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Massiva cratera de impacto é encontrada na Groenlândia e pode reforçar uma hipótese climática


Cientistas anunciaram a descoberta de uma gigantesca cratera de impacto com 31 km de extensão e cerca de 800 m de profundidade sob a Geleira Hiawtha, na parte noroeste da Groenlândia. Sua idade ainda não pôde ser conclusivamente determinada, mas o asteroide responsável pelo impacto pode ter tido mais de 1 km de extensão. O monstruoso evento energético certamente teve um expressivo impacto ambiental no hemisfério Norte do planeta, e possivelmente a nível global. A descoberta foi descrita em um novo artigo publicado na Science Advances e pode dar suporte para uma hipótese que tenta explicar um estranho esfriamento que ocorreu no planeta há cerca de 13 mil anos, quando mamutes e a megafauna estavam em declínio, e os seres humanos se espalhavam pela América do Norte.

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Apesar do impacto não ter sido tão colossal como aquele em Chicxulub que ajudou a promover a extinção dos dinossauros há 66 milhões de anos - abrindo uma cratera de 200 km de extensão na região Mexicana -, o evento energético em Hiawath foi assustador. A explosão resultante resultou na liberação de energia equivalente a 700 bombas nucleares de 1 megaton (para comparação, as bombas detonadas na Segunda Guerra Mundial, no Japão, liberaram em torno de 15 quilotons, uma unidade com uma ordem de grandeza 3 vezes menor) de uma só vez, vaporizando água e rochas, e o deslocamento de ar criando enormes ondas de choque e ventos poderosos como furacões. Uma chuva de detritos cobriu a América do Norte e a Europa, e a enorme quantidade de vapor de água (um forte gás estufa) gerada teria a curto prazo elevado as temperaturas nessas regiões.

Acratera foi revelada inicialmente a partir de análises aéreas por radar, estas as quais evidenciaram uma depressão circular de quase 31 km de extensão abaixo de 1 km de gelo. Investigando posteriormente o solo de uma área deglaciada, os pesquisadores encontraram sedimentos contendo cristais de quartzo e outros grãos associados a um evento de impacto. Análises geoquímicas desses sedimentos indicaram que o agente de impacto era um asteroide de ferro fracionado, com mais de 1 km de extensão.


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Segundo evidências geofísicas, o impacto provavelmente ocorreu dentro dos últimos 100 mil anos, muito dificilmente datando antes do período Pleistoceno. Caso tenha ocorrido há pouco menos de 13 mil anos, esse evento pode explicar mudanças climáticas anormais que ocorreram no final da última Era do Gelo, há cerca de 12,8 mil anos, quando as temperaturas em parte do Hemisfério Norte caíram cerca de 8°C na média, interrompendo a tendência de aquecimento. Esse resfriamento persistiu por cerca de 1000 anos, transformando as florestas em avanço no final da Era do Gelo novamente em tundra. Esse fenômeno climático, marcando o período conhecido como Younger Dryas, pode ter sido disparado por mudanças nas correntes oceânicas, incluindo a Corrente do Golfo (a qual transporta calor do Norte para os trópicos). E esse disparo pode estar associado ao evento de impacto na Groenlândia, algo previsto por uma hipótese proposta em 1998.

Nesse sentido, o impacto na Groenlândia teria derretido cerca de 1500 gigatoneladas de gelo, e o aumento de curto prazo nas temperaturas no local do impacto teria derretido ainda mais gelo posteriormente. Grande parte dessa água liberada pode ter terminado no Mar de Labrador, interferindo substancialmente na circulação marítima do Oceano Atlântico.

No entanto, muitos pesquisadores ainda continuam céticos em relação a essa hipótese, principalmente porque não existem sólidas evidências de uma pertubação nas correntes oceânicas naquele período ligadas ao Mar de Labrador. Além disso, alguns especialistas apontam que gatilhos externos não necessariamente precisam ter ocorrido para o estranho resfriamento ocorrer, já que outros fenômenos similares ocorreram ao longo da história geológica do nosso planeta de forma cíclica e inerente ao sistema climático terrestre (apesar de não tão severos quanto o Younger Dryas).

Mais estudos ainda serão feitos para um melhor entendimento da cratera e precisa datação do evento de impacto. É possível que a cratera possa ter quase 50 milhões de anos ou ser tão nova quanto 5 mil anos, dependendo das taxas de erosão do terreno, apesar dessas estimativas extremistas serem muito pouco prováveis.


Publicação do estudo: Science Advances

Referência adicional: Science Magazine

Massiva cratera de impacto é encontrada na Groenlândia e pode reforçar uma hipótese climática Massiva cratera de impacto é encontrada na Groenlândia e pode reforçar uma hipótese climática Reviewed by Saber Atualizado on novembro 15, 2018 Rating: 5

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