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Mudanças climáticas: recordes de temperatura nos oceanos e de incêndios


Com os países falhando em implantar políticas visando reduzir as emissões de gases de efeito estufa, especialmente dióxido de carbono (CO2) via queima de combustíveis fósseis e desmatamento, o aquecimento global antropogênico continua acelerado e alimentando os piores cenários previstos para as mudanças climáticas. Recordes de temperaturas e emissões de gases estufas continuam sendo quebrados, geleiras estão desaparecendo, o nível e a acidez dos mares continuam subindo, e cada vez mais eventos temporais extremos são observados. Recentemente um estudo confirmou que o Furacão Florence foi, de fato, exacerbado pelo aquecimento global antropogênico (I).

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(I) Para mais informações, acesse: Modelos climáticos e as Nuvens: Por que os negacionistas insistem nessas teclas?

Agora, dois novos estudos somam mais preocupações: o aquecimento dos oceanos bateu outro recorde em 2019 - registrando uma temperatura média nunca antes registrada na história humana, especialmente entre a superfície e uma profundidade de 2 mil metros - e os cientistas trouxeram a primeira forte evidência de que os massivos incêndios florestais na Austrália foram alimentados pelas atuais mudanças climáticas, incluindo as temperaturas 1°C acima da média de longo prazo no território do país.

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No primeiro estudo, publicado no periódico Advances in Atmospheric Sciences (1), e realizado por um time internacional de 14 cientistas e 11 instituições ao redor do mundo, foi encontrado que a temperatura global dos oceanos está aumentando de forma acelerada e sem precedentes. De acordo com os pesquisadores, a temperatura dos oceanos em 2019 está cerca de 0,075°C acima da média de 1981-2010. Para alcançar essa temperatura, é estimado que os oceanos absorveram 228 sextilhões de joules de calor! Em outras palavras, a quantidade de calor que o aquecimento global antropogênico colocou nos oceanos nos últimos 25 anos é equivalente à explosão de 3,6 bilhões de bombas atômicas com o poder similar àquela detonada em Hiroshima no final da Segunda Guerra Mundial.

Os pesquisadores chegaram nesses valores ao analisarem dados do Instituto de Física Atmosférica da Academia Chinesa de Ciências, China, e também da Administração Nacional Atmosférica e Oceânica dos EUA (NOAA). O conjunto independente de dados reforçaram que os últimos cinco anos têm sido os mais quentes no registro global de temperaturas oceânicas.

Os pesquisadores também compararam o registro de dados de 1987 a 2019 com aquele correspondente ao período de 1955 até 1986. Eles encontraram que ao longo das últimas seis décadas, o mais recente aquecimento foi ~450% maior do que o aquecimento mais antigo, refletindo um robusto e preocupante aumento na taxa do aquecimento global e nas mudanças climáticas consequentes. E os impactos desse processo já estão sendo sentidos em fenômenos climáticos-temporais altamente destrutivos (como o Furacão Florence em 2018 e o Furacão Harvey em 2017) e no ecossistema marinho em geral, com massivas perdas de biodiversidade desde fitoplânctons até peixes.

Mais de 90% do excesso de calor gerado pelo aquecimento global é armazenado nos oceanos ao redor do mundo, aumentando não só a temperatura das águas marinhas como também o nível dos mares via expansão térmica. Como os oceanos representam o principal repositório do desbalanço de energia da Terra, medir o conteúdo de calor oceânico (OHC) é um dos melhores meios para quantificar a taxa de aquecimento global antropogênico.

O rápido aquecimento dos oceanos também é corroborado pelo reporte do NOAA e da NASA publicado esta semana de que o ano de 2019 foi o segundo mais quente desde que o registro começou em 1880 e em termos de temperatura média global superficial (2). Em 2019, a temperatura média da superfície do planeta estava 0,98°C maior do que a média do período de 1951-1980. Segundo os pesquisadores da NASA, não existe mais qualquer dúvida que a tendência climática vista nas últimas décadas é causada pela crescente emissão antropogênica de gases estufas. E as temperaturas superficiais só não estão muito mais altas e em contínuo crescimento justamente porque os oceanos absorvem a maior parte da energia térmica gerada pelo aquecimento global.


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Já no segundo estudo, cientistas da Universidade de East Anglia (UEA), Universidade de Exeter e do Imperial College London conduziram uma Revisão de Resposta Rápida (3) em 57 artigos científicos revisados por pares publicados desde o último reporte do IPCC em 2013. A revisão visou responder o questionamento mais recente sendo feito pelo público, governos e cientistas: os massivos incêndios na Austrália - os quais já mataram mais de 1 bilhão de animais, incluindo a morte de 27 pessoas e milhares de casas destruídas - e em parte os incêndios na Califórnia em 2018 e as queimadas na Amazônia em 2019 (II) foram exacerbados pelo aquecimento global antropogênico e as consequentes mudanças climáticas?

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(II) Para mais informações, acesse: Estudo refuta o governo Brasileiro sobre as queimadas na Amazônia

Os pesquisadores encontraram que todos os estudos analisados mostraram uma positiva associação entre mudanças climáticas e o aumento na frequência ou na severidade do alastramento de fogo ligado a incêndios florestais e queimadas durante temporadas de fogo (períodos com um maior risco de fogo devido à combinação de altas temperaturas e baixa umidade, baixa pluviosidade e ventos fortes mais frequentes).

Aumento das temperaturas médias globais, ondas de calor mais frequentes e mais eventos de secas em algumas regiões - todos fatores fomentados pelas atuais mudanças climáticas - aumentam a probabilidade de incêndios ao estimular condições quentes e pouco úmidas que promovem o alastramento de fogo nas estações propícias. Dados observacionais reunidos pelos pesquisadores mostraram que as temporadas de fogo aumentaram de duração ao longo de aproximadamente 25% da superfície da Terra coberta por vegetação, resultando em um aumento de ~20% na duração média global desses períodos. O risco e o registro de grandes incêndios aumentou substancialmente nos últimos anos até mesmo na Sibéria e na Escandinávia.

A revisão da literatura acadêmica foi realizada usando a nova plataforma online ScienceBrief.org, estabelecida pela UEA e o Centro Tyndall para Pesquisa das Mudanças Climáticas. A plataforma é editada pela comunidade científica e visa compartilhar conhecimentos e análises científicas com o mundo de forma atualizada e com base em artigos científicos revisados por pares (alta qualidade). A revisão sobre a associação entre mudanças climáticas e temporadas de fogo foi a primeira a ser lançada na ScienceBrief.



(1) Publicação do estudo: AAS

(2) Referência: NASA

(3) Publicação da revisão: ScienceBrief
Mudanças climáticas: recordes de temperatura nos oceanos e de incêndios Mudanças climáticas: recordes de temperatura nos oceanos e de incêndios Reviewed by Saber Atualizado on janeiro 15, 2020 Rating: 5

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