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Novas variações de genes revelam a evolução da cor de pele entre humanos e desafiam a noção de raças biológicas na nossa subespécie



À medida que o homem moderno se espalhou da África para o resto do mundo, esse sofreu várias adaptações para melhor enfrentarem os novos ambientes. Uma das mais notáveis está associada com a cor da pele. E, agora, um estudo na Science revelou importantes aspectos da evolução da cor de pele entre os humanos modernos e descobriu uma enorme variabilidade genética na África antes ignorada.

Como abordado no artigo Cor da pele e a vitamina D, a hipótese mais aceita sobre a evolução da cor da pele está associada à produção de vitamina D no corpo. Caso você não saiba, a fonte natural mais abundante que temos, em termos globais, desse nutriente é a partir da ação dos raios solares na pele. Nesse sentido, quanto mais escura a pele - maior quantidade melanina - menor a produção de vitamina D em ambientes de escassa luminosidade solar. Isso favorece que cores mais escuras sejam selecionadas no processo evolutivo em locais com maior incidência solar - para a proteção contra os danos do UV - e mais claras em locais com menor incidência solar.


Bem, o novo estudo genético analisou 2092 pessoas na Etiópia, Tanzânia e Botsuana (entre variadas tonalidades de cores de pele), e sequenciou mais de 4 milhões de polimorfismos de nucleotídeo único (SNPs, na sigla em inglês) em um subgrupo de 1593 indivíduos, encontrando 4 áreas chaves do genoma ounde SNPs específicos correlacionam com a cor da pele.

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A primeira surpresa foi o SLC24A5 - um gene de despigmentação ligado à cor mais clara entre a população europeia e que parece ter atuado nos últimos 6 mil anos na Europa - é também comum no Leste da África e encontradas, no mínimo, na metade dos membros de alguns grupos etíopes! Essa foi provavelmente traga há cerca de 30 mil anos para o leste africano por humanos migrando do Oriente Médio e do sudeste asiático. Apesar de muitos africanos no leste terem esse gene, eles não possuem pele branca provavelmente porque essa sequência genética não é a única que define suas cores de pele.

Outra descoberta foi que dois genes, HERC2 e OCA2, os quais são associados com pele, olhos e cabelo claros nos europeus, também parecem ter surgido na África! Essas variantes são muito antigas e comuns no povo africano San, os quais possuem a mais antiga linhagem genética do mundo. Os pesquisadores, em vista dos achados, propuseram que essas variantes surgiram na África há pelo menos 1 milhão de anos e se espalharam depois para os europeus e asiáticos. Ou seja, muitas das variações de genes que causam a cor clara na Europa tiveram origem na África!

Mas o mais surpreendente achado foi uma ligada ao gene conhecido como MFSD12, o qual mostrou levar a uma pigmentação mais escura - ou pela maior produção de eumelanina (humanos) ou bloqueando certos pigmentos mais claros (como em peixes-zebras e ratos) - uma função antes desconhecida para esse gene. Duas mutações que diminuem a expressão desse gene foram encontradas em alta frequência entre pessoas com as peles mais escuras selecionadas para o estudo. Essas variações surgiram há quase 500 mil anos, sugerindo que humanos ancestrais anteriores a esse período podem ter tido uma pele moderadamete escura, ao invés das tonalidades bem escuras disparadas por essas mutações. E a questão aqui é que essas variações também são encontradas em aborígenses australianos, malanésios e indianos.

Em outras palavras, essas pessoas na Ásia e na Oceania podem ter ganho de herança essas variantes de ancestrais migrantes oriundos da África e que seguiram uma rota mais ao sul, fora do Leste Africano, e junto à costa sul da Índia à Melanésia (região na Oceania que contém agrupamento de ilhas no sul do Oceano Pacífico) e Austrália. 

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No final, temos que a noção que geralmente temos de ´raças humanas´ é bem ultrapassada, sendo que existe um grande debate no meio acadêmica sobre a existência ou não de raças na subespécie humana (Homo sapiens sapiens) (1). Nessa linha, não faz sentido classificar humanos de acordo com a cor de pele, sendo o mesmo que classificar as pessoas de acordo com a altura, por exemplo. Existe tanta diversidade entre os africanos que acaba não existindo algo como uma ´raça africana´. Os variados genes da África relativos à cor da pele estão espalhados no mundo inteiro, indo contra à ideia de uma ´exclusividade´ genética de europeus ou asiáticos. Ambos traços genéticos, responsáveis pelas cores claras e negras da pele parecem ter saído da África. Mesmo assim, a primeira coisa que vem à nossa cabeça quando pensamos em ´raças´ acaba sendo a cor da pele.


Aliás, os africanos são os que possuem o maior espectro de variações pigmentares na pele, apesar de muitos os jogarem em um mesmo barco, sendo que a população KhoeSan no sul da África são as mais polimórficas entre os humanos modernos já estudados. Os resultados do novo estudo também reforçaram isso, ao analisarem variadas tonalidades de cor de pele com instrumentos especiais nas regiões exploradas pelos pesquisadores.

O estudo também revelou genes antes desconhecidos que podem estar atuando na proteção da pele contra os danos do UV em certos grupos africanos. Nesse caso, os pesquisadores encontraram uma região genética associada com a pigmentação da pele e que incluíam genes associados com respostas ao UV e com o risco de melanoma. O maior candidato nessa região é o gene DDB1, envolvido em reparar o DNA após exposição ao UV, e as mutações identificadas no estudo parecem ter papel em regular a expressão do DDB1 e outros genes próximos.

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Referências:
1. https://news.upenn.edu/news/penn-led-study-identifies-genes-responsible-diversity-human-skin-colors
2. http://www.sciencemag.org/news/2017/10/new-gene-variants-reveal-evolution-human-skin-color
3. http://science.sciencemag.org/content/early/2017/10/11/science.aan8433
4. https://www.nih.gov/news-events/news-releases/new-regions-human-genome-linked-skin-color-variation-some-african-populations
5. https://www.biorxiv.org/content/biorxiv/early/2017/10/13/200139.full.pdf
Novas variações de genes revelam a evolução da cor de pele entre humanos e desafiam a noção de raças biológicas na nossa subespécie Novas variações de genes revelam a evolução da cor de pele entre humanos e desafiam a noção de raças biológicas  na nossa subespécie Reviewed by Saber Atualizado on outubro 15, 2017 Rating: 5

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