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Estratégia consegue frear o avanço de insetos resistentes a transgênicos e reforça os princípios da Evolução Biológica


Enquanto agricultores orgânicos já usavam sprays de uma proteína sintetizada pela bactéria Bacillus thurigiensis (ou Bt) para matar insetos por mais de meio século, e com sucesso, nas últimas décadas passou a ser comum o uso de plantas geneticamente modificadas que recebiam os genes bacterianos responsáveis pela Bt. Assim, não é necessário borrifar a proteína, porque ela passa a ser produzida pelas plantas transgênicas. Em 2016, ao redor do mundo, mais de 240 milhões de acres de milho, algodão e soja foram plantados com versões geneticamente modificadas relativas ao Bt.

Apesar da proteína não fazer mal aos humanos - ou seja, seu consumo só é prejudicial a certos insetos -, os cientistas começaram a temer que essas plantas modificadas disparassem uma grande resistência evolutiva nos insetos. Infelizmente, esse processo começou a ser registrado, mas existe algo fácil já sendo utilizado que barra o alastramento de resistência entre os insetos considerados pestes.

Analisando plantações em 10 países, pesquisadores da Universidade do Arizona, EUA, descobriram que, de fato, estava existindo um processo evolucionário de resistência em algumas delas. Foram encontrados 16 casos de resistência em 2016 dentro de 36 analisados, em comparação com apenas 3 casos em 2005. Nesses casos, as pestes desenvolveram resistência em apenas um período médio de 5 anos, o que preocupa bastante.

Porém, em 17 outros casos, os insetos não desenvolveram resistência praticamente nenhuma às plantas Bt! O motivo? Bem, perto dessas plantações, haviam plantações não-modificadas, ou seja, que não produziam a proteína Bt. Assim, os insetos ali presentes não eram expostos à toxina e, portanto, não sofriam pressão da seleção natural. Como os genes de susceptibilidade à proteína são recessivos, quando os insetos não-resistentes cruzam com alguns resistentes que surgem nas plantações vizinhas modificadas, isso dá origem à descendentes não resistentes. No final, os genes de não-resistência acabam monopolizando ambas as plantações.

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Segundo os pesquisadores, ambos os cenários - plantações dominadas pelos insetos resistentes e plantações não-dominadas - seguem perfeitamente a teoria evolucionária e os resultados mostram que a estratégia de cultivar plantas Bt junto com plantas não-Bt é a melhor opção de longe. Aliás, eles já haviam simulado ambos os cenários em programas computacionais, seguindo princípios evolucionários, e os resultados obtidos foram os mesmos.

E em outras análises feitas pelos pesquisadores, mesmo quando as características genéticas de susceptiblidade não são recessivas, o surgimento da resistência é atrasado significativamente. Ou seja, a estratégia também é válida nesses casos.

*Nas imagens do início, temos, à esquerda a lagarta Helicoverpa zea, a qual evoluiu resistência à quatro proteínas Bt produzidas pelas plantações geneticamente modificadas. À direita, temos a lagarta Pectinophora gossypiella, bastante voraz e que rapidamente desenvolveu resistência à duas proteínas Bt produzidas em uma plantação na Índia, porém continua sendo suprimida no Arizona, mesmo depois de 20 anos, ao usar a estratégia de mesclar plantações modificadas e não-modificadas.



Publicação do estudo:  Nature
Estratégia consegue frear o avanço de insetos resistentes a transgênicos e reforça os princípios da Evolução Biológica Estratégia consegue frear o avanço de insetos resistentes a transgênicos e reforça os princípios da Evolução Biológica Reviewed by Saber Atualizado on outubro 11, 2017 Rating: 5

2 comentários:

  1. *Nas imagens do início, temos, à esquerda a lagarta Helicoverpa zea, a qual evolui resistência à quatro proteínas Bt produzidas pelas plantações geneticamente modificadas. À esqueda, temos a lagarta Pectinophora gossypiella, bastante voraz e que rapidamente desenvolveu resistência à duas proteínas Bt produzidas em uma plantação na Índia, porém continua sendo suprimida no Arizona, mesmo depois de 20 anos, ao usar a estratégia de mesclar plantações modificadas e não-modificadas.

    no texto a referência das imagens das lagartas esta como esquerda para ambas as imagens dificultando o entendimento do leitor

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