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O povo Bajau evoluiu um baço bem maior associado com a prática de mergulho


O povo Bajau, do Sudeste Asiático, conhecido como 'Nômades do Mar', engloba indivíduos e famílias que passam suas vidas inteiras interagindo com as águas marinhas, trabalhando cerca de oito horas diárias em tarefas de mergulho sem o uso de sofisticados equipamentos, apenas algumas ferramentas básicas, como um protetor ocular de madeira para permitir uma melhor visibilidade dentro do mar. A sobrevivência dos Bajau, há mais de mil anos, depende da caça por mergulho de peixes e moluscos marinhos. Aliás, são mais do que ótimos mergulhadores e são bem famosos por segurarem a respiração por bastante tempo.


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Agora, em um fascinante estudo publicado no periódico Cell, pesquisadores da Universidade da Califórnia, San Diego, reportaram que a extraordinária habilidade de mergulho dos Bajau parece estar ligada em grande parte ao anormal grande baço presente entre os indivíduos desse povo. E essa característica fisiológica adaptativa mostrou estar geneticamente associada com a seleção natural, o que sugere um perfeito exemplo evolutivo em humanos modernos, segundo os pesquisadores. O achado também pode ter importantes implicações médicas associadas ao entendimento de como os humanos lidam fisiologicamente com uma hipoxia aguda.


O tamanho do baço é algo importante nas respostas do corpo humano à atividade de mergulho, com o órgão respondendo de forma bem distinta quando nossos rostos estão submergidos em água fria e seguramos nossa respiração (fenômeno comum entre mamíferos aquáticos e conhecido como 'reflexo de mergulho'). À medida que a taxa de batimentos cardíacos diminui (bradicardia), e nossos vasos sanguíneos nas extremidades do corpo contraem para levar mais oxigênio aos órgãos sensíveis à hipoxia, o baço contrai e libera células vermelhas (hemácias) oxigenadas para aumentar a disponibilidade de oxigênio na corrente sanguínea.

Uma única contração do baço libera cerca de 160 ml de células vermelhas, com um aumento de hemoglobina na circulação sanguínea que corresponde a um aumento de 2,8%-9-6% no conteúdo de oxigênio circulante. Um baço maior significa que mais oxigênio é armazenado e que mais oxigênio pode ser liberado. Isso sugere que existe uma forte associação entre a capacidade de segurar a respiração em um mergulho e o tamanho do baço, com isso já tendo sido observado em espécies de focas.

Nesse sentido, os pesquisadores responsáveis pelo novo estudo primeiro notaram que os Bajaus que mergulhavam possuíam um baço bem maior do que os indivíduos de comunidades vizinhas (estes os quais não deveriam ter significativas diferenças genéticas e no fenótipo) que não possuíam a cultura de mergulho, e nem dependiam dessa atividade. Essa diferença de tamanho alcançava uma notável média de 50%.

Bem, poderia ser que os mergulhadores do povo Bajau estivessem expressando grandes baços devido a efeitos plásticos e epigenéticos de adaptação à atividade de mergulho, algo que não indicaria necessariamente um processo evolutivo. Porém, os pesquisadores mostraram que tanto os indivíduos que mergulhavam quanto aqueles que não mergulhavam dentro do povo Bajau possuíam anormais grandes baços! Em outras palavras, havia algo de diferente com o DNA dos Nômades do Mar.


Nesse sentido, uma análise do DNA dos Bajaus foi realizada. O resultado foi a identificação de 25 locais genômicos que diferiam significativamente de duas populações comparativas próximas, os Saluanos e os Chineses Han. Desses locais, um em especial, associado com o gene PDE10A, estava fortemente associado com o grande baço dos Bajaus, mesmo após os pesquisadores descontarem fatores em conflito, como idade, sexo e altura. Em ratos, o PDE10A é conhecido por regular um hormônio da tireoide que controla o tamanho do baço, dando ainda mais suporte para a ideia de que os Bajaus podem ter evoluído essa parte anatômica como uma resposta adaptativa aos frequentes e longos mergulhos que marcam culturalmente várias gerações desse povo. Somando-se a isso, os pesquisadores também encontraram evidências para uma forte seleção natural do BDKRB2, um gene que afeta o reflexo humano de mergulho.

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Além de trazer novos conhecimentos sobre os processos evolutivos na espécie humana, o novo estudo ainda abre novas fronteiras genéticas para se trabalhar problemas ligados à hipoxia (falta de oxigênio) aguda, como a apneia (1). Antes tal condição só tinha sido investigada em populações que vivem em altas altitudes, onde o ar é mais rarefeito e, portanto, possui menor concentração de gás oxigênio.

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Artigo recomendado: A Evolução Biológica é um FATO

(1) Para mais informações, acesse: Causas e tratamentos do ronco

Publicação do estudo:  Cell

O povo Bajau evoluiu um baço bem maior associado com a prática de mergulho O povo Bajau evoluiu um baço bem maior associado com a prática de mergulho Reviewed by Saber Atualizado on abril 19, 2018 Rating: 5

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