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Por causa do descaso político e da falta de pagamentos, Brasil é suspenso do ESO, ferindo gravemente nossa Astronomia


Para piorar os gigantescos cortes governamentais na área da Ciência, a esperança do Brasil de se juntar ao ESO (Observatório Europeu do Sul, na tradução do inglês) pode ter chegado ao fim esta semana. O consórcio Europeu - que engloba 15 nações - anunciou a suspensão de um acordo firmado há 7 anos que permitia ao nosso país se tornar o primeiro membro não-Europeu da ESO. E essa triste notícia traz grande preocupação para os astrônomos brasileiros.

O ESO é uma organização intergovernamental de pesquisa em astronomia. Foi criado em 1962 com o objetivo de proporcionar as mais avançadas instalações e acesso ao céu austral para astrônomos Europeus. Em Dezembro de 2010, com o suporte do governo federal, o Conselho ESO aprovou um plano - conhecido como Acordo de Acessão - no qual o Brasil prometeu pagar 270 milhões de euros ao longo de 10 anos para obter o status de membro oficial dessa organização. O acordo foi aprovado pelo Congresso Brasileiro em Maio de 2015, mas nenhum dos próximos governos seguindo essa data ratificaram o acordo, e o nosso país nunca fez quaisquer pagamentos para o consórcio. Críticos do acordo, incluindo muitos políticos e até mesmo alguns astrônomos, achavam o valor de pagamento muito alto, especialmente com a crescente crise engolindo o país.


Assim que o acordo tinha sido aprovado em 2010, a ESO tinha permitido que o Brasil entrasse como membro ínterim, permitindo que os nossos astrônomos se aplicassem para observações astronômicas com os instrumentos altamente avançados da ESO sob as mesmas vantagens dos cientistas oriundos dos países Europeus membros. Porém, como o Brasil desde 2015 começou a mostrar sinais de que nunca honraria o acordo e de que não faria os pagamentos, a ESO anunciou esta semana o fim da parceria com os brasileiros. Disse, no entanto, que permaneceria aberta para renegociações.

- Continua após o anúncio -



De acordo com o Presidente da Sociedade Astronômica Brasileira, Reinaldo de Carvalho, agora os cientistas Brasileiros estão impossibilitados de competir com a 'Astronomia do Primeiro Mundo' e que muitos astrônomos no Brasil que dependiam das instalações da ESO estão agora em maus-lençóis. Praticamente voltamos ao passado, há mais de 7 anos, quando era bastante custoso conseguir períodos disponíveis para se usar as tecnologias de última geração da ESO - algo que, infelizmente, inexiste no Brasil por falta de investimentos mínimos em Ciência.

Nos últimos 7 anos, o Brasil teve considerável destaque internacional na Astronomia, especialmente por estar em íntima parceria com a ESO - mesmo não contribuindo financeiramente em nada como membro. Além disso, nossos cientistas estavam empenhados na construção de novos instrumentos para a ESO, trabalho este que, pelo menos, irá continuar - apoiado pela ESO inclusive -, independentemente do fim da parceria.

Carvalho enfatiza que sem a ESO, nós estamos fadados a produzir ciência de segunda-classe e que, portanto, a prioridade agora é tentar restabelecer o acordo suspenso.


- Ciência não é gasto. Ciência é investimento! -


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Referência: Science

Por causa do descaso político e da falta de pagamentos, Brasil é suspenso do ESO, ferindo gravemente nossa Astronomia Por causa do descaso político e da falta de pagamentos, Brasil é suspenso do ESO, ferindo gravemente nossa Astronomia Reviewed by Saber Atualizado on março 16, 2018 Rating: 5

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