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Descrito fóssil de crucial transição evolutiva na linhagem humana para o bipedalismo


Uma das mais distintas características humanas, incluindo os representantes extintos do gênero Homo e outros ancestrais da nossa linhagem evolutiva, é a habilidade de andar sobre duas pernas, ou seja, o bipedalismo. Entre os mamíferos, os humanos e seus ancestrais mais próximos são os únicos bípedes. Agora, cientistas da Escola de Medicina da Western Reserve University, analisando um dos mais antigos fósseis de hominis, mostraram claras evidências de sinais de bipedalismo na espécie do ancestral humano Ardipithecus ramidus, datado em 4,4 milhões de anos e encontrado no Estado Regional de Afar, na Etiópia. O achado foi detalhado em um estudo publicado no periódico Journal of Human Evolution.

As novas análises dos fósseis escavados em 2005 - representando um esqueleto fragmentado (GWM67/P2) mas bastante informativo - documentam uma substancial, mas longo de perfeita, adaptação ao bipedalismo no tornozelo e no dedão do A. ramidus, algo antes não reconhecido nessa espécie. De acordo com os pesquisadores, o novo  estudo mostra que enquanto o gênero Ardipithecus era um bípede desengonçado, o esqueleto feminino encontrado indica que eles eram relativamente eficientes nessa forma de locomoção.

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Estudos prévios já tinham mostrado que o Ardipithecus era capaz de bipedalismo terrestre assim como mantinha a habilidade de escalar árvores - período de transição evolutiva -, mas faltavam evidências de especializações anatômicas vistas no novo fóssil, este o qual aponta para uma diversidade de adaptações durante a transição para o bipedalismo que hoje marca os humanos modernos.



Crucial para a adaptação ao bipedalismo são mudanças nos membros inferiores, onde, por exemplo, ao contrário dos primatas não-humanos hoje existentes (chimpanzés, bonobos, etc.), os dedões do pé humano são paralelos aos outros dedos, permitindo que o pé funcione como uma alavanca de propulsão durante o ato de andar. No A. ramidus, apesar do dedão do pé possuir uma disposição mais similar aos dedões da mão (para melhor agarrar e subir/se locomover nas árvores), esse dedo já se encontrava em uma posição que permitia a propulsão para frente, demonstrando uma adaptação mixa/transicional para o bipedalismo terrestre.

Especificamente, os pesquisadores olharam para a área das articulações entre o arco do pé e o dedão do A. ramidus, possibilitando a reconstrução do alcance de movimentação do pé. Enquanto cartilagens articulares não resistiram durante o processo de fossilização, a superfície do osso mostrou uma textura característica indicando que ali existia uma cobertura de cartilagem. Essa evidência mostra que o dedão do pé era de fato usado de forma mais humana para a propulsão, dando mais suporte bípede para o pé em transição. Além disso, quando chimpanzés ficam de pé e andam, seus joelhos ficam para fora em relação ao tornozelo. Quando humanos ficam de pé, os joelhos ficam diretamente acima do tornozelo, algo também apontado no fóssil do A. ramidus.

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Fósseis de homininis dessa época (início do Plioceno) são raros e representam um período pouco conhecido evolução humana. Ao documentar com mais precisão e detalhes a função dos quadris, tornozelo e pé na locomoção do Ardipithecus, o novo estudo ilumina o atual entendimento do contexto, tempo e anatomia do modo de andar dos nossos antigos ancestrais que já possuíam uma postura ereta.

É válido também mencionar que o A. ramidus pode ser o ancestral direto do Australopithecus anamensis, o primeiro da linhagem evolutiva Australopithecus, e a qual surgiu há 4,2 milhões de anos. Como existe uma ausência de outros fósseis de homininis entre 5 e 4,2 milhões de anos atrás além do Ardipithecus, essa hipótese é a mais plausível até o momento, e representaria uma profunda e rápida mudança evolucionária jamais vista na linhagem evolutiva humana. Em menos de 200 mil anos, a coroa dentária, unhas e anatomia locomotora (incluindo eficiente bipedalismo) e proporções entre membros mudou substancialmente, impactando nos comportamentos dietéticos e sociais. Mas, como mencionado, os fósseis desse período são escassos, e outro gênero intermediário pode ter ocorrido.

De qualquer forma, o famoso vestígio fóssil do pé de Burtele, de 3,4 milhões de anos atrás, e pertencente a uma espécie de hominídeo ainda não esclarecida, mostra um pé ainda adaptado para agarrar, o que pode indicar que o gênero Ardipithecus deu origem a mais de uma linhagem evolutiva que perdurou o pé em transição até o Plioceno tardio.


Publicação do estudo: ScienceDirect

Descrito fóssil de crucial transição evolutiva na linhagem humana para o bipedalismo Descrito fóssil de crucial transição evolutiva na linhagem humana para o bipedalismo Reviewed by Saber Atualizado on março 03, 2019 Rating: 5

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