ali as chances eram grandes de ter sido a origem dos cavalos domesticados (apesar de controvérsias).


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Nesse sentido, para esclarecer melhor a questão, o paleogeneticista Ludovic Orlando da Universidade de Copenhagen e o zooarqueologista Alan Outram da Universidade de Exeter, junto com outros colaboradores, resolveram investigar os restos de 20 cavalos Botai que eles coletaram na região de Krasnyi Yar, sequenciando e analisando o DNA extraído das ossadas. Logo em seguida, eles fizeram o mesmo com 22 outros cavalos vivendo em várias outras regiões não associadas com os Botai pelos últimos 5 mil aos. No final, os dois pesquisadores compararam as sequências genéticas obtidas com sequências antigas e modernas de 46 cavalos já existentes em bancos de dados, incluindo a do cavalo-de-Przewalski, para construírem uma árvore genealógica mostrando quais variações eram as mais próximas relacionadas.

Já de início a nova árvore genealógica já chocou os cientistas ao mostrar que os cavalos-de-Przewalski (Equus ferus przewalskii) estavam na mesma parte da árvore que os cavalos pertencentes aos Botai, deixando claro que eles hoje são descendentes de espécimes que escaparam desse povo para o meio selvagem, ou seja, eram já, no mínimo, parcialmente domesticados. Isso conclui que hoje não existem cavalos selvagens vivos no mundo.


Outra surpresa foi que todos os cavalos domesticados datados de cerca de 4 mil anos atrás até o presente apenas mostram em torno de 2,7% de parentesco genético com os cavalos de Botai, sugerindo que eles não eram descendentes daqueles criados por esse povo e corroborando a defesa de alguns cientistas de que os cavalos domesticados não surgiram dessa região no Cazaquistão. Então, de onde vieram os primeiros cavalos domesticados e quem foram os responsáveis, de fato, pela domesticação inicial?

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Para explicar os novos achados, e manter os Botai como os primeiros a domesticarem os cavalos, os pesquisadores propuseram dois cenários:

1. Aqui, os criadores de cavalos Botai expandiram sua presença para outras partes da Ásia e da Europa, e acabaram misturando seus cavalos domesticadas com tantas espécies de cavalo que quase nenhum do DNA Botai original sobrou. Como resultado, aqueles cavalos não parecem mais relacionados com os Botais, apesar de serem e os Botais representarem, de fato, os primeiros domesticadores dos cavalos.

2. Neste segundo cenário, os cavalos dos Botai não sobreviveram e acabaram sendo substituídos por cavalos domesticados de outros lugares, criando, no mínimo, dois centros de domesticação equídea (como ocorreu no caso dos cães e gatos, por exemplo). Migrações humanas consideráveis há cerca de 5 mil anos envolvendo a cultura Yammaya de pastoralistas associada com os Mares Negro e Cáspio podem representar essa substituição.

Agora, os pesquisadores estão já conduzindo novos estudos para descobrirem qual é a real origem dos cavalos domesticados, levando em conta a nova árvore genealógica dos cavalos modernos e em evidências recentes sobre os movimentos migratórios de populações humanas na Ásia e na Europa..

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Publicação do estudo: Science

Referência adicional: Science (Blog)

Não existem mais cavalos selvagens no mundo e a domesticação desses animais pode não ter ocorrido no Cazaquistão Não existem mais cavalos selvagens no mundo e a domesticação desses animais pode não ter ocorrido no Cazaquistão Reviewed by Saber Atualizado on fevereiro 24, 2018 Rating: 5

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