Patos entram em uma "guerra maluca" de crescimento do pênis para agradar as fêmeas
- Atualizado no dia 3 de junho de 2026 -
Segundo um interessante estudo publicado no periódico The Auk: Ornithological Advances (Ref.1), os machos de patos respondem à competição sexual ou crescendo um pênis extra-longo ou um pequeno pedaço de tecido peniano. O comportamento mais do que estranho foi observado especificamente em duas espécies analisadas pelos autores do estudo: o Zarro-Americano (Aythya affinis) e o Pato-de-rabo-alçado-americano (Oxyura jamaicensis).
Os pesquisadores observaram que se um pato macho está sozinho em um ambiente com uma fêmea, ele cresce apenas um pênis de tamanho normal. Mas se existem outros machos ao redor, eles mudam completamente o padrão de crescimento peniano, para, muitas vezes, colocar o "pau maior na mesa".
Os resultados do estudo sugerem que as dimensões dos pênis entre esses animais - em linha com várias características e comportamentos que visam impressionar ou permitir a gravidez da fêmea - envolvem um troca entre o potencial de reproduzir e o de sobreviver, através de uma habilidade plástica concedida pelo processo evolucionário. Um órgão reprodutivo maior, no caso desses patos, provavelmente melhora as chances de fertilização de um óvulo.
Analisando dois grupos de patos onde em um as fêmeas e machos eram mantidos em pares e no outro existiam bem mais machos do que fêmeas durante duas temporadas de acasalamento, os pesquisadores mostraram que os zarros-americanos cresciam significativamente o pênis no cenário de alta competição. Já para os patos-de-rabo-alçado-americanos, os machos maiores em maior competição cresciam um maior pênis (cerca de 18 centímetros), mas os machos menores desenvolveram inicialmente um pequeno pênis (apenas meio centímetro de tecido) e apenas no segundo ano desenvolveram pênis de tamanho normal, porém, mantidos por apenas 5 semanas, enquanto os machos maiores mantinham o pênis por 3 meses.
No caso dos patos-de-rabo-alçado-americanos, pode ser que o estresse durante as competições e maior risco de graves danos durante as brigas pelas fêmeas - são bem violentos, muitas vezes lutando até a morte - desencorajam a manutenção de pênis maiores nos machos menores, ou seja, a sobrevivência fala mais alto que a competição sexual nesses casos, onde vale mais a pena esperar por períodos mais oportunos. Aliás, os patos dessa espécie são um dos animais com um dos maiores pênis em termos de proporção corporal na natureza, com o órgão peniano algumas vezes ultrapassando o tamanho do próprio corpo.
Portanto, na próxima vez que você for visitar um lago com a sua família e testemunhar vários patos no período de acasalamento, saiba que pode existir uma guerra maluca de pênis ocorrendo ali.

Os pesquisadores observaram que se um pato macho está sozinho em um ambiente com uma fêmea, ele cresce apenas um pênis de tamanho normal. Mas se existem outros machos ao redor, eles mudam completamente o padrão de crescimento peniano, para, muitas vezes, colocar o "pau maior na mesa".
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Os resultados do estudo sugerem que as dimensões dos pênis entre esses animais - em linha com várias características e comportamentos que visam impressionar ou permitir a gravidez da fêmea - envolvem um troca entre o potencial de reproduzir e o de sobreviver, através de uma habilidade plástica concedida pelo processo evolucionário. Um órgão reprodutivo maior, no caso desses patos, provavelmente melhora as chances de fertilização de um óvulo.
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Analisando dois grupos de patos onde em um as fêmeas e machos eram mantidos em pares e no outro existiam bem mais machos do que fêmeas durante duas temporadas de acasalamento, os pesquisadores mostraram que os zarros-americanos cresciam significativamente o pênis no cenário de alta competição. Já para os patos-de-rabo-alçado-americanos, os machos maiores em maior competição cresciam um maior pênis (cerca de 18 centímetros), mas os machos menores desenvolveram inicialmente um pequeno pênis (apenas meio centímetro de tecido) e apenas no segundo ano desenvolveram pênis de tamanho normal, porém, mantidos por apenas 5 semanas, enquanto os machos maiores mantinham o pênis por 3 meses.
No caso dos patos-de-rabo-alçado-americanos, pode ser que o estresse durante as competições e maior risco de graves danos durante as brigas pelas fêmeas - são bem violentos, muitas vezes lutando até a morte - desencorajam a manutenção de pênis maiores nos machos menores, ou seja, a sobrevivência fala mais alto que a competição sexual nesses casos, onde vale mais a pena esperar por períodos mais oportunos. Aliás, os patos dessa espécie são um dos animais com um dos maiores pênis em termos de proporção corporal na natureza, com o órgão peniano algumas vezes ultrapassando o tamanho do próprio corpo.
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| Os patos-de-rabo-alçado-americano regeneram o pênis todos os anos |
Portanto, na próxima vez que você for visitar um lago com a sua família e testemunhar vários patos no período de acasalamento, saiba que pode existir uma guerra maluca de pênis ocorrendo ali.
Pênis Avianos
A maioria das aves - 97% de todas as espécies - não possui genitália externa e copula por meio de um "beijo cloacal", onde a cloaca do macho e da fêmea se tocam brevemente enquanto a fêmea recolhe o esperma. O falo masculino é encontrado em cerca de 3% de todas as espécies de aves e pode ser totalmente intromitente - longo o suficiente para penetrar a vagina da fêmea - ou não intromitente - um alargamento da cloaca que não penetra na vagina. O falo masculino foi retido da forma ancestral compartilhada por todos os amniotas e é encontrado apenas nas espécies de aves mais basais, incluindo os Paleognates, como a avestruz, o emu, a ema e os tinamídeos, bem como alguns Neognates, especificamente nos Galloanseriformes, que incluem patos e galinhas. Com a separação dos Neoaves - as aves "modernas" - a genitália externa masculina foi perdida.
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| O pênis intromitente de um Tinamou-grande (Tinamus major). Os pênis e vaginas variam de forma significativamente entre as aves e crescem de forma sazonal. Ref.3 |
É ainda incerto o porquê da perda da genitália externa em grande parte das linhagens de aves ao longo da evolução desses animais. Duas hipóteses que podem explicar a perda do pênis em aves são que a perda do pênis pode ajudar a minimizar a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis, ou que a perda do pênis pode ter evoluído como uma resposta à escolha feminina por machos menos violentos (Ref.3).
O pênis na maioria das aves é mantido invertido em uma bolsa na cloaca e se infla com linfa em vez de sangue. A ereção linfática dificulta que os machos mantenham o pênis rígido por longos períodos, visto que a linfa é um sistema de baixa pressão. Assim, o pênis nunca está ereto antes da cópula, desdobrando-se dentro da fêmea, de modo que não é possível vê-lo até o término do ato. A exceção parece ser o avestruz, que possui um corpo cavernoso sólido, composto de colágeno, com pequenos espaços eréteis, que não se inverte dentro da cloaca, mas simplesmente retorna ao seu interior. Esse pênis movido a energia linfática é uma novidade evolutiva nos amniotas, onde a maioria dos pênis é inflada por sangue.
> O falo feminino, que na maioria dos amniotas se torna o clitóris, está presente desde o início do desenvolvimento, mas parece ausente na ave adulta.
> A vagina é o primeiro segmento do trato reprodutivo feminino, entre a entrada da cloaca e a glândula da concha, e é tipicamente um tubo dobrado coberto por tecido conjuntivo. Este segmento está presente em todas as aves, independentemente de os machos possuírem ou não pênis.
REFERÊNCIAS
- Brennan et al. (2017). Evidence of phenotypic plasticity of penis morphology and delayed reproductive maturation in response to male competition in waterfowl. The Auk, 134(4):882-893. https://doi.org/10.1642/AUK-17-114.1
- http://www.nature.com/news/sexual-competition-among-ducks-wreaks-havoc-on-penis-size-1.22648
- Patricia L. R. Brennan (2022). Bird genitalia. Current Biology, Volume 32, Issue 20, PR1061-R1062. https://doi.org/10.1016/j.cub.2022.09.015

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novembro 05, 2017
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