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Cientistas descobrem fungo que transforma moscas fêmeas em zumbis e machos em necrófilos


Para assegurar dispersão, vários parasitas e patógenos manipulam o comportamento de hospedeiros infectados. Já outros patógenos e certas flores imitam e liberam sinais de atração sexual para atrair animais diversos. Agora, em um estudo publicado no periódico The ISME Journal (Ref.1), pesquisadores descreveram uma tática única que que evoluiu em um fungo patogênico que une as duas estratégias (manipulação comportamental e atração sexual). Pertencente à espécie Entomophthora muscae e responsável por infectar moscas domésticas (Musca domestica) com esporos letais, o fungo manipula o comportamento das fêmeas infectadas e "enfeitiça" as moscas machos não-infectadas no sentido destes praticarem necrofilia com o corpo de fêmeas infectadas, aumentando a chance de uma nova infecção.


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Após ter infectado uma mosca fêmea com seus esporos, o fungo se espalha até que o hospedeiro tenha sido lentamente consumido vivo de dentro para fora através de enzimas específicas. Depois de ~6 dias, o fungo toma controle do comportamento da mosca fêmea e a força a ir para o ponto mais alto possível - seja sobre vegetação seja sobre uma estrutura artificial (ex.: parede) - onde a mosca, então, morre. Quando o fungo mata a fêmea "zumbi", ele então começa a liberar sinalizadores químicos voláteis conhecidos como sesquiterpenos.


Esses sinalizadores agem como feromônios que manipulam as moscas machos saudáveis, causando uma grande urgência por sexo nesses insetos e levando-os a copular com o cadáver das fêmeas. Enquanto a mosca macho copula com a fêmea morta, os esporos do fungo acabam impregnados nos machos - ejetados com velocidades de até 10 m/s -, os quais, então, se tornam infectados e têm o mesmo trágico destino das fêmeas. Nesse sentido, o E. muscae assegura sobrevivência.


Outro achado no estudo é que os cadáveres das fêmeas se mostraram mais atrativos para os machos "enfeitiçados" à medida que o tempo passava. Especificamente, os pesquisadores observaram que 73% das moscas machos analisadas copulavam com os cadáveres de fêmeas que tinham morrido pela infecção fúngica há 25-30 horas. Apenas 15% dos machos copulavam com os cadáveres de fêmeas que tinham morrido há 3-8 horas. A explicação para isso é que o número de esporos nas fêmeas mortas e infectadas aumentam com o passar do tempo, aumentando a liberação de sesquiterpenos.


A descoberta do sinistro fungo pode também abrir as portas para o desenvolvimento de ferramentas visando o controle biológico de moscas domésticas, estas as quais são potenciais vetores de patógenos e responsáveis por doenças em humanos e outros animais. Os sesquiterpenos produzidos pelo E. muscae podem, por exemplo, ser usados para atrair as moscas para armadilhas ao invés de cadáveres, ajudando a reduzir a população desses insetos.


REFERÊNCIAS

  1. Naundrup et al. (2022). Pathogenic fungus uses volatiles to entice male flies into fatal matings with infected female cadavers. ISME Journal. https://doi.org/10.1038/s41396-022-01284-x
  2. https://science.ku.dk/english/press/news/2022/zombie-fly-fungus-lures-healthy-male-flies-to-mate-with-female-corpses/


Cientistas descobrem fungo que transforma moscas fêmeas em zumbis e machos em necrófilos Cientistas descobrem fungo que transforma moscas fêmeas em zumbis e machos em necrófilos Reviewed by Saber Atualizado on julho 17, 2022 Rating: 5

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