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Cientistas conseguem gerar ratos saudáveis a partir de pais do mesmo sexo


Descrito em um estudo publicado no periódico Cell Stem Cell, pela primeira vez pesquisadores conseguiram usar o material genético de dois ratos fêmeas para a geração de filhotes saudáveis. E, o mais importante, grande parte desses filhotes nasceram saudáveis, com alguns até mesmo procriando mais tarde. Por outro lado, quando os pesquisadores tentaram fazer o mesmo procedimento com dois ratos machos, os filhotes gerados só conseguiram sobrevier por alguns dias.

Entre os vertebrados, algumas espécies de aves, peixes e lagartos - como o Dragão-de-Komodo (1) - conseguem se reproduzir usando apenas um sexo ou um indivíduo (partenogênese), mesmo que, no geral, tenham evoluído para se reproduzirem com a participação de um macho e uma fêmea. No entanto, entre os mamíferos, não existem exceções conhecidas, e todas as espécies desse grupo precisam de dois membros do sexo oposto para se reproduzirem naturalmente.


A impossibilidade desse tipo de reprodução nos mamíferos ainda não é totalmente entendida entre os cientistas (2), mas estudos prévios já mostraram que a causa principal repousa em marcadores genéticos específicos (genetic imprinting), os quais são pequenas biomoléculas que se anexam ao DNA e são responsáveis por desligar um gene. Aliás, já foram descobertos cerca de 100 desses marcadores, muitos dos quais são encontrados em genes que afetam o crescimento do embrião. Nesse contexto, muitos genes que são marcados em um sexo permanecem desmarcados no sexo oposto. Em outras palavras, combinando dois gametas contendo os mesmos marcadores para a formação de um embrião - ou seja, gametas do mesmo sexo - acaba levando à morte desse último.


Para superar essa barreira imposta pelo genetic imprinting, um time de cientistas Chineses da Academia Chinesa de Ciências, em Pequim, liderado pelo pesquisador Qi Zhou, manipularam células-tronco embrionárias haploides tanto de espermatozoides quanto de óvulos (haESCs) oriundas de ratos e crescidas em laboratório. Através de tentativa e erro, mas orientados por estudos prévios explorando o genetic imprinting, eles conseguiram deletar regiões genéticas que abrigavam os marcadores de entrave, como os genes H19 e Rasgrf1, presentes nas haESCs. Então, eles pegaram es culturas de células-tronco com deleção em três regiões genéticas e as combinaram com o óvulo de outra fêmea de rato para a criação de filhotes a partir de duas mães.

Os pesquisadores também repetiram o mesmo procedimento com os espermatozoides em cultura geneticamente manipulados (nesse caso, via deleção de 7 regiões genéticas), mas unindo essas células haploides com outros espermatozoides dentro de um óvulo sem núcleo (conjecção), criando uma célula diploide pronta para entrar em processo de sucessivas mitoses no desenvolvimento embrionário. O óvulo nesse caso é necessário porque ele estará carregando material genético mitocondrial, ausente no espermatozoide e necessário para a formação da mitocôndria (organela que gera a energia para a formação de ATP nas células eucarióticas).




O resultado foi a criação de 29 filhotes saudáveis a partir de duas fêmeas, 7 dos quais conseguiram ter seus próprios filhotes mais tarde. Já com a junção dos material genético de dois machos, os pesquisadores conseguiram gerar 12 filhotes, mas estes duraram apenas 2 dias, após expressarem problemas de saúde diversos, incluindo dificuldade de respirar e excesso de fluídos nos tecidos.

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No geral, os pesquisadores conseguiram revelar regiões genéticas que estão realmente envolvidas com a impossibilidade de partenogênese entre os mamíferos e a união viável entre gametas de indivíduos do mesmo sexo. Esse avanço, futuramente, pode até mesmo possibilitar que casais homossexuais possam ter filhos a partir do material genético de ambos os parceiros.

No entanto, ainda é muito cedo para se começar a sonhar com a possibilidade da técnica ser usada em humanos. A taxa de sucesso com os embriões de ratos foi somente de 14% entre fêmeas e de 2,5% entre machos, e ainda não são conhecidos todos os efeitos a curto e a longo prazo afetando o desenvolvimento do indivíduo gerado com a nova técnica. Além disso, existe, obviamente, toda uma questão ética e religiosa envolvida.

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Publicação do estudo: Cell

Referência adicional: Nature (Blog) 

Cientistas conseguem gerar ratos saudáveis a partir de pais do mesmo sexo Cientistas conseguem gerar ratos saudáveis a partir de pais do mesmo sexo Reviewed by Saber Atualizado on outubro 13, 2018 Rating: 5

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