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Medicamento de emagrecimento é tão efetivo que pode substituir a cirurgia bariátrica


Em um estudo clínico randomizado de grande porte e alta qualidade publicado hoje no periódico The New England Journal of Medicine (1), pesquisadores anunciaram um "novo" medicamento que pode revolucionar o tratamento farmacológico da obesidade e do sobrepeso. Mais de um terço (35%) dos participantes que tomaram o fármaco em questão (semaglutida) perderam 20% ou mais da massa corporal total, e, na média mais de 15%, sustentando a perda de massa corporal por mais de 1 ano (interrupção do tratamento). O fármaco é atualmente prescrito para tratamento de diabetes, mas em doses menores do que aquela usada no estudo clínico.


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O mundo enfrenta uma grave e crescente epidemia de obesidade, esta a qual é atualmente considerada uma doença crônica. Na Inglaterra, a obesidade já afeta quase um terço (29%) da população, e é esperado que essa taxa aumente para 35% até 2030. Nos EUA, a situação não melhora, com mais de 42% da população adulta já obesa. No Brasil, em 2018 mais da metade da população (55,7%) está com sobrepeso e quase um quinto (19,8%) com obesidade. A obesidade é um importante fator de risco para a resistência à insulina, hipertensão e dislipidemia (níveis elevados de lipídios no sangue, como colesterol e triglicerídeos), está associada com complicações como diabetes tipo 2, doença cardiovascular e doença do fígado gorduroso não-alcoólica, e reduz a expectativa de vida.


Menos conhecido pelo público em geral, a obesidade também é um importante fator de risco para o desenvolvimento de vários cânceres (2). É estimado que mais de 14% e 20% das mortes associadas a cânceres em homens e em mulheres, respectivamente, são causadas pela obesidade. Além disso, a obesidade é um dos principais fatores de risco para a progressão de uma COVID-19 severa.

 

(2) Leitura recomendada: Fique alerta: a obesidade caminha junto com o câncer


Apesar de intervenções no estilo de vida (exercícios físicos e, principalmente, dieta) representarem a principal estratégia primária para o controle do peso, manter resultados do emagrecimento conquistados a curto prazo por um longo período de tempo com essas intervenções é extremamente difícil. Dietas diversas, com diferentes distribuições de macronutrientes, geralmente só são efetivas a curto prazo, falhando em sustentar o emagrecimento a longo prazo. O motivo principal é a dificuldade de aderência à nova dieta. Para resultados satisfatórios de longo prazo em indivíduos muito obesos, a estratégia mais efetiva e com melhor custo-benefício é a via cirúrgica, em particular a cirurgia bariátrica, onde o volume estomacal é significativamente diminuído através de um número de técnicas para forçar o indivíduo a consumir uma baixa quantidade de alimentos, e, portanto, reduzindo dramaticamente a ingestão diária de calorias. 


Alternativas medicamentosas permanecem limitadas por modesta eficácia, preocupações com efeitos colaterais e alto custo. Medicamentos nesse sentido são indicados junto com intervenções no estilo de vida, particularmente para adultos com um índice de massa corporal de 30 ou mais, ou 27 ou mais em indivíduos com condições co-existentes (ex.: hipertensão).



SEMAGLUTIDA


Semaglutida - vendido sob o nome comercial Ozempic - é um análogo do peptídeo similar ao glucagon 1 (GLP-1) que é aprovado, a doses de até 1 mg administradas pela via subcutânea (como injeções de insulina em diabéticos) uma vez por semana, para o tratamento de diabetes tipo 2 em adultos e para a redução de risco de eventos cardiovasculares em pessoas com diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. Estudos prévios têm apontado que durante o tratamento com esse fármaco, os pacientes reportam significativo emagrecimento. Estudos clínicos prévios investigando a a eficácia do fármaco para o emagrecimento de pacientes obesos também têm reportado resultados favoráveis e clinicamente significativos (3).


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O fármaco funciona ajudando o pâncreas a liberar a quantidade certa de insulina quando os níveis de glicose no sangue estão altos. A insulina ajuda a mover o excesso de glicose no sangue para outros tecidos do corpo onde esse carboidrato é usado para a geração de energia (4). Além disso, a semaglutida reduz o movimento da comida através do estômago, aumentado a sensação de saciedade.


(4) Importante lembrar que a glicose não depende exclusivamente da insulina para entrar nas células, como frequentemente é alegado. Leitura recomendada: Qual é o real papel da insulina no controle da hiperglicemia?


Nesse sentido, no novo estudo, pesquisadores resolveram explorar essa relação de emagrecimento com o fármaco no teste clínico de fase 3 STEP (Semaglutide Treatment Effect in People with Obesity), administrando uma vez por semana uma dose de 2,4 mg de semaglutida em voluntários com sobrepeso ou obesidade, com ou sem complicações associadas ao excesso de massa adiposa. O objetivo do estudo era avaliar a eficácia e a segurança do fármaco administrado acima da dose aprovada para uso.


O estudo clínico - randomizado, duplo-cego e placebo-controlado - englobou participantes de 16 países na Ásia, Europa, América do Norte e América do Sul. Os participantes tinham 18 anos ou mais de idade, IMC ≥30 ou ≥27, reportaram um ou mais esforços de dieta inefetivos para o emagrecimento, e tinham um ou mais problemas de saúde tratados ou não-tratados relacionados com o excesso de massa adiposa (ex.: hipertensão, apneia obstrutiva do sono).


Os participantes (1961 no total) foram divididos em dois grupos, em uma razão de 2 para 1: 1306 no grupo recebendo o fármaco e 655 recebendo um placebo, uma vez por semana via injeção subcutânea. O tratamento durou 68 semanas (1 ano e 5 meses). No geral, 94,3% dos participantes completaram o teste clínico. Junto com o placebo ou com o fármaco, os participantes seguiram uma dieta de redução calórica (500 kcal de déficit comparado com a dieta pré-teste clínico) e um aumento da atividade física (com 150 minutos por semana de exercícios físicos, como caminhada).


No final de 68 semanas, aqueles no grupo recebendo semaglutida perderam uma média de 14,9% da massa corporal, em comparação com apenas 2,4% no grupo recebendo placebo. A perda de massa corporal média foi de 15,3 kg no grupo recebendo o fármaco e de 2,6 kg no grupo recebendo placebo. Além disso, bem mais participantes no grupo do semaglutida (86,4%) do que no grupo de placebo (31,5%) alcançaram uma redução de massa corporal superior a 5%. Análises subsequentes indicaram que a perda de massa corporal com a semaglutida envolveu mais massa adiposa (gordura) do que massa magra (músculos). Participantes recebendo o fármaco reportaram melhor performance física em atividades diversas e mostraram uma maior melhorar em fatores de risco cardiometabólicos do que aqueles recebendo placebo.


Náusea e diarreia foram os mais comuns eventos adversos com o uso de semaglutida na dose de 2,4 mg/semana. Esses efeitos tipicamente se mostraram transientes e de leve a moderada severidade, diminuindo com o tempo. Mais dos participantes no grupo de semaglutida (4,5%) do que no grupo de placebo (0,8%) descontinuaram o tratamento devido a eventos gastrointestinais (náusea, diarreia, vômito e constipação os mais comuns).

 

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Os pesquisadores concluíram que em indivíduos com obesidade e sobrepeso, uma dose subcutânea semanal de 2,4 mg de semaglutida somado com mudanças no estilo de vida (dieta e exercícios físicos) está associado com uma redução mais do que significativa e sustentada (>1 ano) da massa corporal através de emagrecimento. Emagrecimento de 10% a 15% (ou mais) é recomendada para pessoas com várias complicações associadas ao sobrepeso/obesidade, algo que pode ser alcançado com a semaglutida. 


Nesse sentido, ainda segundo os pesquisadores, o fármaco é tão efetivo que possui o potencial de ser usado como uma alternativa à cirurgia bariátrica. Em 35% dos participantes no estudo clínico usando a semaglutida, a perda de massa corporal sustentada alcançou 20% ou mais, uma redução que se aproxima daquela reportada 1-3 anos após a cirurgia bariátrica, particularmente gastrectomia vertical (redução de aproximadamente 20% a 30%).


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IMPORTANTE: A semaglutida pode aumentar o risco de desenvolvimento de tumores na glândula tireoide, incluindo carcinoma medular da tireoide. Esse risco é sugerido em estudos experimentais com animais não-humanos. O uso desse fármaco deve ser orientado e acompanhado por um médico.

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(1) Publicação do estudo: https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2032183 


(2) Referência adicional: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30122305/

Medicamento de emagrecimento é tão efetivo que pode substituir a cirurgia bariátrica Medicamento de emagrecimento é tão efetivo que pode substituir a cirurgia bariátrica Reviewed by Saber Atualizado on fevereiro 10, 2021 Rating: 5

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