Últimas Notícias

[5]

Síndrome pós-COVID-19 danifica severamente o coração das crianças, assintomáticas ou não



Segundo um estudo de revisão sistemática publicado no periódico The Lancet (1) (EClinicalMedicine), a síndrome inflamatória multissistêmica em crianças (MIS-C), associada com a COVID-19 (doença causada pelo novo coronavírus, SARS-CoV-2), danifica seriamente o coração, em uma extensão tal que algumas crianças irão necessitar de monitoramento e intervenções pelo resto da vida.


Mas o achado mais preocupante do estudo é que mesmo crianças saudáveis e assintomáticas podem desenvolver MIS-C, mesmo sem nenhum sinal três ou quatro semanas após a infecção inicial. Crianças podem não expressar quaisquer sintomas no trato respiratório superior e, sem nem ao menos saberem que estavam infectadas pelo SARS-CoV-2, podem desenvolver subitamente um grave quadro de super-inflamação no corpo, deflagrando a síndrome.


- Continua após o anúncio -


Até o momento, são mais de 28,3 milhões de casos registrados e quase 914 mil mortes confirmadas ao redor do mundo. No Brasil, são mais de 4,2 milhões de casos e quase 130 mil mortes. Esses valores estão substancialmente subestimados, e é provável que os números reais de mortes sejam até 30% maiores. A disseminação do SARS-CoV-2 continua avançando de forma acelerada em vários países. Apesar de reportes prévios sugerirem que as crianças infectadas são altamente resilientes à COVID-19 e que geralmente progridem com um quadro clínico leve, a partir de abril uma nova e potencialmente letal doença infantil emergiu.


Os primeiros casos foram descritos em periódico no início de maio, em Londres, Reino Unido, onde oito pacientes pediátricos severamente doentes apresentaram um quadro de choque hiper-inflamatório com o envolvimento de múltiplos órgãos. Sintomas comuns reportados foram febre alta, vermelhidão, conjuntivite, edema periférico e sintomas gastrointestinais. A condição foi inicialmente referida como síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica temporariamente associada com COVID-19 (PIMS-TS). Eventualmente, à medida que mais casos emergiram ao redor do mundo, a doença foi renomeada como síndrome inflamatória multissistêmica em crianças (MIS-C) pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) e pela Organização Mundial de Saúde (OMS).


A síndrome possui características similares à doença de Kawasaki e à síndrome de choque tóxico, mas com um quadro específico bem distinto.


Em um estudo publicado recentemente no periódico Nature Medicine (2), pesquisadores descreveram em maiores detalhes a MIS-C após a análise de 25 crianças com a condição, entre as quais 17 delas se mostraram soropositivas para o SARS-CoV-2 (indicando infecção prévia). Segundo os resultados da análise, crianças com MIS-C possuem níveis elevados de citocinas (moléculas de sinalização inflamatória) e níveis reduzidos de células brancas sanguíneas chamadas de linfócitos (células-T e -B no caso). Essas mudanças imunes se mostraram bem complexas e distintas daquelas observadas no Choque Tóxico e na Doença de Kawasaki.


Felizmente, tratamentos bem estabelecidos visando acalmar o sistema imune, como corticosteroides e imunoglobulinas, são suficientes para resolver o quadro de MIS-C, com o sistema imune das crianças afetadas voltando ao normal no final da recuperação, e poucas mortes diretas reportadas. Porém, possíveis danos a longo prazo são incertos.  


- Continua após o anúncio -


No novo estudo, os pesquisadores analisaram 39 estudos observacionais envolvendo dados clínicos de 662 pacientes pediátricos com MIS-C. Eles encontraram que 71% das crianças (470) necessitaram ser internadas na unidade de tratamento intensivo (UTI), apesar de apenas 11 delas terem ido a óbito (1,7%). Tempo médio de estadia no hospital foi de 8 dias. Os sintomas clínicos mais comuns foram febre (100%), dor abdominal ou diarreia (74%) e vômito (68%). Marcadores inflamatórios, coagulativos e cardíacos no plasma sanguíneo mostraram-se consideravelmente anormais. Ventilação mecânica e oxigenação via membrana extracorpórea foram necessários em 22% e 4,5% dos pacientes, respectivamente. 


Em torno de 60% dos pacientes manifestaram choque e 54% dos pacientes que tiveram um teste ecocardiográfico (EKG) receberam um resultado anormal.


A maioria das 662 crianças sofreram complicações cardíacas, como indicado por marcadores como a troponina, a qual é usada com grande acuracidade em adultos para o diagnóstico de ataques cardíacos. Aliás, níveis de troponina mostraram-se quase 50 vezes acima do normal nas crianças com MIS-C. Quase 90% das crianças (581) foram submetidas a um eletrocardiograma pelo fato de terem experienciado uma significativa manifestação cardíaca da doença, provavelmente decorrente do alto nível de inflamação no corpo. Os danos incluíram:


- Dilatação dos vasos sanguíneos coronários, um fenômeno também visto na doença de Kawasaki.


- Fração de ejeção reduzida, indicando uma habilidade reduzida para o coração bombear sangue oxigenado para os tecidos do corpo.


- Quase 10% das crianças tiveram um aneurisma de um vaso coronário.


- Continua após o anúncio -


Segundo os pesquisadores, os pacientes pediátricos com um aneurisma são os que estão em maior risco de um evento cardíaco futuro, e os quais irão requerer significativa e contínua observação seguida de múltiplos exames de ultrassom para ver se o problema irá se resolver ou se é algo que esses pacientes terão para o resto das suas vidas.


Apesar de muitos dos pacientes analisados com quadros mais sérios serem saudáveis, quase metade deles tinham uma condição médica prévia, e entre esses últimos, metade dos indivíduos eram obesos ou tinham sobrepeso (reforçando mais uma vez que o excesso de massa adiposa no corpo é um sério fator de risco para a COVID-19). E enquanto a maioria das crianças irão sobreviver à síndrome pós-COVID-19 com um suporte hospitalar básico, os efeitos a longo prazo dessa condição são atualmente desconhecidos. Portanto, cuidados de prevenção à infecção pelo SARS-CoV-2 são tão importantes nas crianças quanto nos adultos, pelo menos até uma vacina efetiva estar disponível.



(1) Publicação do estudo: The Lancet 


(2) Referência adicional: Nature

Síndrome pós-COVID-19 danifica severamente o coração das crianças, assintomáticas ou não Síndrome pós-COVID-19 danifica severamente o coração das crianças, assintomáticas ou não Reviewed by Saber Atualizado on setembro 11, 2020 Rating: 5

Sora Templates

Image Link [https://2.bp.blogspot.com/-XZnet68NDWE/VzpxIDzPwtI/AAAAAAAAXH0/SpZV7JIXvM8planS-seiOY55OwQO_tyJQCLcB/s320/globo2preto%2Bfundo%2Bbranco%2Balmost%2B4.png] Author Name [Saber Atualizado] Author Description [Porque o mundo só segue em frente se estiver atualizado!] Twitter Username [JeanRealizes] Facebook Username [saberatualizado] GPlus Username [+jeanjuan] Pinterest Username [You username Here] Instagram Username [jeanoliveirafit]