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Satélites espiões estão revelando os Impérios perdidos do Afeganistão


Apesar do Afeganistão estar atualmente fora do alcance físico dos arqueólogos por causa dos conflitos entre o Talibã e as forças governamentais tornando o ambiente de campo perigoso demais para pesquisas, uma nova e poderosa ferramenta analítica surgiu para mais do que compensar essa situação.

Pesquisadores dos EUA e do Afeganistão, em colaboração financiada pelo Departamento de Estado dos EUA, estão analisando dados visuais de satélites comerciais, de satélites espiões norte-americanos e de drones militares, e obtendo imagens de remotos lugares que são perigosos demais para os arqueólogos visitarem. Os dados acumulados estão revelando milhares de locais da antiguidade nunca antes catalogados no país, os quais, por mais de um milênio serviram como cruciais caminhos ligando o Leste ao Oeste.



Com os novos achados, arqueólogos estão dizendo que o número de vestígios arqueológicos afegãos publicados mais do que triplicou, indo para mais de 4500. As descobertas incluem caravancerais - enormes complexos arquitetados para hospedar viajantes e construídos nos primeiros séculos d.C. até o século XIX -, sistemas de antigos canais invisíveis se vistos do solto, entre outros. Essas fantásticas descobertas estão até mesmo reanimando aposentados arqueólogos octogenários.

Entre os recentes achados de um time de pesquisadores da Universidade de Chicago (UChicago) estão 119 caravançarais do final do século XVI e início do século XVII, afastados um dos outros por aproximadamente 20 km - aproximadamente um dia de jornada com uma grande caravana - ao longo dos proibidos desertos do sul. Os vestígios das construções mostram complexos com uma extensão aproximada de um campo de Football dos EUA em cada lado e hospedavam centenas de pessoas e milhares de camelos. Eles formavam linhas de rota que ligavam a capital do poderoso Império Safavid, Isfahan, no que hoje é o Irã, com o Império Mughal que naquela época dominava o subcontinente Indiano.

As caravanas que aportavam nesses locais carregavam enormes quantidades de seda, gemas, especiarias e madeira da Índia, além de porcelana da China e cargas menos exóticas, como peixe seco. E a regularidade encontrada na construção dos caravançarai, segundo os especialistas, sugerem um esforço ambicioso e centralizado para assegurar um fluxo seguro e consistente de mercadorias. Isso contradiz ideias anteriores de que o Império Safavid - que se estendeu da Turquia ao Paquistão e fez o Islamismo Xiita sua religião oficial no século XVII - estava em declínio naquele período.

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Os dados dos satélites conseguem fornecer imagens aéreas em altíssima resolução, identificando sutis mudanças topográficas tão pequenas quanto 10 centímetros de extensão e 50 centímetros de profundidade. Em imagens obtidas dos Corpos de Engenheiros do Exército dos EUA, centenas de assentamentos construídos ao longo de mais de um milênio à medida que o Rio Balkhab mudava o seu curso a partir dos primeiros séculos d.C. até períodos medievais, com as pessoas seguindo religiosamente a água neste árido ambiente. Nessa área, décadas atrás, arqueólogos Soviéticos perceberam 77 grandes assentamentos, mas o grupo de pesquisadores da UChicago, com o auxílio dos satélites, contaram mais de 1000 vilas e cidades antigas, sugerindo que a área possuía uma densidade populacional muito maior do que antes pensado. Os dados também ajudaram os pesquisadores a traçar uma localidade central na Rota da Seda ligando a China com a Europa. E aproveitando os padrões de construção com a movimentação do rio, pode até ser possível já iniciar a datação dos assentamentos.

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Em outro significativo achado, estão centenas de locais construídos durante o Império Partiano, o qual floresceu na mesma época que o Império Romano, também nos primeiros séculos d.C. Observações mostraram um extensivo sistema de canais que provavelmente fomentou campos de plantação por quase um milênio. E em apenas um dos vales caracterizados, os pesquisadores encontraram uma variedade de edificações religiosas, incluindo um santuário Budista, templos de fogo Zoroastrianos, e santuários Helenísticos tanto com caracteres gregos e quanto aramaicos gravados em blocos de pedra. Isso sugere que a maioria dos Zoroastrianos Partianos toleravam uma grande variedade de tradições.

 Além de estarem trazendo um grande presente de Ano-Novo para a Arqueologia, os incontáveis achados podem ajudar o governo Afegão a melhor proteger essas áreas, através de um guia arquelógico sendo destrinchado pelos satélites e pelas análises dos pesquisadores.


Referência: Science

Satélites espiões estão revelando os Impérios perdidos do Afeganistão Satélites espiões estão revelando os Impérios perdidos do Afeganistão Reviewed by Saber Atualizado on dezembro 23, 2017 Rating: 5

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