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O dedão foi uma das últimas partes anatômicas a evoluir nos ancestrais humanos



Um estudo publicado esta semana na Proceeding of the National Academy of Sciences, analisando a anatomia do pé dos atuais hominídeos e dos nossos ancestrais, trouxe um melhor esclarecimento sobre como o nosso distinto apoio bipedal evoluiu desde que deixamos as árvores.

Seja para deixar nossas mãos mais livres para a manipulação de ferramentas, seja para a exploração de novos ambientes, durante as divergências evolutivas entre os primatas uma ou mais linhagens deram origem ao notável modo de andar ereto dos humanos modernos, dependente em grande peso de uma distinta e peculiar anatomia nos pés.

O pé dos atuais primata, em geral, possui a função anatômica de agarrar, expressando ossos, tecidos moles e articulações que evoluíram para maximizar a força e a estabilidade em uma variedade de configurações de pegada. Os humanos, por outro lado, são a notória exceção nesse padrão primata, com pés que evoluíram para suportar a distinta e única demanda biomecânica e energética de locomoção bipedal. Uma das principais partes anatômicas de importância para o bipedalismo é a morfologia das articulações na parte frontal do pé, conhecida como articulações metatarsofalangeais, as quais ainda não tinham seu percurso evolucionário satisfatoriamente esclarecido.


Nesse sentido, pesquisadores da Universidade de Marquette, EUA, liderados pelo Dr. Peter Fernandez, realizaram uma análise comparativa filogenética Bayesiana e de formas multivariadas dos metatarsais (MTs) de uma ampla seleção de primatas antropoides  (incluindo fósseis e linhagens catarrinas) e da maioria dos fósseis pedais bem conservados dos primeiros hominins do período Plio-Plestoceno, incluindo gêneros como Ardipithecus, Australopithecus, Parathropus, Homo, e o mais antigo fóssil pedal conhecido dos nossos ancestrais, da espécie Ardipithecus ramidus.

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Os resultados da análise - realizada via escaneamentos tridimensionais - corroboraram a importância de morfologias ósseas específicas, como a expansão da cabeça metatarsal e formato côncavo, para o bipedalismo terrestre nos hominins. Além disso, os modelos evolucionários construídos pelos pesquisadores revelarem que o MT1 (na base do dedão) do Ar. ramidus sofreu variações distanciando-o da morfologia do nosso último ancestral comum com os chimpanzés e e bonobos, mas não necessariamente na direção dos humanos modernos. No entanto, os outros MTs (MT2-MT5) já tinham se modificado nessa espécie ao encontro do padrão visto no Homo sapiens, sugerindo que eles foram os primeiros dedos a evoluírem durante a adaptação à locomoção terrestre, enquanto o dedão parece ter evoluído bem mais tarde em termos de ir ao encontro do H. sapiens, com início evidente no H. naledi. Somando-se a isso, os  resultados também reforçaram que os hominídeos já eram capazes de andar eretos com facilidade há cerca de 4,4 milhões de anos.


No geral, foi encontrado uma maior ênfase adaptativa para o bipedalismo na parte lateral dos pés na fase inicial da exploração terrestre, representando provavelmente a condição primitiva para o bipedalismo dos hominídeos.

Segundo a conclusão dos pesquisadores, como o dedão possui fundamental importância para a otimização ideal de gasto energético e estabilidade biomecânico no nosso bipedalismo, sua ocorrência bastante tardia mostra que sua estrutura foi a mais difícil de ser positivamente mudada em termos adaptativos para a locomoção terrestre. De fato, entre todos os nossos dedos, seja da mão, seja do pé, ele é o que mais se destaca. E somando-se a isso, se considerarmos a morfologia do MT1 e de outras estruturas ósseas no gênero Ardipithecus (especialmente a pélvis), é provável que esses nossos ancestrais ainda passavam boa parte do tempo de vida nas árvores. Ou seja, outro fator para o nosso distinto dedão demorar a despontar no percurso evolucionário é que ele pode ter servido ainda como um auxiliar na locomoção entre os galhos das árvores ('agarrar objetos') para os nossos primeiros ancestrais hominins, enquanto os outros dedos ajudavam na exploração terrestre e cumpriam o papel de apoio e propulsão do dedão visto no gênero Homo. Infere-se portanto que o dedão começou a tomar forma moderna apenas quando abandonamos de vez as árvores.

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Publicação do estudo: PNAS

O dedão foi uma das últimas partes anatômicas a evoluir nos ancestrais humanos O dedão foi uma das últimas partes anatômicas a evoluir nos ancestrais humanos Reviewed by Saber Atualizado on agosto 15, 2018 Rating: 5

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