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Mistério pode ter sido resolvido sobre a origem dessa estatueta feminina de 30 mil anos atrás

 

Em um estudo publicado recentemente no periódico Scientific Reports (Ref.1), pesquisadores finalmente parecem ter resolvido a origem da Vênus de Willendorf, uma pequena escultura simbólica produzida por humanos modernos há cerca de 30 mil anos, e encontrada no início do século XX na Áustria. De acordo com os autores do estudo, a matéria-prima para o objeto foi coletada próximo do Lago Garda, na parte sul dos Alpes, Itália. Os resultados sugerem significativa movimentação de antigos grupos humanos na Europa antes do Último Máximo Glacial.


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A estatueta conhecida como Vênus I - ou Mulher de Willendorf - foi encontrada na região de Danube, em Willendorf II/Áustria Inferior, durante escavações realizadas no dia 7 de agosto de 1908 e conduzidas pelo arqueólogo Josef Szombathy. Datada em cerca de 30 mil anos de idade através de análises geológicas, a estatueta estava localizada em em uma área cuja ocupação humana data do Aurignaciano Inferior, quando os humanos modernos (Homo sapiens) primeiro se estabeleceram em um frio ambiente Europeu de estepe, há cerca de 43,5 mil anos. Willendorf  - um sítio arqueológico Paleolítico - é uma das mais antigas evidências na Europa de humanos modernos, enfatizando o papel do corredor de Danúbio para a dispersão da nossa espécie no continente Europeu.


A estatueta em questão, hoje exibida no Museu de História Natural, em Viena, possui exatamente 11 centímetros de altura e representa uma fêmea humana adulta e sem rosto, com genitália exagerada, pronunciados quadris, uma protuberante barriga, massivas mamas e uma sofisticada touca ou corte de cabelo. A pequena escultura foi feita com oólitos de pedra calcária e pintada de vermelho, possivelmente com pigmento ocre, o qual foi quase que inteiramente removido após limpeza na época da descoberta.




As estatuetas de Willendorf (além de Vênus I, existem outras duas estatuetas mais jovens feitas de marfim, Vênus II e III) são parte de um sistema de representações Paleolíticas distribuído da França até a Rússia, e são muito similares a diferentes estatuetas Russas. Existem pelo menos 100 dessas estatuetas conhecidas, feitas de pedras, ossos ou com barro e fogo, e com similares formas e tamanhos. São tipicamente consideradas como símbolos de fertilidade do Paleolítico - com presença de sinais corporais expressando amamentação (Ref.2) -, mas seus potenciais significados são ainda debatidos, particularmente no contexto moderno do feminismo e da deletéria exploração do "corpo feminino ideal" (!). Seriam apenas símbolos de fertilidade e maternidade, ou também de atração sexual? Alguns autores já argumentaram que, em climas frios na pré-história, mulheres corpulentas eram símbolos de comunidades com sucesso reprodutivo (Ref.3).


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Até o momento, a origem da matéria-prima para a feitura da estatueta (Vênus I) não tinha sido esclarecida, especialmente considerando a ausência de oólitos de pedra calcária dentro e ao redor da região de Willendorf. Por causa do valor único da Vênus I, um dos mais famosos sinais de comportamento simbólico do antigo H. sapiens, investigações invasivas têm sido impossibilitadas, dificultando a investigação científica da origem dessa estatueta.


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No novo estudo, os pesquisadores usaram tomografia micro-computacional (µCT) para obter imagens radiográficas tridimensionais (3D) com resolução próxima a secções finas e microscopia, de até 11,5 micrômetros (µm). No interior da estatueta, foram revelados sedimentos de diferentes densidades e tamanhos, vestígios de conchas e grandes grãos chamados de limonitos. Segundo os pesquisadores, as cavidades encontradas na superfície da estatueta provavelmente foram formados quando limonitos mais duros foram quebrados durante sua feitura. Os vestígios de conchas, com apenas 2,5 milímetros de comprimento, foram datados do período Jurássico, descartando depósitos formados no Mioceno (ex.: próximos da bacia de Viena) como origem da matéria-prima para a obra.


Preparando amostras comparativas obtidas da Áustria e outras regiões da Europa (da França até o leste da Ucrânia, e da Alemanha até a Sicília), os pesquisadores encontraram que o material da Vênus I era estatisticamente indistinguível de amostras coletadas na região do Lago Garda, no norte da Itália e na parte sul dos Alpes.


Os resultados do estudo fortemente sugerem que a estatueta (ou o seu material) atravessou os Alpes ao longo de um extenso período de tempo à medida que os humanos modernos - ligados à cultura Gravetiana - viajavam acompanhando rios em busca de alimento/caça e climas mais agradáveis. Tal complicada e longa viagem provavelmente teria envolvido várias gerações, considerando uma rota de migração mais provável contornando os Alpes. 


Outra interessante possibilidade com suporte estatístico muito menor (possível mas improvável) é a origem do material no leste da Ucrânia, a mais de 1600 km de distância linear de Willendorf. Estatuetas de Vênus muito similares à Vênus I são encontradas em uma região próxima, no Sul da Rússia, e análises genéticas apontam que humanos modernos nas regiões Central e Oriental da Europa estavam conectadas nessa época.


Ambos os cenários, aquele estatisticamente favorável e aquele estatisticamente desfavorável, implicam considerável mobilidade do povo Gravetiano ao redor de 30 mil anos atrás, antes da última Era do Gelo.


REFERÊNCIAS

  1. Weber et al. (2022). The microstructure and the origin of the Venus from Willendorf. Scientific Reports 12, 2926. https://doi.org/10.1038/s41598-022-06799-z 
  2. Qasim, Erika (2013). Female Figuirines: The Milk Squirting - Venus Galaktorainoussa. Das Altertum 58, 4: 289-306. 
  3. Bertamini & Palumbo (2015). The aesthetics of smooth contour curvature in historical context. University of Liverpoopl. https://www.bertamini.org/lab/Publications/BertaminiPalumbo2015.pdf


Mistério pode ter sido resolvido sobre a origem dessa estatueta feminina de 30 mil anos atrás Mistério pode ter sido resolvido sobre a origem dessa estatueta feminina de 30 mil anos atrás Reviewed by Saber Atualizado on março 09, 2022 Rating: 5

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