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Proteína do Alzheimer pode se espalhar como uma infecção pelo cérebro

Pela primeira vez, os pesquisadores encontraram evidências em seres humanos - in vivo - de que a proteína tau, a qual gera diversos danos no cérebro atingido pela doença de Alzheimer, se espalha de neurônio para neurônio (apesar dessa não ter sido uma observação direta). Os achados foram detalhados em um estudo publicado esta semana no periódico Brain.

A proteína Tau é uma de duas proteínas (3R e 4R) - junto com a beta-amiloide - que formam agrupamentos anormais no cérebro de pessoas com Alzheimer. Enquanto os depósitos de tau ocorrem no interior dos neurônios, a beta-amiloide forma placas no exterior dessas células cerebrais. Cientistas há um bom tempo debatem sobre qual é a mais impactante para o grave problema neurodegenerativo, com evidências sugerindo que a tau é a responsável pelos efeitos tóxicos diretos no cérebro, apesar de estar em sinergia com a beta-amiloide.


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No novo estudo, um time de pesquisadores da Universidade de Cambridge, Reino Unido, combinaram duas técnicas de leitura cerebral - imagem por ressonância magnética funcional e varredura por tomografia de emissão de pósitrons (PET) - em 17 pacientes com Alzheimer, 17 pacientes com paralisia progressiva supranuclear (PPS) e 12 controles, para mapear tanto o acúmulo de tau quanto a conectividade funcional do cérebro (como regiões cerebrais espacialmente separadas se comunicam uma com as outras). Surpreendentemente, os pesquisadores encontraram as maiores concentrações das danosas taus em regiões do cérebro pesadamente interconectadas com outras no Alzheimer de forma a sugerir que a tau pode estar se espalhando como um infecção de gripe ou resfriado em meio à população: quanto mais próximas e em grande quantidade estão as pessoas, mais fácil para o vírus se propagar.

Apesar de existir a possibilidade que essas áreas de densas interconexões possam ser mais vulneráveis ao acúmulo danoso das taus - descartando uma ação de disseminação -, as análises cerebrais dinâmicas dos pacientes com PSP não deram suporte para tal cenário. Na verdade, já se sabia que as áreas mais afetadas pelas neuropatologia e atrofia do Alzheimer eram as mais conectadas no cérebro, mas não se sabia o porquê.



Os resultados vêm para dar ainda mais suporte para a hipótese de "disseminação trans-neuronal" para o Alzheimer. Nesse sentido, a proteína tau teria um ponto inicial de expressão e então começaria a ser mover ao longo dos neurônios e sinapses para outras partes do cérebro. Em experimentos com ratos, esse padrão já havia sido demonstrado, mas essa é a primeira vez que isso também é observado em humanos. Ainda segundo os resultados, onde a acumulação da tau era maior, as regiões cerebrais como um todo eram menos conectadas. A força das conexões neurais também diminuíam, e as conexões estavam ficando cada vez mais aleatórias.

Porém, o estudo ainda não é conclusivo, onde o grupo de controle foi pequeno e não foi realizado um acompanhamento longitudinal (não seguiu os pacientes por um certo período mínimo de tempo) para provar a validação sobre a natureza dissemintatória da tau.

De qualquer forma, se confirmada a hipótese, novas estratégias terapêuticas podem ser criadas para frear essa disseminação da tau, algo que pode ser decisivo para a cura do Alzheimer.


Publicação do estudo: Brain

Proteína do Alzheimer pode se espalhar como uma infecção pelo cérebro Proteína do Alzheimer pode se espalhar como uma infecção pelo cérebro Reviewed by Saber Atualizado on janeiro 09, 2018 Rating: 5

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