Descoberto crocodilo do Cretáceo que andava sobre duas patas
Em um estudo publicado no periódico Scientific Reports, paleontólogos revelaram várias pegadas fossilizadas, e bem preservadas, de uma espécie reptiliana pertencente a uma antiga linhagem ancestral dos crocodilos modernos, datadas em 110-120 milhões de anos atrás. Os fósseis revelaram também um traço surpreendente: esses ancestrais crocodilianos - batizados de Batrachopus grandis - andavam sobre duas patas, como dinossauros bípedes! Até o momento sabia-se que crocodilos da "era dos dinossauros" de fato eram mais adaptados ao ambiente terrestre do que ao meio aquático, mas todos eram pequenos animais com cerca de 1 metro e todos se locomoviam sobre quatro patas.
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Rastros de pegada de Crocodilomorfos do Mesozoico são geralmente raras na Ásia. Já havia sido sugerido que isso era em parte devido à falta de fácies sedimentares representando habitats ideais para esse grupo de animais tradicionalmente considerados mais aquáticos do que terrestres. No entanto, a família de crocodilomorfos Batrachopodidae têm sido associada a formas mais bem adaptadas ao ambiente terrestre do que ao ambiente aquático. Essa família, atualmente, engloba os gêneros extintos Batrachopus, Crodoylopodus e Antipus, o primeiro conhecido, em maior parte, a partir de pequenas pegadas fossilizadas (~2-8 cm de comprimento) do Jurássico Inferior na América do Norte, Europa e na África, o segundo primariamente de rastros fossilizados do Cretáceo na Europa, e o último de apenas um rastro bem descrito de pegada do Jurássico Inferior, na América do Norte. Mais recentemente, foram reportadas pequenas pegadas fossilizadas (menos de ~9-10 cm) de espécimes Crocodylopodus do Cretáceo Inferior na Formação Jinju, na Coreia do Sul.
No novo estudo, um time internacional de pesquisadores, incluindo paleontólogos da Coreia do Sul, Austrália, e da Universidade Denver do Colorado, encontraram pegadas de 18-24 cm de comprimento na Formação Jinju, representando uma espécie do gênero Batrachopus de 3-4 metros de comprimento. As pegadas (mostradas nas imagens abaixo) - mais de duas vezes maiores do que qualquer outro representante Batrachopus conhecido - traziam impressões dos dedos das patas traseiras muito bem preservados, com claras impressões das almofadas associadas e traços localizados da pele (impressões de pele, aliás, muito similares àquelas dos crocodilos modernos).
Mas o mais surpreendente das pegadas é que nenhuma delas representavam as patas dianteiras, o que fortemente indica uma progressão bípede - um método de locomoção não conhecido ou mesmo previamente sugerido para um crocodilomorfo. A estreita trilha formada pelas pegadas - ao contrário da postura mais espalhada das pernas de crocodilos modernos - corrobora de forma conclusiva esse cenário de locomoção bípede. O achado também reforça que a família Batrachopodidae tinha representantes mais terrestres do que aquáticos. Trilhas paralelas descobertas na região sugerem que o B. grandis andava em grupos sociais, assim como seus primos dinossauros.
Outra implicação importante da descoberta faz referência ao debate sobre o modo de locomoção dos pterossauros gigantes (!). Apesar de existir robusto consenso de que esses répteis voadores de grandes dimensões eram quadrúpedes, grandes pegadas fossilizadas e enigmáticas representando espécimes bípedes descobertas na Formação Haman da Coreia vinham sendo atribuídas por alguns paleontólogos a pterossauros. A descoberta de um crocodilomorfo bípede de grandes dimensões podem explicar essas pegadas como alternativa, e fomentam uma reexaminação desses rastros sob essa nova perspectiva.
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(!) Leitura recomendada: Pterossauros eram dinossauros voadores?
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Descoberto crocodilo do Cretáceo que andava sobre duas patas
Reviewed by Saber Atualizado
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junho 13, 2020
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